Curtas:
Análise Zoom: Halo 4

Havia muita especulação (nem toda positiva, diga-se) se Halo 4 iria ser o mesmo sem a mítica Bungie por detrás. Com o anúncio de que Reach seria o fim da participação do estúdio que trouxe à vida Masterchief e com o advento da tomada das rédeas por parte da 343 Industries, muita gente susteve a respiração. Será que a 343 que no passado trouxe coisas menos bem sucedidas na série (Halo ODST, por exemplo) está à altura dos acontecimentos?

Wake Up Chief!

O ano é 2557 e a nave Forward Unto Dawn continua à deriva pelo espaço. Passaram-se 4 anos desde os eventos de Halo 3 e se bem se lembram, o Masterchief entrou na câmara de Hibernação avisando a sua companheira virtual Cortana que o acordasse se fosse preciso. E é isso mesmo que acontece no arranque de Halo 4. Há algo estranho e sinistro a bordo da nave. Não só uma invasão de Convenant, os eternos rivais da humanidade, como uma nova e desconhecida ameaça. Mas esperem lá… Os Covenant não tinham feito paz com os Humanos? Sim, tinham, mas a 343 jeitosamente recoloca a ameaça por justificar estes Covenant como um grupo dissidente atraídos a um planeta. Planeta esse que a Forward Unto Dawn está prestes a despenhar-se.

O planeta de nome Requiem pertenceu outrora ao mítico povo Forerunner. Quando o Masterchief finalmente sai dos escombros da Dawn, descobre que afinal há uma nova ameaça no Espaço. Uma facção que aparentemente tem mau humor e não gosta nem de humanos nem dos próprios Covenant que também levam por tabela. Pelo meio, uma nave da UNSC, a Infinity surge a responder a um apelo falso dado, supostamente, pela Forward Unto Dawn. E como se os problemas do Chief não bastassem… Cortana também está a enfrentar um problema muito seu que pode culminar na sua própria “morte”. Todos ao molho no planeta Requiem.

Não querendo criar spoilers, dizemos ainda que este jogo conta com um grande vilão. Não há estória decente para um grande herói como é Masterchief sem um grande antagonista. Não só a personagem que é apresentada neste jogo (na verdade é introduzida em Halo Legends), é um opositor à altura como estabelece a plataforma para um Halo 5 que muito antecipamos…

No geral a estória fica um pouco aquém do enredo dos jogos anteriores. Não é uma má estória, note-se, mas temos saudades de determinados pontos, como os pontos de vista dos inimigos que tínhamos nos jogos anteriores. Mas, gostámos que Cortana tenha uma participação muito maior e é mais presente, mais “humana”. Esta é uma vida nova de Halo que tenta recomeçar do zero. É aconselhável, porém, ou a jogar ou pelo menos a ler o enredo de Halo Reach, Halo 1, 2 e 3 antes de jogar este jogo. Também o filme Halo Legends é importante para conhecer alguns dos protagonistas que aparecem neste jogo.

Welcome to Requiem

Digamos que o que já era soberbo se tornou magnífico. É possível melhorar o que já é bom? A 343 pode não ser muito boa a contar estórias, mas pegou no que a Bungie fez e expandiu, aprimorou e ainda inovou. O que só por si é um feito.

Desde as paisagens gigantescas das bases Promethean às luxuriantes e labirínticas florestas de Requiem, estivemos sempre à espera que a Xbox 360 nos dissesse “basta” com tanto detalhe e qualidade. Dêem uma vista de olhos à galeria em baixo e confirmem o que dizemos. Se bem que em alguns momentos os cenários fiquem algo despidos de detalhes, sobretudo em zonas de combates intensos, talvez por limitação pura da consola, noutros ficamos com a sensação que a Xbox 360 é puxada aos limites com tantos polígonos e partículas. Aliado às mais recentes técnicas e efeitos, o jogo é um deslumbre visual.

A arquitectura Promethean é qualquer coisa de belo com os ângulos rectos e painéis móveis que aparentam ser imunes à gravidade. Até mesmo as armas Promethean beneficiam desta beleza. Quando não estamos nas magníficas bases, estamos a conduzir um jipe Warthog pelos vales vulcânicos ou a correr pelas selvas cheias de obstáculos e perigos.

Depois há toda uma predominancia de luminosidade e cor. Até uma determinada fase do jogo, os aparelhos electrónicos e mesmo os seres promethean são iluminados de azul claro e depois passam para um omnipresente laranja. Isto tem uma razão de ser, mas terão de jogar para entender.

Mas o que é realmente impressionante são as animações. Se por um lado há uma certa artificialidade nos movimentos dos Covenant e Promethean, o mesmo não se passa com MasterChief, Cortana e todos os humanos que surgem no jogo. Aliás, em determinadas cutscenes entre missões, ficámos com a sensação que estávamos a ver imagens reais de actores e só pequenos pormenores técnicos é que nos fizeram acreditar que se tratava de CGI. Mas o que mais nos impressionou mesmo foi constatar que de repente, o que nos parecia CGI de uma cutscene era na verdade já em jogo… Impressionante. As expressões faciais e animações dos humanos são dignas de Hollywood.

Por fim há que assinalar a sonoridade do jogo. Não só os efeitos sonoros são irrepreensíveis como o cast de vozes é genial. Regressam Steve Downes como MasterChief e Jen Taylor como Cortana, mas também surgem novas vozes de excelentes actores. Os diálogos são muito

bons e cheios de emoção aliados à já mencionada excelente captura de expressões faciais. Mas a nota que mais destacamos é a fantástica banda sonora do jogo da responsabilidade de Neil Davidge que, para quem não sabe, é só o produtor dos Massive Attack. O resultado é genial.

