O director de God of War fala da validade dos jogos a solo

511

Entrar online ou não entrar online, eis a questão para muitas franquias nesta indústria.

Numa era em que os jogo parecem cada vez mais orientados para acção multi-jogador online, God of War parece uma contradição. Será que os jogos exclusivamente a solo estão com os dias contados? Cory Barlog dá a sua opinião privilegiada sobre o assunto.

Nem todos os jogos sem multi-jogador têm o sucesso do mais recente título dos estúdios Santa Monica. Hoje em dia, qualquer jogo novo que não tenha uma componente PvE ou PvP multi-jogador parece “destinado a falhar”. E, mesmo entre os jogos com essa componente integrada, os que não seguirem a febre do modo Battle Royale também parecem ter o mesmo destino.

Claro que esta avaliação é um pouco drástica e ainda há muitos defensores dos jogos exclusivamente a solo. Grandes RPGs como a série The Witcher, por exemplo, nunca precisaram de modos online para serem populares e reconhecidos. E embora consigamos ver o potencial de um modo online para God of War, este também não parece precisar dessa opção de jogo.

Cory Barlog, o director criativo e mente por detrás deste tão apreciado regresso de Kratos, vai mais longe e diz mesmo que os jogos single player estão a ressurgir. Sobre os comentários que os jogos sem online “estão a morrer”, Barlog disse ao site IGN que, na sua perspectiva, estes “são com a fénix”.

Tal como o pássaro mitológico que se ergue das suas próprias cinzas, renovando-se, para Barlog, o género está a renascer. Diz que “os jogos mudam consoante os criadores” e que as modas actuais, como a do Battle Royale, não impedem esse processo de criação de novos géneros e títulos. Mais à frente, diz mesmo que também “não há uma competição” entre os géneros, dando a entender que sempre existirão no mercado em paralelo.

Cory diz ainda que “não quer trabalhar em jogos que não tenham uma componente de história” e que para ele, essa é a “linha que traça”. Não vamos ter multi-jogador em God of War, portanto. E isso não é negativo, olhando para o sucesso do jogo.

Há, de facto, um estigma e parece que a comunidade está a absorver tudo que surge com online. Desde os famosos MMOs de RPG, passando pelos jogos de desporto e os shooters competitivos, que dão mesmo lugar a ligas internacionais com jogadores profissionalizados, todas as empresas querem um pedaço deste cobiçado bolo. E o mais apetecível agora é o Battle Royale, popularizado por Fortnite, que parece ofuscar toda a competição.

Muitos concordarão que os géneros podem coexistir sem problemas. Haverá sempre adeptos dos jogos a solo e adeptos do multi-jogador. O problema é quando a indústria quer toda a beber da mesma fonte, com empresas como a Activision e outras a olhar para este género com muito interesse.

Os resultados financeiros falam sempre mais alto e os demais jogadores que preferem algo mais cerebral acabam esquecidos. Ou então, há um pressionar para inserir componentes online onde nem são necessários. Talvez Cory Barlog tenha razão, que o processo criativo não pare e que mais uma ou outra Fénix renasça.

Estamos a olhar para ti, Splinter Cell!