Mais infoProdutora: BungieEditora: BungieLançamento: 10/11/2020Plataformas: , , , , Género:

Os jogos como serviço têm sempre um grande problema. Ou adicionam conteúdo de forma regular ou rapidamente se tornam irrelevantes. Claro que tudo depende do empenho da produção em criar algo continuamente novo e da fidelidade da sua base de jogadores. A Bungie não se pode queixar dos seus fãs, mas que dizer do empenho da produção em Destiny 2: Beyond Light?

Se bem se recordam, há duas “vidas” para a produtora e para este título. Houve uma era de novidade e investimento em algo expandido enquanto sob alçada da Activision e, depois, uma era de recuperação, de esperanças moderadas quando a Bungie decidiu tornar-se uma produtora independente. Consigo, trouxe a franquia Destiny e muita vontade de levar o jogo a novas metas. Agora que o jogo base é “free to play” a adesão tem sido tanto de veteranos que regressam aos servidores novamente preenchidos, como de Guardiões novatos a procurar um rumo. Como sempre, voltar a um jogo desta envergadura envolve muita vontade de descobrir algo novo e… muita paciência…

O que se pede numa nova expansão para Destiny 2? Um novo enredo cheio de intriga, claro. Uma nova localização também é de esperar. Personagens fortes, inclusive um vilão desafiante, claro que não pode faltar. E não seria Destiny sem mais loot e um maior nível de poder para evoluir. Ao longo de seis anos, passámos por dois jogos e uma mão cheia de expansões que sempre nos souberam cativar nos primeiros instantes. Não, não conseguimos ainda desculpar a Bungie por deixar Cayde-6 morrer, uma manobra que, ao fim deste tempo não envelheceu assim tão bem como, se calhar, quem criou esse “plot twist” imaginou. Mesmo depois de Shadowkeep, sempre que regresso a Destiny 2, sinto-me algo traído na minha confiança. E nesta história até tenho razões para isso.

A história de Beyond Light começa com uma estranha invasão de naves-pirâmide, que resulta na corrupção da Escuridão em vários planetas do Sistema Solar. A lua de Júpiter Europa merece toda a atenção da Vanguard, uma vez que parece esconder um poder ancestral que poderá ajudar a entender a nova ameaça. Como o karma tem destas coisas, reencontramos Variks, o infame líder da revolta da Prison of Elders que resultou na morte do já mencionado Cayde-6 em Forsaken. Relutantemente (acreditem), temos de salvar Variks dos demais Fallen, porque possui uma informação muito importante. A nova Kell da sua raça, Eramis, está a usar a Escuridão para combater os Guardiões. E isso não pode ser uma boa notícia.

Adiante nesta trama, a própria Escuridão parece ganhar consciência, atraindo o Guardião para conhecer a segunda Exo preferida de todos (mais ou menos), Stranger. Lembram-se dela, com certeza, do final do Destiny original. Faz aqui o seu regresso, afirmando que, afinal, vem de uma linha temporal diferente, onde a Escuridão ganhou a guerra, revelando finalmente o seu papel na história geral. Uma vez mais, é Stranger que nos dará vantagem contra a nova ameaça, o que nos leva a uma campanha duvidosa que nos fará usar a Stasis, um poder extraído da própria Escuridão, contra os nossos adversários.

E esta é, verdadeiramente, a fundação desta nova história. Como diria o tio de Peter Parker, “com grande poder, vem grande responsabilidade”. Não vou, obviamente explicar como, mas o final desta história é uma clara constatação deste facto. Usar o mal para combater o mal, tem sérios riscos de corromper quem o usa, por melhores intenções que tenha. E há uma óbvia premonição que esta nova arma ainda será tema para algo concreto no futuro. Escutem o aviso dado pelo Commander Zavala no epílogo para perceberem o que digo.

De um modo geral, a campanha cumpre o seu papel a nos entreter com uma boa história, com alguns momentos entusiasmantes e bem escritos. Para a contar, a lua Europa é também um bom palco, embora a considere bastante despida de detalhes, comparando com outras localizações. Ok, é um planeta gelado, a neve e o gelo obviamente abundam, mas já tivemos zonas desérticas em alguns planetas bem mais ricas em estruturas e objectos. A produção “esconde” habilmente esta escassez de detalhes com alguns efeitos atmosféricos, mas só se engana quem quer, claro.

Além das missões de história, habilmente orquestradas como só a Bungie sabe fazer, temos novamente muitas missões secundárias e tarefas adicionais. A não ser queiram evoluir antes de alguma missão mais exigente, algum elemento de repetição nestas missões paralelas deverão afastar o menos persistentes. Enfim, temos um Destiny nas mãos, o mesmo jogo de sempre, que nos premeia com itens de baixo valor por perder tempo em missões complexas. Mas, hey, se continuamos a voltar e a mergulhar no “grind” é porque a fórmula funciona, certo?

