Mais infoProdutora: Petroglyph GamesEditora: Electronic ArtsLançamento: 05/06/2020Plataformas: Género:

Anunciada em 2018, esta colecção chega finalmente às nossas mãos. Traz de volta dois dos jogos mais icónicos dos anos 90, Tiberian Dawn e Red Alert, completos com as suas três expansões e missões exclusivas das consolas. A produção ficou a cargo da Petroglyph Games, uma produtora composta por muitos veteranos que nos trouxeram esta série há mais de 20 anos.

Os anos 90 podem ser comparados a um “copo meio cheio e meio vazio”. Surgiram nesta era grandes obras de arte mas também outras criações que não conseguiram chegar a esse patamar. Mas, uma coisa temos a certeza: foi a época de ouro para os jogos de estratégia em tempo real ou RTS como são normalmente conhecidos. Esse rótulo é normalmente associado ao nome Westwood Studios, uma produtora histórica que teve a brilhante ideia de mudar o género de Dune II (1992), passando do género de aventura para a estratégia. No entanto, o seu grande sucesso chegou com Command & Conquer: Tiberian Dawn e Command & Conquer: Red Alert. Excelente grafismo (para a altura) e mecânicas muito mais aprimoradas, estes são os dois jogos, que vamos hoje analisar, revisitados graças a uma versão remasterizada feita pela produtora que nasceu das cinzas da própria Westwood.

Antes mesmo de ser um jogo, Command & Conquer: Remastered Collection é um verdadeiro pedaço de História. O trabalho da produtora Petroglyph, certamente, não é a primeira operação de nostalgia e segue a mesma onda das remasterizações feitas em StarCraft e Age of Empires, que já analisámos por aqui. No entanto, há uma clara diferença aqui. Se esses títulos mencionados nunca realmente desapareceram dos radares graças aos eSports e aos modders, o paradeiro do primeiro Command & Conquer perdeu-se no tempo. Estamos a falar de dois títulos que chegaram em 1995 e 1996, mas que desapareceream dos “radares”. Por isso, colocar as mãos nesta coleção é equivalente a embarcar numa jornada para outro tempo, quando a ideia de um jogo seguia outros esquemas e regras.

O exemplo mais marcante são as famosas cenas de FMV (Full Motion Video). A luta entre a Global Defense Initiative e a NOD Brotherhood contada em Tiberian Dawn e a Guerra Fria alternativa que acompanha as missões de Red Alert, são narradas principalmente através de vídeos gravados com actores de carne e osso, um formato algo vulgar na época, perdido nos dias de hoje. Pode parecer quase cómico vermos essas cenas nos dias de hoje. De facto, agora em HD, já não funciona tão bem. É difícil não esboçar um sorriso diante dos rostos dos famosos Kane ou Sheppard que, mesmo com melhorias, realmente datados, tanto pela interpretação, como pelo modo como os tópicos são tratados.

No que toca ao resto, porém, há melhores notícias. Estes dois títulos históricos são ressuscitados com grafismo completamente renovado e capazes de suportar as resoluções mais amplas, como 4K. Este é também um pacote que inclui as campanhas originais, todas as missões adicionais oficiais publicadas para ambos, com a adição das missões que foram feitas especificamente para as consolas (incluindo os seus FMVs). Podemos chamar-lhe o “pacote definitivo” do primeiro Command & Conquer, onde até os vídeos foram remasterizados em alta definição e nem o modo multi-jogador foi esquecido.

Para aqueles que não sabem do que estamos a falar, Command & Conquer é um clássico título de estratégia em tempo real em todos os sentidos. Foram estes títulos que aprimoraram a famosa fórmula “construir a base, acumular recursos, treinar tropas e destruir o inimigo”. Estes dois títulos podem ser jogados com as duas facções dos respectivos títulos. Totalizam mais de cem missões, isto apenas das campanhas originais e sem contarmos com as missões das expansões e as restantes adicionais presentes apenas nas consolas.