Go Spartans!

Mas nem tudo é novo na série. E ainda bem. Aquela jogabilidade que tanto gostamos está de volta. Mesmo as inclusão de novos adversário e novo armamento não alteram o ADN de Halo. Além dos já conhecidos Covenant e as suas diversas classes, os Promethean, porém, oferecem um desafio diferente. Algumas unidades desta raça são tipo canídeos que avançam rastejando e até mesmo escalam paredes, oferecendo uma oposição a várias frentes. Mas são os Promethean Knights que nos dão dores de cabeça. Além de incrivelmente fortes e decididos, conseguem teleportar-se pelo mapa e, pior que isso, conseguem largar pequenos robots que têm três funcionalidades: criar um escudo em frente dos seus controladores, disparar contra nós mas também restaurar os Knights caídos em combate. Quando os abatemos uma pequena centelha fica presente e se não destruirmos estes pequenos robots eles conseguem ressuscitar os Knights…

As novas armas Promethean são também geniais. Temos equivalentes a todas as classes de armas que conhecemos, entre metralhadoras de assalto, pistolas ou espingardas sniper. A dada altura, passamos quase exclusivamente a jogar só com estas armas ou com armas Covenant. Isto porque as armas humanas são raras, aqui e ali espalhadas por equipas abatidas da UNSC Infinity. Mas não nos chateia muito, já que estas armas são muito boas, tendo especial destaque as espingardas de sniper que são mortíferas.

De um modo geral a Inteligência Artificial é competente no modo campanha e é sempre agradável desancar os Covenant mas mais ainda é desancar os Promethean, sobretudo quando mandam os Crawlers flaquear-nos para nos distrair. Há certos momentos que, confesso, me senti em apuros com tantos Knights e Crawlers, além dos Covenant à toa pelo mapa. E há momentos em que precisamos de uma mãozinha… E é aí que entra o forte do jogo que é a componente multi-jogador. Existe a possibilidade de jogar em modo cooperativo todas as 10 horas (aproximadamente) de jogo até 4 jogadores online ou dois locais. Isto aumenta as possibilidades de conseguir passar o jogo inteiro nos modos mais difíceis.

Mas nem só o modo campanha podemos jogar com amigos. A 343 introduziu um novo modo chamado Spartan Ops. Tratam-se de episódios extra, cada um com uma pequena cutscene acerca da vida dos soldados Spartan, que visam criar uma espécie de estória adicional. Estes episódios são gratuitos e aberto a todos (com conta Gold no Live, claro) que o queiram jogar a solo, mas foram pensados para seres jogados com amigos ou online em matchmaking. Embora nos pareçam algo curtos, são excelentes para dar continuidade ao lore de Halo e esperamos que no futuro sejam mais e melhores.

Mas claro que Halo só é Halo com os modos competitivos online. War Games é a nova secção que os fãs mais antecipavam. Depois de Reach, era difícil fazer melhor online para todos os que enveredaram numa carreira online. Mas a 343 tinha em mãos uma boa e robusta lógica da série anterior e melhorou-a de forma competente. Regressam os modos deathmatch ou por objectivos que fazem as delícias dos fãs, com particular destaque para novos modos de jogo como Regicide um modo de assassinato de um jogador em particular ou Dominion que vem substituir o modo Invasion e que visa conquistar bases pelo mapa. São muitas horas (muitas mesmo) para jogar online. Vindo directamente da campanha estão também os novos perks como o tal pequeno robot que age como nosso guarda-costas, como a Promethean vision que nos permite ver adversários através das paredes. Muita coisa para explorar até ao limite. Enfim, o vício regressou…

O modo de sobrevivência online já não se chama Infection, mas sim Flood e coloca esta espécie mutante com o mesmo nome em vagas de ataque sucessivo. Numa era de jogos de zombies, esta é mais uma chamada aos fãs destes modos e que adicionam alguma diversão e horas de jogo entre amigos.

De assinalar que o equilíbrio entre jogadores está ainda melhor. Além do balanceamento de sessões entre jogadores mais e menos experientes foi refinado, como as armas disponíveis não oferecem qualquer desvantagem a novatos. De notar também que os mini-mapas assinalam as armas para apanhar ao longo do mapa, oferecendo uma melhor adaptação a quem não está muito habituado.

Veredicto

Que saudades tínhamos de Masterchief. Sim, tivemos há pouco tempo Halo Anniversary, mas queríamos retomar a estória de um dos maiores heróis da estória dos videojogos. E a 343 conseguiu um feito: Agradou aos fãs, descansando-os dos medos que tinham que a estória pudesse ser mal-tratada e até inovou, melhorando. Tudo bem, a estória pareceu-nos algo repescada, sobretudo quando vimos os Covenant a atacar novamente os humanos, mas rapidamente o rumo foi alterado para um novo adversário à altura. E depois são todas as horas de jogo proporcionadas pelas Spartan Ops e War Games. Poderá não cativar tanto como a Bungie, mas para a 343 conseguir ficar à altura, só lhe falta um “bocadinho assim”…


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Último comentário:
"Cara, estou impressionado com esta bomba! O pessoal é fogo mesmo. Nada, mas nada mesmo esta seguro nesta vida digital...."
- Mano Beto

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