Mais infoProdutora: SCS SoftwareEditora: SCS SoftwareLançamento: 02/02/2016Plataformas: Género:

Ao longo da sua vida longa e cheia de milhas, American Truck Simulator tem vindo a adicionar mais estados para percorrer neste vasto país. Ainda não é possível atravessar os Estados Unidos de costa a costa, mas para lá caminhamos. E o Utah está no caminho.

“Encaixado” entre o Nevada e o Colorado, o estado de Utah é principalmente conhecido pelos seus famosos canyons e desertos. Contudo, o Utah é também famoso por ser a capital da religião Mórmon e também pela sua vibrante cidade de Salt Lake City. A sua arquitectura única e imensos poços de petróleo são também pontos de destaque interessantes. Como não somos guias turísticos, não vos estou a convidar a visitar este estado na vida real. Convido, isso sim, a subir ao camião para trilhar pelas suas estradas nesta nova expansão.

Se tiver de comparar, diria que este Utah é muito semelhante ao Nevada que já temos no jogo, pelo menos em termos de paleta de cores, com os óbvios desertos mais dominantes. Contudo, as paisagens rochosas são uma adição curiosa ao horizonte, com a SCS Software a estrear uma nova ferramenta interna de modelação do cenário que permite formações rochosas bem mais realistas. Nesta expansão a produção também estreia novos cais de empresas e mais opções de carga. Além disso, empresas e cargas já existentes tiveram algum trabalho adicional, com melhorias nos stands de automóveis, mais carga pesada e também novos armazéns e lojas.

Ao todo, temos cerca de 3500 milhas de novas estradas e intersecções, que ligam mais 10 novas cidades principais e outras localidades. Como novas indústrias, contem com novos serviços para empresas de minagem e pedreiras, assim como de produção agrícola. Não poderia faltar o famoso Monument Valley e muitas outras atracções turísticas e pontos de interesse, assim como famosas paragens de camiões. Em termos de riqueza de conteúdo, aliado ao constante trabalho da produção de povoar todos os mapas com mais “vida” de tráfego e pessoas, esta é mais uma adição de qualidade ao jogo, sem dúvida.

O intuito, como sempre em cada nova expansão, é também dar mais ao jogo. Torna-se um pouco complicado justificar o investimento em tantos DLCs ao fim de um tempo, admito, sobretudo se o objectivo é só adicionar uma nova região. Ainda assim, acho que é preciso que traga algo novo à oferta original. E, aí, a SCS até justifica o investimento… bom, de certa forma. É importante que estes DLCs não se resumam apenas a expandir território e confesso que estas novidades acima não são assim muito entusiasmantes. Nesta fase, seria bom termos mais modelos de camiões, assim como mais licenças de marcas dos mesmos. Embora possamos sempre apostar nos Mods, não creio serem solução para tudo.

Nesta altura, a quase quatro anos do seu lançamento, American Truck Simulator está a entrar numa inevitável “velocidade de cruzeiro”. Estes pacotes de conteúdo pago servem, sobretudo, para continuar o investimento de completar essa tarefa gigante de recriar todos os estados dos EUA numa escala reduzida. É praticamente o mesmo que é esperado do seu “irmão” Euro Truck Simulator 2. Não tenho nada contra essa lógica, se justifica o futuro da SCS e destas séries. E os pacotes nem são assim tão caros (14,99€) para se falar em “abusos” de valores. Ainda assim, ATS continua com problemas crónicos de optimização que este DLC, diga-se não ajuda muito com tanto detalhe nos canyons e, sim, tenho de me repetir para dizer que precisamos de mais camiões para diversificar a oferta.

Veredicto

Enquanto que as duas expansões anteriores trouxeram reais novidades na jogabilidade e no conteúdo, o Utah parece-me mais um “cumprimento de calendário” para American Truck Simulator. Serve o propósito de expandir território e dar-nos mais milhas para “trabalhar”. Ainda assim, penso que não adiciona nada de francamente inovador, com excepção de novos trabalhos e algumas adições de lógicas nos mesmos, como os novos cais ou as alterações em alguns edifícios de empresas. Não chega, quanto a mim. Ainda temos alguns problemas de optimização e a oferta ainda está um pouco estagnada ao fim deste tempo. Como é que se podia inovar? Para começar, mais camiões…

[Actualização DLC “Washington” de 17 de Junho de 2019]

Já passámos pelo Novo México e pelo Oregon desde que começámos a trilhar quilómetros, perdão, milhas em American Truck Simulator. Tal como acontece com o seu “irmão” Europeu, este simulador de camionagem está lentamente a preencher o território que pretende reproduzir. Desta vez, vamos ao verdejante estado de Washington.

