Mais infoProdutora: Toys for BobEditora: ActivisionLançamento: 02/10/2020Plataformas: , Género:

O famoso Crash Bandicoot está de volta com uma aventura que irá desafiar o espaço e o tempo. Crash Bandicoot 4: It’s About Time irá fazer as delícias de todos os fãs que aguardavam uma boa sequela desde os anos 90.

Esta sequela chega de forma algo inesperada e com uma certa carga de responsabilidade. Não podemos esquecer que estamos perante um ícone dos videojogos, um autêntico mito desde os anos 90. Há expectativas para ser atingidas e um grande potencial de queixas para combater. Felizmente a qualidade é tão boa que não requer grandes justificações para sequer existir. Devo dizer-vos que Crash Bandicoot 4: It’s About Time é dos melhores jogos do marsupial desde a sua génese, ocupando para mim um lugar respeitável no cânone da serie. E ainda mantém a mesma linha de humor, quase a mesma jogabilidade e todos os  desafios que recordamos.

Este novo jogo começa precisamente onde Crash Bandicoot 3: Warped terminou, deixando claro que entre as duas aventuras se passaram realmente vários anos. Por mais de uma década, o infame Dr. Neo Cortex, Uka Uka e Nefarious estiveram aprisionados num planeta perdido, sem qualquer possibilidade de voltar à Terra. Mas, obviamente que as mentes preversas não iriam ficar de braços cruzado. A certa altura, Uka Uka consegue usar os seus poderes de modo a abrir um portal temporal. Esta fenda entre dimensões que permite aos vilões escapar e tentar a sua vingança mais uma vez contra o herói Crash.

No entanto, o Dr. Neo Cortex não parece muito entusiasmado para recomeçar esta guerra com os marsupiais. É que a abertura do portal acordou também as máscaras quânticas, cuja sua magia permite que os antagonistas possam tornar-se donos do espaço-tempo. E ninguém sairia a ganhar desta premissa. Crash e Coco, entretanto, passam os seus dias em paz na mesma ilha original. Aku Aku, também ele uma máscara tribal mágica, sente o distúrbio temporal e avisa os seus amigos. A jornada começa por tentar apanhar todas as mascaras quânticas e tentar impedir, uma vez mais, estes vilões, um de cada vez.

Um dos vários aspectos que gostei neste novo título para Crash Bandicoot, foi a gestão dos diferentes mundos. A aventura de Crash e Coco (ambos podem ser usados em qualquer um dos níveis) segue um caminho linear. Mas, não pensem é que um percurso sem substância. Este percurso é seguido como uma espécie de jogo de tabuleiro, que junta os vários mundos desbloqueados. Uma vez que não nos deixa saber bem o que vem a seguir, consegue dar a sensação de descoberta, sempre que derrotamos um boss no final de cada mundo.

O primeiro mundo é, obviamente, a ilha dos Bandicoots. Os mundos seguintes surgem com temas aleatórios e conseguem variar muito bem ao nível de cores, situações e até de inimigos. A variedade é mesmo garantida, assim como a jogabilidade. Isto, porque temos sempre de nos esforçarmos para descobrir como certo boss deve ser derrotado ou como uma nova máscara deve ser usada. Tudo em cerca de 12 horas de campanha, uma média que varia consoante a vossa forma de abordar o jogo, especialmente se quiserem completar 100%. Se fizerem parte dos colecionadores que desejam fazer tudo, esperem pelo menos 25 horas de campanha, onde repetirão níveis para apanhar todos os colecionáveis.

A repetição de níveis, já agora, é um factor fundamental nesta produção. Se todos os níveis pudessem ser ultrapassados uma só vez, Crash Bandicoot 4 resultaria num título com pouca substância. Ainda assim, não há um padrão de repetição. É impossível prever quantas vezes terão de repetir cada mundo e cada nível e não há apenas o modo cronometrado. Há ainda recompensas e outros segredos que só surgem depois de derrotarem alguns bosses. Por exemplo, ao derrotar N. Brio, terão possibilidade de jogar o modo N.Verted, com cores invertidas. O importante a reter é que terão sempre recompensas pela vossa persistência a jogar, sendo o principal estímulo para repetir os níveis com outros pormenores.

Além dessas variações especiais, esta aventura pode ser abordada com dois modos de jogo principais: Moderno e Retro. Estes modos distinguem-se, não pelo aspecto, mas pela dificuldade do jogo. Em Retro, ao perder todas as vidas, terão de repetir o nível do início. No modo Moderno é mais simpático, levando-nos ao último checkpoint sempre que morrerem. São duas opções que tornam o título apreciável e divertido para todo o tipo de jogadores, os veteranos que gostam de desafios com aquela dificuldade absurda, ou o jogador mais novato que precisa de alguma ajuda.

Assim, este é um título que oscila indefinidamente entre o passado e o presente. No entanto, nunca vimos produção a realçar tão bem os “bons velhos tempos”. Acreditava-se que Crash já havia dado tudo de si com Warped. Em vez disso, surgiram aqui novas possibilidades de jogabilidade, relacionadas com as novas máscaras quânticas. Ao todos são quatro máscaras que, quando equipadas, permitem que pensem novamente como o níveis funcionam. A primeira a ser apanhada, Lani-Loli, controla o aparecimento e desaparecimento de objetos no mundo do jogo com um simples carregar de um botão. Ika-Ika, por sua vez, permite mudar a gravidade. Akano, permite rodopiar sem fim, útil para alcançar grandes distâncias em voo. Por fim, Kapuna-Wa permite abrandar o tempo.

Mas, nem tudo é bem conseguido nesta nova aventura. Entre os aspectos que menos me convenceram, está certamente a gestão de personagens secundárias. Além de Crash e Coco, é possível jogar alguns níveis com Dingodile, Tawna Bandicoot e Neo Cortex. Fazêmo-lo em mundos especialmente criados para estas personagens, nos quais o estilo de jogo muda drasticamente. Até são bastante divertidos, notem, o problema é que não são muitos e não variam. Talvez para a produtora o número de níveis seja o certo, visto que não são os protagonistas a passá-los. Contudo, em retrospectiva, um maior número destes níveis teria dar um pouco mais de variedade ao jogo.

Ao fim de uns anos em que a técnica também evolui, é óbvio que Crash Bandicoot 4 tira partido das novas consolas. Analisei este jogo numa PlayStation 4 e afirmo que, tecnicamente, é como uma mistura de elementos antigos e novos. Os níveis são todos lineares e raramente oferecem caminhos secundários. Este é um design claramente retro, permitindo à produtora ter um ambiente mais controlado e nunca apresentar descrontorlo no número de objectos ou na distância de renderização. O que, afinal, controla bem possíveis quedas de frames ou falhas gráficas. Contudo, o grafismo em si está bastante em linha com Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, com texturas de alta definição e muitas expressões nas personagens para ajudar a manter a sua linha de humor.

Veredicto

Crash Bandicoot 4: It’s About Time é de longe a “melhor coisa que aconteceu” à série nos últimos 20 anos. Esqueçam o que foi lançado após Crash Bandicoot: Warped. É um capítulo mais maduro, mais completo e mais rico em diversão. As máscaras quânticas representam a principal novidade e por si já bastariam para justificar este jogo. Esta aventura nunca me deixou de surpreender durante as horas que dediquei a jogá-la. Fosse dentro dos níveis individuais ou nos diferentes mundos, há sempre uma nova mecânica de jogo para experimentar. Fiquei rendido. E olhem que sou exigente, tendo “devorado” os originais.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.