O cenário de Command & Conquer passa-se num futuro alternativo, no qual uma substância alienígena misteriosa chamada de Tiberium se desenvolveu na Terra. O desejo de a obter, desencadeia uma guerra mundial entre a GDI (Global Defense Initiative) e a mítica Brotherhood of Nod, uma espécie de seita terrorista liderada por Kane, um líder carismático e misterioso. Imaginem o enredo da mítica série Dune, mas adaptem-no à Terra e num tom mais belicista. É mais ou menos isso.

Por seu lado, a história de Command & Conquer: Red Alert é um pouco mais original. Retrata um futuro alternativo no qual a União Soviética foi capaz de se expandir sem perturbações na Europa. Pelo meio, o improvável cientista Albert Einstein consegue matar Adolf Hitler, com a ajuda de uma máquina do tempo criada por si. A partir daqui, eclodiu uma nova guerra mundial, que vê o império russo recém-nascido de um lado e uma aliança formada pelos EUA, Grã-Bretanha e outras nações do mundo.

Os dois jogos devem ser (re)conhecidos pela maioria, pois estão sedimentados no género em questão. Julgá-los com os padrões modernos de hoje não faz muito sentido, a menos que se faça a pergunta inútil: “como é que envelheceram?” De um ponto de vista mais amplo, essa pergunta faz sentido para discussões entre amigos mas não para uma análise séria do papel histórico desempenhado por dois títulos tão importantes, especialmente no caso do primeiro jogo, um clássico incontornável.

O que podemos fazer, no entanto, é avaliar o trabalho desta remasterização, bem como o seu significado na integridade da oferta. Se olharmos desse ponto de vista, Command & Conquer: Remastered Collection é praticamente perfeita, porque respeita profundamente os jogos originais incluindo-os no pacote, ao mesmo tempo que permite padrões mais modernos, como uma revisão completa do sistema de controlo (opcional) e um aspecto visual mais definido e digerível, embora jogar a versão original com todos os seus pixeis não é de todo a pior coisa do mundo. Nesta modernização, todas as unidades e estruturas foram redesenhadas e enriquecidas com novas animações mas são fiéis ao design original.

O trabalho de remasterização é, de facto, notável e abrange apenas uma pequena parte dos vários elementos que compões estes títulos, aprimorando-os. Para além dos já mencionados FMVs adaptados às resoluções modernas, também a voz da EVA, a entidade omnipresente que nos acompanha em cada missão, foi regravada do zero. Além deste trabalho de restauro, esses pequenos trabalhos não alteraram o guião, os diálogos e nem sequer o espírito ou o estilo de jogo. Para todos os efeitos, embora mais polido, é exatamente o mesmo jogo com que os “generais de teclado e rato” cresceram.

É bastante perceptível que a Petroglyph evitou mudanças radicais na sua remasterização. No grafismo, por exemplo, foi adicionada a possibilidade de fazer zoom e também actualizaram a resolução para os monitores modernos. Assim, com maior definição, também foi preciso melhorar as animações, mantendo-se sempre fieis ao querido formato 2D. O melhor é que basta pressionar a barra de espaços para observar o abismo que separa a resolução original de 320×200 do original para o actual UHD 4K (3840×2160).

Não há dúvida que estamos perante um projecto de carinho, apontado aos nostálgicos. Os que não são fãs do género, ou aqueles que não conhecem os originais, dificilmente irão apreciar esta revisita, admito. Até porque muitas das novidades apontam precisamente na ampliação da memória da experiência original, em vez de modernizá-la. Pelo menos, acreditamos que foi isso que motivou a inclusão de galerias ricas com material inédito de making of (ao todo, são quatro horas de conteúdo) e a busca pela fidelidade até nos mínimos detalhes, incluindo a banda sonora, também ela remasterizada.

Veredicto

Command & Conquer: Remastered Collection atinge o auge do efeito nostalgia e traz de volta as melhores lembranças daqueles que cresceram na era de ouro dos jogos de estratégia em tempo real. Estamos perante uma remasterização que mantém-se o mais fiel possível aos jogos originais, dando-lhe apenas uma actualização de grafismo e um sistema de controlo mais adequado para a época actual. Adiciona, ainda, o equivalente a quatro horas de extras, com o making of original, enquanto ressuscita o modo multi-jogador. Não é um jogo moderno, mas é um clássico renascido, sem dúvida.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.