O que a SCS Software está a criar com American Truck Simulator é só mais um fenómeno de popularidade. Tudo bem, Euro Truck Simulator 2 é e continuará a ser o mais popular de todos os simuladores de camionagem, até porque é uma sequela de um outro título igualmente popular. Contudo, na sua variante Norte-Americana, este simulador tem um enorme potencial: o seu vasto território tão distinto. Já passámos por cidades costeiras  cheias de sol, depois andámos pelos desertos e zonas rochosas e agora andamos pelas zonas verdejantes da costa Oeste. A Europa tem o seu encanto, com cada país a ter o seu próprio apelo. Mas, viajar pelos estados Americanos é uma experiência única. E mal posso esperar fazer uma viagem costa-a-costa, de preferência no que resta da famosa Route 66.

O Estado de Washington. Se lermos a sua descrição, parece-nos francamente semelhante ao Oregon para dizer a verdade. Sendo estados vizinhos, é normal que partilhem as zonas verdes florestais e também as cidades energéticas. Neste estado, está situada a famosa cidade de Seattle, por exemplo. E é óbvio que uma das zonas mais famosas é mesmo a mítica fábrica da Boeing em Everett. Quando este DLC foi anunciado, fiquei entusiasmado com a ideia de poder carregar peças de avião para o mítico Boeing Field, aproveitando o DLC de “Special Transport” que nos permite levar carga extra-larga com escolta policial e tudo.

Contudo, Washington não é só composto de cidades. Tal como em Oregon, também temos largas e densas zonas de florestas, que também alimentam uma rica indústria madeireira. Apropriadamente, com esta expansão também se estreia o pacote “Forest Machinery” que nos permite carregar máquinas e veículos desta indústria florestal. Depois temos imensas zonas fantásticas, desde pequenas vilas pitorescas, vastas paragens de camiões (truck stops), quintas e outros locais com trabalhos de entrega para executar. Só tenho mesmo pena que a fronteira com o Canadá nos impeça de a transpor. Talvez para uma próxima expansão no futuro.

No fundo, é para isto que servem as expansões de território de American Truck Simulator, dar-nos mais áreas para percorrer e mais trabalhos para executar. Não se pode pedir mesmo mais nada destes DLCs. O título da SCS é, já de si, robusto quanto baste, com conteúdo de qualidade e uma simulação credível de camiões e das suas actividades. Por esta altura, ATS tem já diversos camiões personalizáveis de três marcas e vários modelos. Tem também um recente add-on de trailers igualmente personalizáveis. Tudo no jogo base, que só é expandido em cada DLC no tipo de carga e de trabalhos disponíveis.

A carreira de condutor e gestor de empresa de camionagem também tem vindo a expandir-se, com diversas adições de trabalhos cada vez mais diversificados e com o seu nível de dificuldade. E no plano técnico, ATS, tal como ETS2, tem vindo a ser melhorado e aperfeiçoado a cada actualização de título. Depois é o rigor visual que cada novo DLC no traz. Basta olhar para as imagens de promoção que partilho aqui e entendem o que digo. Embora nem tudo seja francamente fiel à realidade, as empresas são fictícias, assim com alguns edifícios mais “comerciais” (em vez de Boeing, temos “Darwing”, por exemplo), quebram um pouco a imersão. Mas, nada que uns quantos mods não resolvam, já sabem.

Vamos ao conteúdo, que é isso que nos interessa. Ao todo, a SCS recriou mais de 3800 milhas (mais de 6100 km) de estrada e cenário circundante. Nesse cenário, vão encontrar 16 cidades, entre elas as já mencionadas Seattle e Everett, mas também Vancouver, Tacoma, Spokane e muitas outras recriadas, já sabem, numa escala menor. Além disto, encontrarão dezenas de pontes, paragens e pontos de interesse únicos da região. Por exemplo, o Ferry de Port Townsend, a ponte suspensa de Everett, a barragem de Grand Coulee ou as icónicas montanhas de Mount Sr. Helen e Mr. Rainier.

