Mais infoProdutora: Team NinjaEditora: Tecmo KoeiLançamento: 01/03/2019Plataformas: , , Género: ,

Depois de algumas críticas que abalaram esta série de luta, Dead or Alive regressa com o seu sexto capítulo. Chega com a promessa de diminuir os aspectos sexistas do jogo para se focar mais na luta propriamente dita. Afinal de contas é mesmo isso, um jogo de luta.

Dead or Alive mantém-se como uma das mais famosas séries quando se falam de jogos de luta em 3D. No entanto, os seus últimos títulos começaram a passar alguns sinais de envelhecimento, com a fórmula a não receber grandes novidades. Dead or Alive 6, chega nesta fase menos positiva, após sete anos do último jogo principal. Para muitos, aquele “jogo de porrada com garotas meio despidas” tornou-se algo acessório. Por isso, era bom que a Koei Tecmo nos trouxesse algo substancial para tornar este jogo relevante no género. Este sexto capítulo, de facto, acrescenta algumas novidades, mas será que consegue cumprir o objectivo de rejuvenescer toda esta série?

Para quem não está familiarizado com a história deste jogo, um resumo. Um certo e determinado senhor, conhecido por Fame Douglas, criou um torneio de luta. Tendo entretanto falecido, Helena, a sua filha ilegítima, acabou por herdar a DOATEC (Dead or Alive Tournament Executive Committee) com a promessa de continuar o legado do seu pai. Entretanto surgem novos intervinientes, como uma rapariga de cabelo azul que trabalha para a MIST, uma organização dedicada à ciência com propósitos malignos para a humanidade. Para evitar o pior temos à disposição ninjas, militares de óculos escuros e ainda um bêbado que luta com um demónio por causa do seu vinho. Posso acrescentar ainda que há cenários com pterodáctilos e com polvo gigante.

Sim… é mesmo tudo isto que leram. Estranho, é um eufemismo.

Pessoalmente recomendo que comecem pelo modo história. É bastante simples e tem vários momentos triviais. Contudo, terão a oportunidade de lutar com a maior parte das personagens do jogo em vários segmentos dedicados a cada um. É uma fórmula já conhecida e que Mortal Kombat soube aperfeiçoar. Infelizmente, a ligação entre as várias personagens é pouca ou inexistente, por vezes até causando alguma confusão com a mudança abrupta entre o que é jogo e o que são as cenas intermédias. A razão pela qual recomendo começar pela história, é para acabar com a decepção mais cedo. Mas, também é útil para experimentar a maior parte dos movimentos de todos os 24 lutadores.

Com a história sem sentido fora do nosso caminho, sempre temos a jogabilidade que continua a brilhar como sempre. Traz de volta o sistema triangular (Triangle System), dando dois botões para o Strike (murro e pontapés), um para Hold e outro para Throw. A fórmula é muito simples: Strike ganha a Throw, Throw ganha a Hold e Hold ganha ao Strike. Lá pelas terras dos Yankees, têm por lá um jogo clássico que é o Pedra, Papel e Tesoura, algo que claramente inspira esta fórmula. Caso precisem, o jogo tem um tutorial detalhado para cada personagem. Se não forem recém-chegados, vão gostar de saber que estes e outros controlos e golpes estão tal qual como vocês se lembram. A rondas mantém-se rápidas e letais, com grande foco nos contra-ataques.

Entre as novidades, a Team Ninja adicionou o Fatal Rush e a Break Gauge. Esta última é a primeira barra “super” da série e, tal como outros jogos do mesmo género, é uma barra que preenche consoante os golpes desferidos e, assim que tiver completa, pode ser usada com o tal Fatal Rush. Esta nova mecânica foi adicionada claramente a pensar nos menos experientes, permitindo fazer toda uma combinação de ataques ao pressionar várias vezes um simples botão. Quando usada em conjunto com a Break Gauge, o combo transforma-se num ataque especial, capaz de infligir mais danos ao adversário, dando efectivamente a volta a uma situação de desvantagem.

Noutras novidades, temos de falar do visual dos lutadores, obviamente. Já vou falar de outras questões, mas gosto de como no decorrer da luta, as personagens vão ficando com marcas e com a roupa rasgada, chegando até a soltar o cabelos das personagens que usam rabo de cavalo, por exemplo. Nada disto influencia a luta ou a prestação do lutador, tendo só um óbvio papel estético no meio dos combates. Os próprios lutadores, no final das lutas, mostram ar cansado mais ofegantes e com suor a escorrer pelo corpo. Não é nada de novo no género, mas adiciona uma dose de um certo realismo, sobretudo depois de alguns golpes mais brutais.

