Mais infoProdutora: SoulpixEditora: SoulpixPlataformas: , , Género:

Depois de aterrar num planeta desconhecido, descobrimos que a amnésia roubou-nos a memória. Agora, sem sabermos quem somos ou onde estamos, resta-nos confiar na ajuda num drone para descobrir o que aconteceu. Uma história já conhecida, mas contada de maneira diferente. Bem vindos a Eden Tomorrow.

Este é um titulo difícil de explicar. Quando foi anunciado, apresentou-se ao público como uma jornada que giraria em torno da narrativa, passando-se num planeta alienígena, onde a acção foi posta de lado. Tudo em favor de uma abordagem diferente. E como nós gostamos de novas experiências, decidimos ver como esta jornada se comporta no ambiente de realidade virtual do PlayStation VR. Sempre, claro, munidos do nosso espírito crítico apurado.

A história começa com o protagonista dentro de uma cápsula de resgate, sem qualquer memória de quem é ou como foi ali parar. Um pouco como nós, se pensarem bem. Como uma desgraça nunca vem só, a cápsula começa a desfazer-se enquanto entra na atmosfera de um planeta desconhecido. Para esta aventura contamos, felizmente, temos a ajuda de um drone que surge como companheiro. O protagonista apadrinhou-o de Newton e será a primeira personagem com quem interagimos. Contudo, não demorará muito até depararmos com a uma das criaturas que habitam este planeta hostil.

Apesar de ser um inicio simples, a premissa deste título consegue segurar-nos nos desde o primeiro minuto. E, à medida que a história se desenrola, torna-se mais complexa com a ajuda de flashbacks, notas de áudio e cenas intermédias interessantes. Não é das historias mais originais que já acompanhei, confesso. Acaba por ser previsível, apostando mais nos mistérios aliados à atmosfera do jogo. Teve o efeito de, mesmo assim, deixar-me curioso sobre o que aconteceu e a querer saber mais sobre o protagonista e sobre o planeta onde estou. O que, para todos os efeitos, é só isso que se pede como premissa.

Nos primeiros instantes, existe uma grande variedade de objectivos para cumprir. Será pedido para encontrar objectos escondidos, deslizar por áreas escorregadias ou manter-nos estáticos numa barra de ferro. São tarefas simples mas ajudam na imersão pretendida para um título inserido na Realidade Virtual. Contudo, a interacção que mais gostei foi com o nosso pequeno companheiro robótico.

A dada altura, será possível mudar para a visão deNewton e a movimentação muda radicalmente, com o robot a poder deslocar-se livremente e por áreas que antes eram inacessíveis. é uma dinâmica interessante que nos permite explorar e interagir com o jogo de uma forma diferente.

Esse nosso fiel companheiro tem alguns problemas técnicos, que não deixam aceder à sua memória. Mas, isso não o impede de estar sempre pronto a ajudar-nos. A nossa interacção com é feita acenando a cabeça afirmativa ou negativamente para responder às suas questões ou para as repetir, caso não tenha sido claro. É uma interacção simples, mas ajuda a criar empatia por Newton.

Livre de qualquer tipo de acção tradicional, esta aventura baseia-se numa série de directivas que tem de ser seguidas para poder progredir. A interacção com o ambiente que nos rodeia é uma delas. O único sistema de controlo disponível é o DualShock 4 que nos deixa movimentar livremente na primeira pessoa. O facto de não usar os comandos PS Move, como é habitual nos jogos VR, restringe imediatamente a nossa interactividade com o jogo. O que é pena tendo em conta a sua característica de exploração.

A câmara pode ser controlada de forma incremental com o analógico direito. E esta não é a melhor opção. Mesmo estando já familiarizado com o hardware, houve alguns momentos que senti as míticas náuseas pontuais. O pior caso foi a controlar Newton que tem a possibilidade de se movimentar em qualquer direcção, criando uma óbvia desorientação. Felizmente, é possível ligar uma opção de acessibilidade que reduz o campo de visão quando estamos em movimento, evitando assim as piores tonturas.

Os verdadeiros problemas começam a surgir a partir das fases introdutórias. As primeiras tarefas, só divertem no inicio. Com o tempo,começam a ser frequentes demais, sem qualquer sentido de variação. Acabam por não oferecer nada de novo, na verdade. Tive esperança que alguns quebras-cabeças lá no meio permitissem quebrar a monotonia dos objectivos mas, infelizmente, estes foram poucos e não ofereceram grande dificuldade. Como já disse, a aventura desperta curiosidade mas a jogabilidade não acompanha.

Em termos visuais, não tenho queixas. O grafismo de Eden Tomorrow oferece excelentes cenários que dão vontade de os explorar. Dei por mim a contemplar ao pormenor alguns dos locais que visitei. As animações, por outro lado, são um pouco robóticas demais. E esta banda-sonora… não funciona sempre bem. Perdoamos estas questões perante a qualidade geral a o nível do detalhe, dos modelos e dos materiais em si serem representados acima da média do que podemos encontrar no PS VR. Também temos de ter em conta o cuidado visual quando se trata de uma produtora independente com um orçamento mais limitado.

Veredicto

Eden Tomorrow tenta contar-nos uma história clássica de uma maneira realmente diferente. O início tem grandes intenções mas, infelizmente, acaba por perder-se pelo caminho. A sua falta de rumo concreto, resulta numa aventura composta por ideias que se repetem, sem oferecer grande novidade na jogabilidade. O grafismo e a imersão da Realidade Virtual são muito bons, e também tem o dom de nos manter curiosos para conhecer o final da história. Além disso, porém, a oferta não consegue deslumbrar como pretendia. O que é pena.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.