Produção admite que Kingdom Come: Deliverance precisava de mais tempo

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Ao menos a produção admite algo que é prática comum nesta indústria.

Apesar de ser um jogo popular, tendo somado nestes dias mais de um milhão de unidades vendidas, não se pode dizer que Kingdom Come: Deliverance está bem a nível técnico. A própria produção admitiu que, se calhar, o jogo foi lançado antes de tempo.

Já todos sabemos que um jogo lançado nos dias de hoje está sujeito a uma bateria de actualizações posteriores. É evidente que estão longe os tempos dos jogos vendidos em consolas sem ligação à internet, onde os jogos eram exaustivamente testados porque não haveria segundas chances. Nos dias que correm, os jogadores são autênticos “beta testers improvisados” com actualizações posteriores em jogos, por vezes, lançados incompletos.

Kingdom Come: Deliverance foi assolado com inúmeros problemas técnicos, alguns que quebravam mesmo a jogabilidade. Desde críticas ao sistema de save, bugs diversos, crashes ou quests que bloqueavam ou se tornavam impossíveis de terminar. Ao todo, até à data, cerca de 40GB já foram lançados em actualizações e ainda não terminaram.

Entretanto, a produção acabou por admitir o que já todos suspeitavam. “Admito abertamente que desejava ter tido mais tempo para polir o jogo antes do lançamento”, diz o produtor executivo Martin Klima numa entrevista publicada no fórum oficial do jogo.

Klima explica que este jogo é uma tentativa de juntar dois mundos, “é um jogo indie, mais hardcore, mais desafiante, mais brutal, mas com um visual e valores de produção de um AAA”. Isto terá levantado a fasquia para a pequena produtora Warhorse Studios que se viu a braços com um jogo a precisar de muito trabalho depois do lançamento. Mesmo depois de seis anos em pré-produção.

“No entanto, acredito que fizemos algumas coisa bem feitas”, continua Klima. Além de uma equipa que se manteve coesa, apesar do desafio e da sua dimensão, afirma que “no final conseguimos cozinhar o pudim e isso é notável, não é?”

Na nossa análise, dissemos que, de facto, “não é perfeito, tendo algumas falhas nas lógicas de interacção e alguns erros técnicos de assinalar. No entanto, este épico medieval é também uma enorme demonstração de vontade de uma pequena produtora à procura de reconhecimento”.