Em termos de cenários, continuam com os seus múltiplos estágios. Mas, a forma de os activar não é muito óbvia. No meu caso, tive de ir experimentando golpes e posições para descobrir como activar a transição. E contem também com aqueles momentos estranhos que interferem mesmo com a acção. A título de exemplo, há um estágio que contém vários ovos de dinossauros. Caso consigam empurrar o vosso adversário para lá, os ovos partem-se e surge um enorme pterodáctilo que dá uma lição ao lutador e retira um bom bocado da sua barra de energia… Enfim…

Em termos de modos podem encontrar os habituais Arcade, Versus, Online e agora o DoA Quest, que tem um nome mais promissor do que realmente é. Caso estejam a imaginar toda uma aventura ao género de Mortal Kombat Deception, lamento desiludir-vos. Neste modo encontram, basicamente, missões onde conseguem ganhar algum dinheiro para comprar roupa e acessórios para posteriormente personalizarem os lutadores. A classificação destas missões é feita através de três estrelas. Duas dedicadas a desafios e uma dada na conclusão da missão. Caso falhem um dos desafios, é imediatamente sugerido um tutorial para vos ensinar. Sempre a pensar nos menos experientes.

Assim que tiverem a vossa fatiota favorita podem aventurar-se no modo Online. Na minha breve experiência com a versão final, encontrei algumas lutas sem qualquer lag, mas também houve momentos que se tornou praticamente impraticável. A experiência pode variar e acredito que, com mais jogadores, possa vir a ser mais comum encontrar este tipo de problemas. É possível fazer rematch no final das lutas, mas é bem possível que não passem aqui muito tempo. Está prometido um sistema de lobby para o final deste mês, que não estava pronto no lançamento do jogo, pode ser que melhore a experiência quando for lançado. Até agora, é um modo perfeitamente acessório.

Infelizmente, nem tudo corre bem também na apresentação do jogo. O locutor não tem qualquer tipo de sentimento ou entusiasmo na sua voz. As falas dos lutadores está acelerada para tentar coincidir com os tempos da animação japonesa, o que cria situações caricatas. Felizmente é possível mudar as vozes para Japonês e tentar evitar todo este desastre. Em termos de animações propriamente ditas, continuam com aquele exagero característico, com todos os estilos de combates sendo representados de uma forma mais cómica, passando pelo kung-fu, ninjutsu e até luta-livre. Nada pretende ser sério, afinal.

Em termos de performance o jogo consegue manter-se nos 60 FPS na versão em que analisámos (PS4), oferecendo aquela fluidez que já se toma por garantida num jogo de luta. Aqui não tenho nada a dizer. Nas opções do jogo, existe uma opção que permite dar prioridade ao grafismo ou dar prioridade à performance. Eu usei a opção por defeito que dá prioridade ao visual que, mesmo numa PlayStation 4 normal, não deu problemas de maior.

Por fim, a inevitável questão da exagerada sexualização das personagens femininas. Este título tenta suavizar essa questão, diminuindo a quantidade de pele visível e diminuindo a “vitalidade” do peito das protagonistas. Ainda assim, dá que falar. A indumentária usada continua a deixar pouco à imaginação, principalmente com os fatos que vão desbloquear ao longo do jogo. Se isso for um problema para vocês, talvez seja bom evitar este jogo.

Veredicto

Tenho pena que a apresentação de Dead or Alive 6 e o modo história tenham sido uma desilusão. O tom meio sarcástico de tudo até faria sentido se a apresentação fosse mais interessante e cuidada. Felizmente, a jogabilidade mantém-se divertida como sempre, apesar de continuar a ser um jogo onde quem carrega aleatoriamente, vulgo Button Smashing, continua a levar a melhor. Havia aqui a oportunidade deste título nos dar uma boa alternativa aos demais jogos neste género tão selectivo. Não consegue, infelizmente, cativar-me a esse ponto. É discutível se um jogo de pancadaria com pterodáctilos e seios que desafiam a gravidade ainda faz sentido ao fim de seis edições.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.