Mais infoProdutora: Forgotten Empires/ Tantalus Media/ Wicked WitchEditora: Microsoft Game StudiosLançamento: 14/11/2019Plataformas: Género:

Ainda têm as chaves do Cobra descapotável azul? Se não perceberam esta piada é porque nunca jogaram o original Age of Empires II. Ou então, nunca o jogaram… ahem… a sério. Mas, não é só por isso que passar um fim de semana inteiro com Age of Empires II: Definitite Edition foi tão especial. O vício regressou verdadeiramente.

É daqueles clássicos que não podemos deixar de falar, sobretudo quando falamos dos melhores jogos de estratégia de todos os tempos. Age of Empires, o primeiro, já tinha sido alvo de uma inteira reedição remasterizada, que também revimos e que também fez as nossas delícias. Contudo, por mais que gostássemos tanto do primeiro jogo, foi o segundo que verdadeiramente disparou a série para a ribalta, consolidando-a de forma concreta como “o maior redutor de produtividade da história nos computadores de empresas”… e não só. A Microsoft e os extintos Ensemble Studios tinha encontrado a fórmula perfeita entre construção, gestão e combate. E, infelizmente, depois deste título a série nunca mais foi a mesma. Será de esperar que Age of Empires III seja igualmente remasterizado e que Age of Empires IV venha a recuperar a fórmula original. Até lá, temos AoEII:DE para gozar.

20 anos! É verdade. Há 20 anos que começámos a jogar Age of Empires II. Digo “começámos” porque, de uma forma ou de outra, sempre voltámos a instalá-lo de quando em vez, ora para matar saudades, ora para termos um pouco de distracção dos grandes jogos do momento. Também não hesitei em adquirir Age of Empires II HD (2013) quando surgiu numa versão compatível com os actuais computadores. Essa edição da Skybox Labs e Hidden Path Entertainment porém, apenas aumentava a resolução e qualidade geral das texturas, mexendo ligeiramente na IA. Esta outra que vamos falar hoje, agora da responsabilidade das produtoras Forgotten Empires, Tantalus Media e Wicked Witch é mais que uma reedição HD, é mesmo uma remasterização no pleno sentido.

Em primeiro lugar esta nova edição é mesmo a definitiva (dado o título), trazendo o jogo para uma resolução sem precedentes de Ultra HD 4K. Com esta nova resolução, também todas as texturas e animações, assim como os efeitos visuais, foram revistos, no que é, ao mesmo tempo, uma modernização subtil mas também uma recuperação fiel com enorme respeito pelo material original de 1999. Ao olhar para as imagens dirão que este jogo não vai ganhar nenhum prémio de beleza gráfica, como é óbvio. Muitas das opções de design estão, de facto, algo ultrapassadas. Já se fez muito melhor visualmente e também é discutível se algumas lógicas sobrevivem ao teste do tempo. Mas, o argumento desta reedição é outro. Esta é uma lenda que, nas suas imperfeições, nunca foi realmente ultrapassada.

Para quem não sabe, os principais responsáveis por este trabalho foram a malta do estúdio Forgotten Empires. Desde 2011 que trabalham de forma apaixonada no jogo, não apenas renovando-o tecnicamente, como adicionando novo conteúdo. O resultado foi um projecto de expansão não oficial que agradou tanto à Microsoft que acabaram por produzir uma expansão oficial para a versão HD que já falei, jeitosamente chamada de The Forgotten. Esta Edição Definitiva é, portanto, um trabalho de paixão pelo jogo e de recompensa da Microsoft pelos esforços de fãs. Ex-modders tornados produtores de jogos, parece uma história de ficção mas não é, na verdade. De facto, não tenho memória de outro jogo editado há 20 anos que mereça tanto carinho e dedicação dos fãs.

É que, para além do visual mais apurado, esta nova edição traz também a expansão original “Conquerors” (2000) e também essas novas expansões da versão HD, “African Kingdoms” (2015) e “Rise of the Rajas” (2016). E para comemorar este lançamento, a produção ainda adicionou uma nova campanha chamada “The Last Khans”. Que outro jogo conhecem com tanto conteúdo adicional ao fim de vinte anos? Com todas estas expansões, também surgem mais civilizações, num total de 35 jogáveis em 24 campanhas. O que totaliza 136 missões de campanha e cerca de 200 horas de jogo no total. E ainda nem sequer falei nos elementos online.

