Electronic Arts fala do futuro dos seus jogos

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Apesar de tudo, a EA “está bem e recomenda-se”, com um futuro promissor.

Numa semana em que surgiu um rumor caricato que a Microsoft quereria adquirir a gigante Electronic Arts, a empresa decidiu falar do seu futuro. Entre altos e baixos, a EA tem a seu cargo franchises de enorme sucesso. E os dados são esclarecedores.

As informações surgem durante a habitual apresentação do relatório financeiro do terceiro trimestre do ano fiscal que de 2018 que termina em Março. O The Wall Street Journal entrevistou os responsáveis Andrew Wilson e Blake Jorgensen sobre o futuro da gigante de videojogos.

Além dos dados de vendas, obviamente inflaccionados pela época do Natal, a EA confirmou também algumas informações que já sabíamos e outras que mostram alguma prudência perante falhanços recentes.

Conforme já tínhamos avançado, Anthem da Bioware será adiado para o próximo ano. Curiosamente, este adiamento não tem tanto a ver com alguma busca por correcção de erros recentes, mas sim porque a editora anunciou que este ano teremos um novo Battlefield.

Ao que parece, o novo jogo desta série de acção será lançado algures em Outubro, empurrando Anthem para o próximo ano para evitar conflitos de marketing. Quanto ao novo Battlefield da DICE nada foi, para já, adiantado. Contudo, dada a popularidade de Battlefield 1, que atingiu os 25 milhões de jogadores totais, espera-se um spin off algo diferente dos combates históricos. Algo na linha Hardline ou, quem sabe, um novo Bad Company? (Sim, por favor!).

Obviamente que a outra série de acção da DICE foi alvo de avaliação. Star Wars Battlefront II sofreu para subsistir, tendo vendido, segundo a EA, “abaixo das expectativas” (9 milhões de unidades, dos 10 milhões previstos). A controvérsia das caixas de loot em volta deste jogo não devem ter ajudado às vendas aquém do esperado.

Mesmo com uma série de medidas para atenuar o efeito negativo das microtransacções e das já mencionadas caixas de loot, a debandada de jogadores e as vendas brandas podem ter ditado um futuro incerto para a série. Apesar de toda esta confusão, a EA voltou a afirmar que o modelo de microtransacções “há-de regressar ao jogo”. Mas, esta aparente segurança neste franchise parece algo enganadora.

Isto porque um possível Battlefront III surge, para já, sem qualquer previsão. Porque o jogo de Star Wars ainda sem título que a Respawn Entertainment está a produzir tem lançamento previsto para 2020 e neste ano já está previsto um Battlefield, um possível terceiro Battlefront teria caminho aberto para surgir no próximo ano ao lado de Anthem. Contudo, a EA “não decidiu ainda o timing de outro Battlefront”.

Por um lado, percebemos a posição da editora, se tem um jogo da série ainda recente no mercado e que pretende ainda melhorar a sua experiência. Também é compreensível que outros jogos já confirmados precisem de espaço para subsistir. Mas, não deixa de ser estranha esta hesitação num franchise tão popular. Será esta prudência um indicador de uma mudança de rumo? Teremos de esperar para ver.

No que toca ao tal relatório financeiro em si, a EA reporta dados impressionantes. Além de Battlefield 1 ter atingido a tal marca memorável de jogadores, a série FIFA também ultrapassou barreiras e atingiu os 42 milhões de jogadores, isto apenas nas consolas. Até o surpreendente The Sims 4 viu a sua comunidade crescer 35%.

Em termos de valores, o crescimento em 14% das vendas digitais (agora 67% do total de vendas) levou a 780 milhões de Dólares em lucros. Enquanto que o retalho sofreu uma quebra na ordem dos 18% fixando-se nos 380 milhões de Dólares. Com estes dados somam-se 1.16 mil milhões de Dólares em lucros neste terceiro trimestre, fora outras fontes não mencionadas.

São números impressionantes, de facto. Parece-nos que a EA não precisa mesmo de ser comprada pela Microsoft. Mas, nunca se sabe se os recentes avanços Disney no mercado de entretenimento acabaram por contagiar a multinacional de Bill Gates…