Mais infoProdutora: London StudioEditora: Sony Interactive EntertainmentLançamento: 29/05/2019Plataformas: , Género:

Depois de nos mostrar como se cria um jogo de acção com o PlayStation VR, o London Studio regressa com o tão esperado e promissor Blood & Truth. Este promete ser a derradeira experiência de acção imersiva na PS4 recorrendo à realidade virtual.

Há quase três anos, analisámos o pacote de jogos de estreia do PSVR, o PlayStation VR Worlds que visava demonstrar as capacidades do dispositivo de Realidade Virtual da PlayStation. Na sua essência, era uma colectânea de demonstrações que mostravam o que era possível com este equipamento a estrear nessa altura. Entre os vários jogos mais ou menos interessante, houve um que se destacou: The London Heist. Até agora, este foi uma das melhores experiências VR. E estávamos ansiosos para conhecer este outro sucessor espiritual do mesmo estúdio.

De acordo com a própria produtora, Blood & Truth é uma “declaração de amor” aos filmes de acção, aqueles que têm cenas de grande coreografia sensacionalista, e em que o terrorismo e os mafiosos são alvo a abater. No centro dos eventos está Ryan Maks, um ex-soldado das forças especiais Inglesas e que regressa da guerra para o funeral do seu pai. Acontece que na sua ausência, a família de Ryan envolveu-se no crime. E não demora muito tempo até que um grupo rival decide tentar assumir o controlo do império. Com este tumulto, Ryan vê-se obrigado a intervir e usar a sua mestria bélica.

Assim começa a nossa aventura pelas ruas de Londres. Esta é uma daquelas aventuras que não queremos dar grandes detalhes de como se desenrola porque merece ser jogada. Mesmo não possuindo uma narrativa brilhante, a forma como toda o enredo é contado mantém-nos envolvidos e em suspense. Isso deve-se maioritariamente ao facto de todos os acontecimentos serem contados pelos próprios olhos do protagonista e não por cenas intermédias. No fundo, é o tal filme de acção, connosco “lá dentro”.

Em termos de jogabilidade, se já experimentaram The London Heist já devem ter uma boa ideia do que vos espera. Este é um típico track shooter, onde os tiroteios ocupam uma grande percentagem do jogo. Recomendo que joguem com dois comandos PlayStation Move. Só assim a experiência se torna incrivelmente imersiva, imitando todos os gestos e premir de gatilhos. Só tive pena de não poder usar o PS Aim Controller mas a lógica dos PS Move funciona muito bem, mesmo assim, até mesmo com armas maiores.

Para usar as armas, basta aproximar a mão de onde estão, seja no coldre ou nas costas e carregar no botão para as sacar. Também temos de agarrar e atirar as granadas antes que expludam na nossa mão. Podem usar apenas uma mão para a arma e outra para a granada ou então usar ambas as mãos para melhorar a precisão. São pormenores que foram todos pensados até ao mais pequeno detalhe. Durante os tiroteios, é possível deslocar-nos entre as várias coberturas olhando para elas e carregando num botão. Assim podemos retorquir fogo com cobertura. Depois, é só espreitar ou inclinar-nos com a ajuda do próprio corpo, para ter um melhor ângulo e premir os gatilhos.

As mecânicas, como podem ver, são de um clássico First Person Shooter. Mas, a combinação do PS VR com os PS Move tornam tudo mais divertido e fazem-nos sentir como autênticos John Wick. Quando não estamos no meio de tiroteios, o protagonista move-se sozinho e o jogador só precisa de fazer alguns gestos no tempo certo para continuar a aventura. Por exemplo, ao subir escadas precisamos de “segurar” cada um dos degraus e o mesmo acontece ao escalar andaimes. Temos de ter atenção de não largar ambas as mãos ou teremos um fim trágico.

No total, esta aventura demorou-me cerca de 6 horas para concluir. E, para dizer a verdade, achei que esta era a longevidade certa. Mais tempo em jogo e iria cair na monotonia, confesso. De qualquer modo, podemos sempre voltar a jogar tudo para encontrar mais segredos escondidos pelos níveis. E após a conclusão do enredo principal, são desbloqueadas algumas actividades secundárias, como os desafios cronometrados. A produção prometeu ainda um New Game+ e um nível de dificuldade mais alto em futuras actualizações. Por isso, antevejo voltar algumas vezes a este título.

No aspecto técnico, torna-se claro que Blood & Truth pertence a uma fase mais madura da tecnologia em volta do PlayStation VR. Mesmo que a nossa análise tenha sido feita numa PlayStation 4 normal, o jogo atinge facilmente o melhor grafismo que já vimos para este periférico. Ainda há o típico desfoque do campo de visão que não gosto, mas é só essa pequena questão de optimização que considero notória. De resto, o jogo é bastante competente a nível visual. Todas as personagens e animações são exemplares e mostram como os títulos optimizados para o PS VR têm vindo a evoluir em termos de qualidade.

Este nível de qualidade também é transposto para o áudio. A sonoridade cumpre as expectativas, acompanhando a acção com bons efeitos sonoros e com uma boa selecção de música para pautar o ritmo. Só não esperem desejar ouvir essas músicas fora do jogo. Tal como os filmes de acção, ao fim de um tempo já não são assim tão interessantes. Mas, hey… quem é que consegue trautear a banda-sonora do True Lies? Ou dos Expendables? Pois é, “esquecível”. Até aqui este jogo não esquece as suas influências do cinema.

Veredicto

Blood & Truth mostra como a oferta de títulos para o PlayStation VR deixou de ser tão experimental, para nos dar uma experiência mais sólida. Graças a uma excelente combinação entre o dispositivo VR e os comandos PS Move, o London Studio conseguiu criar uma experiência imersiva, envolvente e com a credibilidade necessária para nos colocar dentro da sua trama. Em suma, é um título que recomendo a todos os possuidores de PlayStation VR. Não tenta revigorar o género de acção, mas até inova na forma como conta a sua história e nos entretém por umas horas. E neste mundo de realidade virtual, é só mesmo isso que interessa, na realidade.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.