As campanhas giram em torno de eventos históricos reais e estão divididas em quatro áreas de interesse. Os territórios Africanos, as campanhas de conquistas pela Europa, os feudos constantes na Ásia e as descobertas pelas Américas. Podemos jogar estas campanhas de forma corrida ou em qualquer ordem que queiramos. Jogamos exactamente da mesma forma, de um modo geral (novidade, as quintas agora regeneram-se automaticamente!). Escolhemos uma campanha e acompanhamos uma civilização que precisa evoluir, erguer defesas e exércitos, apanhar recursos e depois precisa expandir o território, contrariando outros com a mesma ambição, aproveitando também para alguma diplomacia pelo meio.

Além da jogabilidade normal com os objectivos específicos de cada missão, também temos os desafios lançados em “Art of War” e que são igualmente interessantes. Neles temos objectivos concretos e de tempo limite para desafiar-nos a evoluir cada civilização de modo a atingir determinados patamares de efectividade. Não são particularmente difíceis de alcançar mas exigem planeamento, o que encaixa perfeitamente na oferta de um jogo de estratégia. Gostarão de saber que agora todos os objectivos, principais ou secundários são bem mais fáceis de consultar com uma “checklist”.

Claro que o jogo não acaba nestas campanhas a solo. Regressa o emblemático e robusto editor de mapas e de expansões, que é capaz de ser melhores e mais simples jamais concebidos para um jogo deste calibre. Além da quantidade aumentada de objectos e personagens das várias civilizações, agora também temos um novo limite de população de 500 habitantes e mapas quatro vezes maiores que os originais. Tirando isto, o editor está praticamente intacto, permitindo criar quase tudo em jogo, não só apenas a geografia do terreno, mas também erguendo aquele castelo “impossível” no meio de nada com mais muros e defesas que a história alguma vez catalogou.

E estas criações têm vários fins. Podem simplesmente jogá-las contra a IA como em qualquer missão das campanhas ou levá-las online para jogar contra outros jogadores. E é aqui que encontro o verdadeiro encanto do jogo. Como um qualquer sessão de monopólio em família, em Age of Empires podemos optar por fazer alianças ou simplesmente destruir todos à nossa volta. É bem possível que, uma vez dominado o editor, encontrem finalmente o vício, fora das missões mais ou menos lineares das campanhas a solo. O melhor é que podemos criar as nossas regras, até mesmo com arenas brutais em que os recursos são comuns a várias civilizações. Ou, porque não uma espécie de “Hunger Games” só com padres a tentar converter-se uns aos outros? Wololooooo…

Antes de terminar quero mencionar um aspecto muito interessante desta nova edição para os jogadores de há 20 anos atrás. Se experimentaram a versão HD de 2013, já terão entrado em contacto com a já mencionada nova IA criada para essa versão. Caso contrário, vão notar que AoEII: DE terá adversários bem mais capazes. Independentemente dos recursos angariados, os adversários faziam decisões incompreensíveis, como construir alguns edifícios de forma desenfreada e sem protecção. Agora tudo vos vai parecer mais orquestrado e com muito mais lógica. Não se enganem, ainda vão encontrar inimigos isolados no mapa ou construções em locais pouco lógicos, mas o avanço é de assinalar.

Veredicto

Como ler um livro de História escrito pelos conquistadores, Age of Empire II: Definitive Edition enaltece os grandes feitos de 1999, melhorando o que é possível, expandido além do que seria de esperar e elimina algumas lacunas que acusariam o peso da idade. Enquanto que o respeito pelo original não permite “reinventar” nada, as melhorias visuais são bem vindas tirando proveito das maiores resoluções. Não vão encontrar aqui nada de realmente inovador, porém, tirando uma nova campanha e uns quantos ajustes em lógicas. Ainda assim, se o clássico era tão recomendável aos amantes dos RTS, esta nova versão ainda é mais. É inacreditável que a oferta e a jogabilidade ainda sejam tão sólidas 20 anos depois. E é bem possível que a Microsoft não fique por aqui e continue a expandir o jogo.

“Gold, please!”

Esta análise foi realizada com uma cópia adquirida pela redacção.