Em termos de trabalhos para a nossa empresa de camionagem, nada como novas propostas específicas. Dada a grande actividade da indústria marítima de lazer, teremos inúmeros trabalhos de reboque de barcos e veleiros. E nas quintas há também muito transporte específico para esta indústria de agricultura e pecuária. Obviamente, procurei um trabalho para ir a Everett, para levar uma fuselagem de helicóptero à Boeing (perdão, “Darwing”) e também andei pelo interior a entregar madeira e equipamento em estradas desafiantes e algo estreitas para o meu camião de várias toneladas. Um contraste bem vindo.

Veredicto

Califórnia, Nevada, Arizona, Novo México, Oregon e agora Washington, muita estrada para percorrer. A minha principal questão com American Truck Simulator é que tenho de dividir o meu tempo na gestão da outra empresa que tenho em Euro Truck Simulator 2.  O que diz muito da qualidade do trabalho da SCS Software neste dois jogos. São simuladores com vastas horas para desfrutar, com um preço nada caro no simulador base e mesmo estas vastas expansões têm também um preço simpático. Algo raro, numa era em que cada DLC tem quase o custo de um jogo final.

[Actualização DLC “Oregon” de 11 de Outubro de 2018]

Depois do Novo México (em baixo), vamos agora para o Oregon em American Truck Simulator. O chamado “Estado dos Castores” é vizinho a norte da Califórnia e traz consigo paisagens bem mais rústicas para trilhar com o vosso camião.

Se há algo que pode não reunir muitos fãs, é esta cadência de criação dos Estados Americanos. A equipa da SCS Software não é assim tão grande que consiga trazer mais conteúdo mais rapidamente. Por outro lado, a lógica de pagarmos por cada novo Estado, sem haver um passe de época, por exemplo, torna-se algo dispendioso. A espera é longa e, se fizermos as contas a cada Estado adicionado mais o jogo base, o hobby pode sair caro. Contudo, estes DLC são perfeitamente opcionais, podendo jogar pelas duas regiões originais do jogo base, já com muitas horas de jogo. E também podem sempre esperar por uma versão final futura com todos os DLCs em bundle. Resta saber quanto tempo isso demorará.

O Estado do Oregon é um misto de cidades agitadas, como Portland ou Salem, com densas áreas florestais e zonas e vastos desertos. Na verdade, 60% do Estado é composto por florestas que depois alimentam o importante negócio da madeira da região. Trilhando pelas suas estradas, estão também diversos rios e lagos que também constituem uma importante componente comercial do Estado e nos dão imensas pontes para cruzar. É o 9º maior estado dos EUA, com uma população de 4 milhões de habitantes, maioritariamente concentrada nas cidades e vilas.

Lições de geografia à parte, é preciso que este novo destino traga algo de novo ao jogo. Obviamente, a qualidade de um DLC é dependente da jogabilidade do jogo base. E, sobre ela, já falámos na análise original. Já sabem que gosto de voltar ao volante destas bestas mecânicas, por isso, não é difícil para mim apreciar mais uma região para navegar. Contudo, tirando as novas paisagens para arregalar o olho e os novos pontos de interesse para visitar, o que um novo território acrescenta é, para todos os efeitos, mais quilómetros (ou milhas) para aumentar a longevidade.

E mais território temos. São mais de 5000 milhas para navegar, que incluem uma boa quantidade das principais estradas recriadas, 14 das maiores cidades criadas em escala reduzida, como as já mencionadas Portland ou Salem, contando também com diversos pontos de interesse, como o Monte Hood, Thor’s Well, Crater Lake, Crooked River Valley, Yaquina Head Lighthouse ou Youngs Bay Bridge. Também contam com novos 25 ramais de estradas, 13 novas zonas de descanso e paragem para os camiões e inúmeras zonas de descanso menores e motéis. Tudo isto criado com mais de 700 novos itens personalizados.

Em jogo, também temos 17 novas empresas sediadas neste Estado e não só, incluindo os seus cais de carga. Como sempre, poderão trabalhar com estas empresas embebidas nas demais já contidas no jogo. Esta expansão de empresas fictícias visa dar mais variedade à oferta de trabalhos e também à carga disponível. Obviamente, muitas destas novas ofertas de trabalho passarão por carregar troncos entre madeireiros e serrações. O que permite dar uso aos nossos próprios reboques que, desde há uns tempos, podemos comprar em paralelo com os camiões e explorar como plataforma de aluguer.