Como novidades na jogabilidade, claro, temos a já mencionada Stasis, um novo poder baseado em gelo que nos obriga a modificar a forma de jogar, algo sempre positivo numa nova expansão. O Hunter recebe a habilidade Revenant com duas facas de gelo e o super Silence And Squall com armadilhas geladas. O Warlock recebe Shadebinder, um bastão que dispara projécteis e o super Winter’s Wrath, uma explosão de gelo que congela os adversários. Por fim, o Titan tem ao seu dispor Behemoth, punhos gelados poderosos e o super Glacial Quake que envia ondas de choque contra os adversários.

A dada altura, deixei de ter um poder preferido, confesso, aprendendo a dominar cada um. Sempre achei que, ao fazê-lo, me dava vantagem para diferentes fases do jogo, especialmente contra bosses. Pelo que, reaprender a jogar sempre que volto a Destiny 2 numa expansão, é já um cliché. Ainda assim, embora me pareça bastante contraditório usar a Escuridão, depois de tantos anos a combatê-la, achei o novo poder Stasis uma adição bem vinda. Até porque o novo poder permite personalizar a suas opções de habilidades, algo novo neste segmento do jogo.

Noutros lados, agora podemos escolher a concha do nosso Ghost, finalmente. Deixa de ser algo aleatório e, por vezes, dispensável. É mesmo possível personalizar o Ghost com modificações, tornando-se finalmente relevante o que “vestimos” no pequeno robot. Não é, de longe, a novidade mais importante nesta expansão, mas é algo lógico num título tão focado na personalização. Agora, finalmente, o Ghost tem um papel mais importante.

Devo informar que cinco localizações originais e as suas respectivas campanhas foram sumariamente removidas, toldadas pela tal ameaça das naves-pirâmide. Io, Marte, Mercúrio, Titã e a nave Leviathan e as suas missões deixam de fazer parte do jogo, estando no chamado Destiny Content Vault. Em compensação, além da nova localização de Europa, temos o regresso do Cosmódromo do primeiro Destiny. Saudades!

Como sempre, convém procurar novo loot quanto antes para que o interesse aumente. Todas as armas e equipamento não exótico que tenham no inventário, têm agora um nível máximo inultrapassável de Poder, tornando-se assim praticamente inúteis avançando nas missões da expansão. É preciso jogar e ganhar o novo equipamento introduzido, especialmente procurando os novos exóticos que dão sempre aquela vantagem.

Claro que muita gente joga Destiny ignorando o modo de carreira, mandando-se logo para os modos multi-jogador. Devo dizer que o popular modo Gambit foi modificado, deixando de ter três rondas, passando apenas a uma ronda, além de demonstrar diversas nuances na jogabilidade. Mas, pareceu-me que foi tudo o que foi modificado na jogabilidade online. Todos os outros modos pareceram-me intactos. Confesso que, desta vez, não deambulei muito pelos modos PvP, até porque me parece que só vale a pena jogá-los durante os eventos especiais. É só uma opinião pessoal, claro.

E, sim queremos um novo Raid para chegar ao novo nível máximo, 1260. Começamos esta expansão no nível 1050 e a campanha deverá levar-vos até ao nível 1100, ou próximo disso. Daí em diante, só com bastante grind, como não podia deixar de ser. Terão de procurar Prime Engrams, apostar em eventos públicos e missões especiais e lentamente chegar a 1200. Acima disso, claro, só com equipamento mais elevado oferecido por completar o novo Raid. Infelizmente, cumprindo a tradição da Bungie de nunca lançar tudo de uma vez, esse novo Raid só chega na próxima semana, no dia 21 de Novembro.

Sim, tecnicamente, Destiny 2 também chegou à nova geração de consolas. Contudo, notem, a versão que joguei na Xbox Series X refere-se à mesmíssima versão Xbox One, aproveitando, obviamente, a maior velocidade da consola, apenas e só. Melhorias visuais e diversas alterações técnicas em larga escala, só no dia 8 de Dezembro. Talvez por isso a nova localização de Europa não me tenha entusiasmado muito no campo visual. Veremos se no próximo mês Destiny 2 me consegue impressionar. Espero bem que sim.

Agora, o que não gostei mesmo nada nesta expansão, foram os inúmeros problemas de ligação e quebras nos primeiros dias de jogo. Três anos depois, com tanto desenvolvimento e expansões lançadas, ainda não entendo o que acontece com os servidores da Bungie a cada novo lançamento. A frustração de não conseguir entrar em missões, só é ultrapassada pela falta de paciência com as microtransacções e os lembretes para comprar o passe de época. Eu sei que a produção tem de sobreviver. Também sei que os lançamentos de jogos massivos costumam ser tremidos. Mas, haja paciência…

Veredicto

Uma nova história, um novo mapa de jogo, mais umas quantas armas e equipamento e mais incentivo ao grind. É sempre assim num novo arco de história para Destiny 2. Até gostei da história desta expansão, levando-nos a alguns óptimos momentos de acção, especialmente graças ao novo poder da Stasis. Contudo, Destiny 2: Beyond Light não reinventa quase nada, numa expansão que remove mais do que acrescenta, talvez para nos fazer olhar em frente. Ainda assim, não será desta forma que despercebemos as falhas crónicas da série que ainda subsistem.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.