Squadron 42 de Star Citizen novamente adiado

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O modo de jogo que deveria ser lançado primeiro, foi adiado outra vez.

Já não é novidade que Star Citizen, com os seus impressionantes (mais de) 200 milhões de dólares angariados via crowdfunding, não estará pronto tão cedo. Por isso, não surpreende ninguém que a sua megalómana campanha Squadron 42 foi igualmente adiada… outra vez.

A campanha de carreira a solo, conta a história do Esquadrão 42 da Marinha Terrestre que, no ano 2945, precisa defender a humanidade da invasão dos alienígenas Vanduul. Mark Hamill (Star Wars), Gary Oldman (Darkest Hour), Gillian Anderson (X-Files), Henry Cavill (Superman) e tantas outras estrelas do cinema e da televisão dão a cara e a voz a diversas personagens nesta campanha.

Esteve anunciada para algures em 2016, também esteve prevista para 2017, depois para este ano. Contudo, por mais hype que a Roberts Space Industries e a Cloud Imperium (as duas produtoras em volta de Star Citizen) entreguem ao seu projecto, datas de lançamento parecem tabu. Contudo, mesmo sem datas concretas, a RSI consegue o feito de adiar os seus projectos de forma constante.

Squadron 42 não veio neste ano, obviamente. E também não virá no próximo. Foi adiado para a segunda metade de 2020, novamente sem uma data concreta para chegar. E, mesmo que a produção consiga cumprir essa data, o que é prometido é uma versão Beta deste modo, que irá continuamente sendo trabalhada até uma versão final prometida para ainda mais tarde no tempo.

Na página oficial, a CI revelou os seus planos a longo prazo. 28 capítulos, organizados de forma meio estranha em termos de desenvolvimento, dividido em cinco partes de produção, entrarão em Alpha na primeira metade de 2020 e lançados em Beta na tal segunda metade. Se quiserem esperar, já sabem, podem comprar um dos vários pacotes de backing (pledge) para obter o jogo Star Citizen e este modo Squadron 42, adquirido à parte e que, já sabem, não poderão jogar até 2020.

A fórmula parece bem talhada por Chris Roberts e companhia: continuamente mostram grandes feitos em trailers, vídeos e livestreams, prometem tudo aos “backers” num “brevemente” e angariam milhões no processo. Em troca, oferecem uma versão Alpha de Star Citizen despida de conteúdo e de jogabilidade, com imensos bugs e outros problemas, além de bastantes promessas que acabam sempre adiadas.

A ideia, segundo a própria RSI e CI, é que a equipa quer criar algo grandioso e quer aperfeiçoar tudo antes de entregar o que tem. É discutível. Star Citizen está em produção há alguns anos e continua a angariar novos interessados, muito por causa de trailers, convenções (CitizenCon) e uma comunidade ansiosa pelas promessas de algo inédito, gigante e inovador. O que entrega no imediato, porém, é escasso.

A parte mais visível de Star Citizen, porém, é a incrível injecção de capital, tornando-se num rentável esquema financeiro, o único actualmente nesta indústria a quem não é exigido retorno imediato. Indagamos se Star Citizen podia sequer existir se tivesse uma grande corporação por detrás que exigisse um retorno do seu investimento. Não basta publicarem os relatórios financeiros de 2012 a 2017. O jogo é uma incógnita e agora há mesmo investidores externos para lidar.

A Cloud Imperium anunciou um processo de venda de 10% do capital do estúdio a investidores externos, rendendo ao estúdio 46 milhões de Dólares. Claro que Chris Roberts se mantém o maior accionista, garantindo que o dinheiro será usado para fins de marketing. A ideia é evitar ter de lidar com uma editora para a sua distribuição. O que até é positivo em termos estratégicos e de garantia de uso devido da sua marca e produtos. Contudo, se olharmos bem, que editora estaria na disposição de promover este título? Convém que o jogo exista para ser publicado, não?