E é isto. Mais um mapa, mais território para cobrir, mais trabalhos para fazer e mais cidades para explorar. Embora os fãs mantenham o seu pedido de expansão da jogabilidade, nomeadamente de mais marcas ou modelos camiões, a SCS continua a sua senda de expandir território. Ainda assim, a jogabilidade tem vindo a ser alargada a conta-gotas entre estes projectos, como no caso dos novos trailers que podemos comprar e explorar. Só que essa adição de conteúdo veio com a actualização 1.32 e não com o DLC, ou seja, foi gratuita. O que nos leva ao Oregon, portanto, é apenas o nosso desejo de ir mais longe e por mais tempo.

Quanto ao visual, sim, de facto as novas paisagens são arrebatadoras. Gostei de realizar um trabalho de transporte de madeira que me fez atravessar todo o Estado de ponta a ponta, desde Medford até Pendleton. Deu-me um perfeito vislumbre do tal contraste entre cidade, floresta e até pude ver o deserto por algumas milhas. E, sim, as muitas pontes de Oregon também dão alguma variedade de cenário, sobretudo perto das cidades. American Truck Simulator sempre teve óptimo aspecto. Não é com neste DLC que ficarão surpreendidos, como devem calcular. Contudo, serão dos mais belos cenários que vão contemplar, sobretudo depois do árido Novo México.

Veredicto

Como sempre, voltar ao volante de American Truck Simulator é sempre um prazer. Há qualquer coisa de convidativo nas longas rectas dos EUA. O Oregon é mesmo um Estado de contrastes, onde meia dúzia de milhas nos fazem transitar entre paisagens bastante diferentes. Contudo, não adiciona nada realmente diferente ao jogo, excepto mais milhas e mais locais de destino. Como, aliás, são todos os DLC deste título. São expansões de território, cujo objectivo é, um dia, cobrir todos os EUA. Por mais tempo que isso leve a realizar. O que, a este ritmo, ainda vai demorar um pouco…

[Actualização DLC “New Mexico” de 23 de Novembro de 2017]

Já lá vai um tempo desde que subíamos à cabine do nosso camião. Da última vez, fomos até França no nosso colosso Europeu. Agora, American Truck Simulator leva-nos até às paisagens arrebatadoras do Novo México, numa expansão realmente grandiosa.

Depois de ter aumentado a escala dos mapas deste simulador, a SCS Software virou-se para os DLCs de expansão de território. Contudo, apesar da primeira expansão de mapa do Arizona ter sido inteiramente gratuita para os jogadores, este Novo México é a primeira expansão paga para o jogo, além de uns pacotes decorativos. O que, para um jogo lançado no início do ano passado até é aceitável, tendo um preço até simpático e acessível. Obviamente que, ter um novo território é perfeitamente opcional, uma vez que o jogo base tem já uma considerável quilometragem para conduzir. Contudo, ao aumentar a sua dimensão, também aumentamos a quantidade de trabalhos e horas de jogo. E todos os pretextos para voltar à estrada são válidos, como é óbvio.

O que atrai tanta gente a sentar-se atrás de um volante virtual durante horas a fazer quilómetros de transporte de carga? Cada jogador terá a sua justificação. Para mim é um momento até terapêutico, excelente para pausar a acção de outros jogos mais exigentes. Obviamente que, quem não gosta de conduzir sem competição ou velocidade vai odiar este tipo de simulador. Contudo, há todo um jogo de gestão financeira por detrás, sem esquecer o desafio da condução em condições mais complexas, com chuva, de noite, com tráfego mais elevado ou com obstáculos, sem esquecer a técnica envolvida na manobra e estacionamento de atrelados. Não tem a adrenalina de jogos de corridas, mas há aqui qualquer coisa de desafiante em entregar as encomendas intactas e no tempo certo.

O Novo México ou a “Terra de Encanto” como é conhecido este Estado Norte-Americano, é um destino incrivelmente diversificado. O cenário típico da região possui áreas desertas mas também diversas paisagens rochosas e zonas verdes. Estas áreas são sempre cortadas por extensas estradas, na sua maioria vastas rectas a perder de vista. Neste DLC poderão visitar muitas áreas interessantes, desde Rio Grande, até à Floresta Nacional de Carson, o famoso Baylor Peak e a famosa Pyramid Rock. Pelo meio, há 14 cidades e povoações devidamente modeladas (sim, podem visitar a mítica cidade de Roswell para procurar ETs), com um bom nível de detalhe de modelos e texturas, aproveitando o excelente motor gráfico do jogo.

