Mais infoProdutora: Petroglyph GamesEditora: FuncomLançamento: 29/05/2019Plataformas: Género:

Conan: Unconquered é um jogo de estratégia que tenta reimaginar os RTSs clássicos com alguns elementos modernos. O resultado é um jogo de estratégia em tempo real com elementos de MOBA e de Tower Defense. Tudo isto embrulhado no universo de Conan, o bárbaro.

Se forem como eu, nunca vos passou pela cabeça que Conan viria a ser o protagonista de um jogo de estratégia. Contudo, o conceito do icónico Bárbaro a comandar um exército é uma ideia intrigante, no mínimo. Esta nova abordagem chega-nos pela mão da Petroglyph Games, uma produtora composta por elementos veteranos que ajudaram a definir o género de estratégia no anos 90, nomeadamente na série clássica Command & Conquer. O seu anúncio deixou-me empolgado por causa disto mesmo. Ao contrário de C&C, porém, este título não tem uma campanha propriamente dita. E os masoquistas vão gostar de saber que  os primeiros níveis atiram-nos basicamente “aos lobos”, enquanto ainda estamos a perceber como tudo funciona. Já me estou a adiantar, eu sei…

Há dois modos de abordar este título: Podem jogar a solo, controlando uma só facção ou optar por ter um companheiro ao nosso lado no modo cooperativo. No entanto, como já referi, não há um modo campanha para evoluir de uma lógica de tutorial ou evolutiva. No seu lugar, estão cinco mapas para tentarem a vossa sorte, tendo pelo meio um punhado de tutoriais que não nos “carregam ao colo”. Os primeiros minutos de jogo levam-nos a pensar que estamos diante de um RTS “old-school”, mas as semelhanças ficam-se por aí. A principal diferença é uma fortaleza que não pode ser construída e cuja destruição leva imediatamente ao ecrã de “Game Over”.

Isto porque este não é só um RTS linear. O foco deste título está na defesa da nossa cidade de constantes vagas de inimigos invasores, cada uma mais difícil que a anterior. Não há uma lógica linear para o fazer, apenas uma gestão de recursos e evolução de defesas. No tempo entre estas invasões teremos de explorar o mapa à procura de prémios, construir novos edifícios, erguer novas defesas e estudar novas tecnologias, ao mesmo tempo que recrutamos o nosso exército. É inevitável que o sentimento de urgência se instale para garantir, pelo menos, que existem tropas disponíveis na base para a proteger.

É bem possível que nos primeiros contactos com o jogo a vossa base seja completamente arrasada, para aí quarta onda de inimigos. É que, mesmo num nível “Easy”, que supostamente seria facilitador e que devia explicar como tudo funciona, há uma certa falta de orientação. Tudo melhora, obviamente, quando nos habituamos às mecânicas e ao sistema de economia, enquanto lemos os imensos textos de ajuda para compreender o que as diferentes tecnologias nos dão e quais são as que devemos perseguir primeiro. Embora seja algo frustrante para os recém-chegados, isto também significa que ao fim de umas horas, o jogo se mantém de alguma forma desafiante.

Para serem bem sucedidos nesta epopeia, terão à disposição três recursos básicos: a madeira, os minerais e a comida. Estes, tanto podem ser recolhidos como é habitual, montando uma unidade para esse fim, como angariados em cofres aleatórios. Tal como os outros jogos neste género, os edifícios não estão todos disponíveis de início, sendo necessário fazer pesquisa para os desbloquear ou melhorar. Para construir a torre de ballista, por exemplo, terão de a pesquisar primeiro através das opções de engenharia. Até lá, só terão uma pequena torre de vigia disponível para erguer.

Preparem-se para uma economia bastante exigente. Todas as estruturas e unidades precisam de investimentos de recursos. A nossa expansão está constantemente a drenar os nossos cofres e armazéns. Os mercenários precisam de ser pagos, portanto precisamos de ter sempre ouro disponível. Algumas defesas precisam de bastante madeira, portanto precisamos de ter serrações construídas perto das árvores. Depois, todas as pessoas precisam de comer… já devem ter percebido a ideia. Precisamos de ter sempre atenção ao stock de tudo, ou vamos estar em apuros quando precisarmos reconstruir ou recrutar entre cada invasão.

