O famoso microcomputador da década de 80, ainda hoje movimenta uma enorme legião de fãs que se dedica a coleccionar e a restaurar os Spectrum para que não caiam no esquecimento.
Como este computador ainda faz as delícias de muitos, a Retro Computers Ldt. decidiu recorrer ao IndieGogo numa tentativa de angariar fundos para criar um Spectrum mais moderno e mais simplificado. Já passaram dez meses desde o final da campanha e tenho agora comigo o produto final para contar-vos a minha experiência. 

O ZX Spectrum Vega é, na sua essência, uma modernização ao famoso microcomputador, num formato mais pequeno e plug&play. Quero com isto dizer que só precisam de ligar à vossa televisão para começar a jogar um dos 1000 jogos já incluídos. É assim tão fácil.
Com o próprio aval de Sir Clive Sinclair, será escusado dizer que a campanha foi um autêntico sucesso. Os fundos angariados forneceram à Retro Computers Ltd. um total 150% do valor pedido inicialmente. O que rendeu um total de 280 mil euros para produzirem o Vega em série.

O seu design, apesar de seguir as linhas da versão 48k, é na verdade um comando com um d-pad, quatro botões de acção e outros cinco auxiliares que permitem aceder a vários menus ou voltar à lista de jogos. No canto inferior direito, foi adicionado o característico arco-íris do Spectrum e por fim, mas não menos importante, existe um slot para um micro SD. Este slot permite adicionar um cartão de memória com mais jogos e ter um local para usar os save-states, mas já lá vamos.

As ligações do Vega são bastantes simples. Do topo do comando saem dois cabos: um tem no final as típicas três fichas RCA e no outro, uma ficha USB para dar energia ao comando. O facto de terem escolhido esta ficha para energia pode ser estranha, mas se tivermos em conta que a maior parte das televisões de hoje têm uma porta USB, mesmo que seja apenas de serviço, é o suficiente para dar energia ao Vega. Caso não tenham uma entrada USB na vossa televisão, podem usar um daqueles carregadores com ligação USB dos telemóveis, funciona sem qualquer problema.

O interface é muito simples. Os jogos são apresentados por ordem alfabética e por género. A navegação é feita inteiramente com o d-pad e o “Fire” fica encarregue de carregar o jogo, agora de forma instantânea. Já lá vai o tempo em que o carregamento pela famosa cassete demorava uns bons minutos e que nem sempre acabava da melhor forma, quando era apresentado um “Load Type Error”.

Quando são encontrados jogos no cartão SD, surge uma nova lista de jogos. Facilmente acedida por um dos botões auxiliares. Contudo, é preciso ter em conta que os jogos precisão de uma configuração extra. Como referi anteriormente, só existem quatro botões de acção no Vega e necessitam de ser configurados para o jogo em questão. Mesmo que seja um jogo que use mais que quatro teclas, o Vega consegue simular o pressionar de várias teclas ou até por uma ordem específica. Felizmente, já existem vários grupos que se dedicam a partilhar estas configurações para evitar dores de cabeça. É importante referir também, que o Vega possui um teclado virtual, para poderem usar todas as teclas que haviam no Spectrum original.

Talvez o único ponto que me deixou mais céptico neste modelo, foi o seu preço. Actualmente custa 139,99€ na Chipping.pt e pode ser um entrave para muitas pessoas. Ainda para mais porque, hoje em dia, é possível emular o Spectrum em quase qualquer plataforma, até mesmo num smartphone. O Vega arrisca a ficar num patamar completamente opcional em que só talvez os mais admiradores devem adquirir. Contudo, acredito que isso se possa inverter, caso o seu valor venha a baixar.

Veredicto

Na minha opinião, o ZX Spectrum Vega é obrigatório para quem segue o legado dos computadores Spectrum. O seu design segue as linhas do 48k original, as teclas de acção tem o mesmo toque característico e os jogos carregam em menos de nada. Para além do mais, traz 1000 jogos incorporados e possibilidade de adicionar mais através de um cartão de memória SD. Só encontro dois pontos contra: o facto de termos de configurar as teclas nos jogos que são adicionados e o custo da aquisição do equipamento. No entanto, recordar os jogos das minha infância a ouvir o típico som do Spectrum não tem preço.

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Fundador do WASD, cedo percebeu que a filatelia não era para si e começou a coleccionar consolas. Adora jogos de condução, acção e tem um particular gosto por aqueles jogos de arcadas de plataformas, sobretudo com bonecos e muitas cores e efeitos de luz, embora afirme a pés juntos que é um adulto. Saibam mais...

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