São mais de 4000 milhas de estrada para percorrer, neste que é o quinto maior Estado dos EUA. O que significa que há mais uma quantas paragens para descanso, postos de gasolina, concessionários, garagens e muito mais. Mas, para nos dar mais trabalho, também é preciso que tenhamos mais tarefas. Foram adicionadas mais oito novas empresas com as mais diversas ofertas de trabalho de transporte. Não há muitas diferenças no tipo de transporte com este DLC mas, pelo menos, não nos aparece a mesma tarefa ou carga de forma tão repetida. Os mais interessados em completar os seus jogos, também gostarão de saber que há novos achievements para desbloquear.

Obviamente que muitos se perguntarão porque é que a SCS lança um território como DLC e não o inclui como parte do jogo base. Não preciso explicar o processo complexo de replicar um território tão vasto em videojogo, mesmo que não esteja à escala real. Por outro lado, os jogos na plataforma Steam, costumam baixar de preço várias vezes. Assim, um DLC que custa cerca de 12€, para um jogo base que custa 20€, não parece um investimento assim tão avultado. Por outro lado, financiar a produção desta forma, garante que, tal como está a acontecer com Euro Truck Simulator, teremos no futuro todo o território dos EUA coberto. E eu ainda quero percorrer este país “coast to coast”.

Veredicto

Depois da Califórnia e do Nevada do jogo base, além da expansão gratuita do Arizona, há mais umas quantas razões para voltar à estrada em American Truck Simulator. São muitas milhas e muitos novos pontos de interesse para abordar, mantendo toda a qualidade que este jogo já nos garantiu ao longo dos últimos meses. Apesar de não trazer muita coisa realmente nova, este Novo México oferece a óbvia expansão de território, repleto de pormenores interessante e que ampliam as horas de jogo e a motivação para expandirmos a nossa empresa de camionagem. E, não… não encontrámos nada de estranho em Roswell, infelizmente.

[Análise Original de 12 de Fevereiro de 2016]

“Não é condução, é camionagem!” É esta a frase que serve de promoção ao género que hoje analiso para vocês. É também a frase que constantemente uso para explicar o que está por detrás deste tipo de Simulação. Mais que um jogo de condução, American Truck Simulator pertence a uma classe muito própria de simuladores. Prontos para a estrada?

O meu primeiro contacto com este tipo de simulação foi exactamente com esta série da SCS Software. Euro Truck Simulator de 2008 foi um fenómeno de vendas, seguido de diversas expansões e uma sequela de ainda maior sucesso com Euro Truck Simulator 2 lançado em 2013 a atingir 3.5 milhões de unidades vendidas até Dezembro do ano passado. Um feito para um jogo Indie de um pequeno estúdio Checo. O que está, então, por detrás do sucesso destes simuladores e o que é que este novo título virado para os “Estates” traz como novidade para justificar o reacender do interesse? Apertem os cintos… a sério, apertem que eu ainda não sei bem manobrar estes monstros!

Imaginem este cenário. O vosso PC de topo, todo artilhado com hardware de topo, pronto para jogar os melhores títulos de RPG, FPS ou mesmo um fantástico volante para aqueles simuladores de condução exigentes para fazer slides em curvas apertadas. Agora imaginem que no ecrã está um tablier de um camião TIR com estrada a perder de vista ao som de música country. Foi neste contexto que se aproximaram de mim com a pergunta “Porque estás a jogar isto?”

Ora bem. Tal como os jogos anteriores, American Truck Simulator é um pouco mais que um videojogo. Já me conhecem e sabem que sou “o tipo dos simuladores” aqui no WASD. E um simulador não é bem um jogo, mas uma reprodução de algum sistema, equipamento, software ou hardware. Neste caso, é um hardware bem pesado, mesmo. Conduzir estas bestas metálicas a velocidades estonteantes perto dos 100 km por hora em autoestradas enormes ou a fazer manobras para estacionar atrelados de 15 metros tem algo de “zen” pelo meio. Estacionem o camião na beira do deserto do Nevada durante o pôr-do-sol, ao som de Dire Straits e enquanto começa a chover… pode ser que tenham um daqueles momentos de reflexão que vão desde “qual o significado da vida?” a “Que raio estou eu a fazer aqui?”