Num olhar mais atento, posso dizer que os momentos mais delicados são o primeiros minutos de cada nível, porque será necessário antever de onde podem surgir os inimigos para não sermos surpreendidos ao final dos primeiros ataques. Esta tarefa é sempre necessária, visto que os mapas são gerados aleatoriamente e as defesas erguidas previamente são sempre escassas. Enquanto esperam o próximo ataque, recomendo que explorem um pouco o mapa para encontrar recursos e ao mesmo tempo aumentar o nível de experiência do herói e das tropas. Mas, não vão muito longe porque há sempre surpresas na forma de meliantes solitários ou monstros menos simpáticos.

Muitos inimigos super-poderosos me parecem um pouco exagerados. Algumas vagas são demasiado caóticas com inimigos a chegar de todas as direcções para devastar a vossa cidade. Esses inimigos podem ser necromancers, escorpiões, aranhas e cobras gigantes ou até mesmo autênticos titãs. Por vezes o inimigos são tantos que não será possível ver o chão que pisam. Se isso acontecer, é sinal que precisam de mudar de táctica ou irão sofrer uma derrota devastadora. O próprio Conan é uma personagem jogável, um herói com enorme poder e capaz de ataques devastadores. Mas, tal como qualquer herói, funciona melhor quando têm um exército a dar apoio. Aviso-vos para não se focarem apenas no vosso herói.

É que aqui o inimigo não tem propriamente uma base, portanto esqueçam ataques preventivos com Conan a liderar as hordas. E a única forma das vagas serem derrotadas é com as tropas bem alinhadas para defender. Este é o único desafio que o jogo oferece, a sobrevivência em vagas cada vez mais difíceis, por vezes com modificadores perigosos, como a tempestade de areia que nos remove visibilidade no mapa ou um tornado que devasta a base enquanto lutamos. Só que a variedade termina mesmo aí. E rapidamente acaba por cair na monotonia. Seria interessante ter mais modos de jogo ou até mesmo outro tipo de desafios em cada mapa. A única alteração nesta acção é a possibilidade de personalizar as sessões, decidindo o seu tamanho, número de inimigos e recursos. E é só.

Quero destacar alguns detalhes que me parecem interessantes neste género de estratégia. Os cadáveres que se empilham depois de cada batalha, por exemplo, começam a entrar em decomposição ao fim de um tempo, criando doenças que retiram vida às nossas tropas. É uma variável curiosa que nos obriga mesmo a alterar trajectos ou a dividir tropas para evitar contágio. Também o fogo se propaga dentro da nossa cidade, pelo que devemos ter muito cuidado de não juntar muito as estruturas. Estes e outros pequenos detalhes oferecem mais variáveis no desenrolar da missão, mantendo-nos sempre a pensar.

No departamento técnico, por fim, devo dizer que Conan Unconquered não faz jus ao progresso tecnológico que sentimos nestes últimos anos. Fez-me sentir estar a jogar um jogo de Age of Empires ao invés de um título moderno. Talvez fosse essa a intenção da produção, mas parece-me um desaproveitar do hardware moderno. O design dos níveis, os edifícios, as personagens e as suas animações, tudo tem um aspecto que nos faz pensar que o jogo pertence à época passada. O mesmo acontece com os efeitos sonoros. Os nostálgicos talvez gostem deste aspecto retro, mas nem todos irão apreciar a sua simplicidade visual.

Veredicto

As primeiras horas que passei a controlar as tropas em Conan: Unconquered, foram bastante satisfatórias, dentro da sua dificuldade aparente uma curva de aprendizagem algo acentuada. Infelizmente, ao fim de umas horas, senti que o jogo já tinha pouco para me oferecer. A adição de outros modos ou até mesmo uma campanha a sério poderiam ajudar a mitigar este sentimento. É um bom regresso desta equipa de veteranos, traz uma poucas boas ideias para o género mas, precisa de ser mais apurado visualmente e de ter mais conteúdo para nos entreter. Tal como está, é escasso, mesmo jogando no modo cooperativo e com a promessa de DLC.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.