Perguntas existenciais à parte, este jogo convida-nos a viver a vida de uma empresa de camionagem, começando como condutor e passando depois pela gestão de frotas, empregados, sedes e rede de transporte de carga. É uma mistura de simulador com arcada (já explico melhor), ao mesmo tempo que temos uma espécie de gestão e algum Role Play pelo meio. Entre empréstimos bancários para comprar um camião novo, gastos com gasolina ou multas, rendimento por quilómetro (ou milha) de modo a manter a empresa no lucro, esta série de simuladores de camionagem suga-nos horas sem darmos por isso.

Para nos fazermos à estrada, temos um menu onde podemos escolher missões rápidas usando camiões emprestados ou, se comprarmos o nosso próprio camião, missões bem mais desafiantes e específicas, que aumentam de dificuldade e distância com a nossa progressão de carreira. Há missões de transporte de todo o tipo de carga, desde máquinas industriais a químicos perigosos que convém conduzir com prudência. Depois de escolhida a missão, é só seguir o prático e omnipresente GPS que garante que chegamos ao destino de forma correcta e no tempo designado.

Convém mencionar que no caso das missões rápidas, as únicas disponíveis até comprarem o primeiro camião, os veículos são emprestados e estão atestados para a viagem. Além disso, o camião está sempre já pronto a partir e a nossa personagem descansa sempre entre cada trabalho. No caso das demais missões, além do camião precisar de ir buscar o atrelado na origem do contrato, temos de gerir o combustível, a reparação de danos e a fadiga. Adormeçam ao volante e, na melhor das hipóteses ignoram o limite de velocidade e apanham uma multa. Ou então acabam numa valeta e danificam o camião. É melhor parar nos estacionamentos próprios e dormir algumas horas.

E não pensem que conduzir estes colossos lentos é fácil. Na verdade, é um processo algo moroso de aprendizagem. Não estou a falar de viajar em linha recta a manter velocidades (até cruise control tem). Estou mesmo a falar de fazer manobras com estas máquinas complexas que tem uma caixa de velocidades com muitas engrenagens, dimensão considerável e… um eixo no meio. A lógica de estacionar um reboque em marcha-atrás é uma arte por si só. É um processo que vão demorar várias horas de frustração a dominar. E mesmo a condução em estrada em si até pode ser desafiante se desactivarem todas as ajudas e entenderem usar embraiagem, hidráulica e pneumáticos como na realidade. E notem que depois de algumas horas a ir de cidade para cidade, a paciência para lidar com essa complexidade foge rapidamente.

Sim, leram bem. São horas na condução entre cidades. Mesmo! Ok… não é bem assim. Além das distâncias estarem comprimidas (as estradas não estão à escala real), a duração das viagens é comprimida para uma lógica de videojogo. A rede de autoestradas e ruas nas cidades estão “semelhantes” à realidade, mas bem mais pequenas em extensão. Algumas áreas estão mesmo cortadas à circulação, mantendo apenas as vias mais usadas e essenciais. Ou seja, se achavam que tinham de percorrer os mapas em dimensão e tempo real pelos milhares de quilómetros que abrangem, podem descansar. A compressão permite ir desde São Francisco a Las Vegas em pouco menos de meia-hora por exemplo. Uma viagem que na realidade podia demorar umas 8 horas.

Para nos acompanhar nessa condução fastidiosa, uma vez mais temos as famosas estações de rádio. Não, não são banda sonora própria do jogo, nem são simuladas sequer. São mesmo estações de rádio online que, tal como jogo anterior, são regionais, com raio de acção da área onde estamos. Podemos selecionar uma estação de vários géneros disponíveis na área. Se passarmos o alcance, a frequência mantém-se e, caso haja outra rádio disponível na mesma frequência, muda para essa. Também é possível adicionar a nossa própria banda-sonora passando ficheiros de música para uma pasta própria. No entanto, dá outra dimensão termos músicas com DJ e as notícias reais locais na hora e em tempo real.

Também para ajudar ao realismo, todos os camiões em jogo são peças de arte reproduzidas em jogo, devidamente licenciados das principais marcas de construtores Americanos. Não só temos diversos modelos com diferentes motorizações e apetrechos, como temos ainda imensas opções de personalização para criar a nossa própria máquina do asfalto. Há algumas diferenças na condução relacionadas com alterações na mecânica, sobretudo na potência e número de eixos, especialmente em manobras de parqueamento. De resto, é tudo cosmética. Visualmente, porém, as máquinas são irrepreensíveis. E podem não ser Ferraris, mas até têm a sua beleza própria.

Continuando no visual, ficar horas a conduzir cenários deslumbrantes, com imensa atenção ao detalhe, reproduções de edifícios e áreas turísticas icónicas, não tem preço. Sim, Euro Truck Simulator 2 era um pouco mais exuberante, com as estradas montanhosas de alguns países Nórdicos ou as zonas costeiras do sul da Europa a proporcionarem momentos fantásticos. Mas os EUA, sobretudo com os dois Estados incluídos (Califórnia e Nevada, Arizona está em produção e será lançado gratuitamente em breve) é a definição da “road trip” que reside no imaginário de muita gente, muito por culpa de Hollywood, é certo.

Em termos de qualidade gráfica, o jogo não é muito exigente e é bem possível que coloquem as definições todas em Ultra. O resultado é muito semelhante à elevada qualidade visual do jogo anterior, com algumas melhorias de cosmética e performance quase imperceptíveis. O motor gráfico Prism3D é competente a criar texturas e efeitos bastante realistas. O ciclo de dia e meteorologia dinâmica acrescentam mais desafio e alguma variedade. Até porque conduzindo algumas horas, os cenários começam a tornar-se algo repetitivos e isso acaba por aborrecer. É normal, afinal não estamos a fugir à Polícia nem a bater recordes de velocidade.

Mas o que há de realmente novo entre o anterior ETS2 e este novo ATS? Bom, em primeiro lugar, é uma região nova com novos cenários, veículos e objectos. Mas há umas pequenas novidades adicionais. Além das já mencionadas melhorias quase imperceptíveis a nível gráfico, temos atrelados mais diversificados e ainda mais compridos (mais de 15 metros), balanças à beira da estrada para certificar que não carregamos peso a mais (seguindo a Lei nos EUA) e um novo modo de fotografia para guardarmos aquele momento épico do nosso camião a dominar a estrada no meio de uma tempestade ou estacionado num restaurante de fast-food. De resto está lá tudo o que gostámos em ETS 2, até mesmo a implacável polícia que passa multas à mínima infracção.

Só tenho pena que ainda não seja desta que temos um modo multi-jogador. Não, não é para desafiar os demais jogadores numa Drag Race (hum… vou guardar esta ideia), mas era excelente termos um modo de comunicação a imitar os rádios-amador usados pelos camionistas. Era a experiência completa: camisa de flanela, boné de uma marca de cerveja, suspensórios, palito ao canto da boca e lançar jargão pelas frequências AM e FM. Felizmente, a comunidade de modding já está a meter mãos à obra e, no futuro isto, pode ser uma realidade… Menos a indumentária… só se quiserem, gostos não se discutem!

Só para terminar, uma nota para entrarem nesta comunidade com o pé direito. Tal como no jogo anterior, podem usar a aplicação externa World of Trucks para se ligarem com outros camionistas virtuais. Aqui podem partilhar imagens das vossas viagens, entrar em discussões nos fóruns, receber notícias da comunidade e da própria produção, adicionar o nosso próprio Avatar à personagem em jogo ou mesmo uma placa de matrícula, além de outras novidades a chegar em breve. Esta aplicação e o seu registo são puramente opcionais, mas sempre dão uma ideia de conectividade.

Veredicto

Que a palavra “simulador” não vos assuste. Não é que seja assim tão exigente e aborrecido. As opções para o tornar mais realista estão lá, mas também é possível torná-lo mais acessível por desligá-las. Também não é preciso estar horas atrás do volante, uma vez que tanto as distâncias como o tempo estão comprimidos. Em termos visuais, é um jogo visualmente competente, sobretudo se sabemos que é fruto de um motor gráfico proprietário de uma pequena produtora Indie. Se gostaram de Euro Truck Simulator 2, vão adorar as novas paisagens Americanas deste novo título, mantendo a familiaridade do jogo anterior. Se não conhecem sequer a série, sempre podem experimentar a demo disponível no Steam. A nossa aposta é que se gostarem, não o vão largar tão depressa.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.