Testando a Beta de Destiny 2

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As mudanças são sempre complexas, sobretudo com comunidades apaixonadas por um título.

Enquanto escrevo este artigo, acabo de desligar a consola no meu segundo dia de testes desta primeira fase de testes Beta de Destiny 2. Em quase todas as demonstrações e fases de testes de jogos, consigo dar uma perspectiva concreta do que esperar. Neste título, não consigo.

Talvez por causa das elevadas expectativas, talvez porque, entretanto, tenha mais umas horas de experiência noutros shooters, talvez porque o primeiro jogo já cá estava há tanto tempo que algumas convenções estavam já enraizadas. Sejam como for, Destiny 2 pareceu-me um jogo diferente. Em certos aspectos, muito diferente. Contudo, é extremamente familiar. Será como um membro da família que conhecemos bem que decide fazer uma viagem e volta com outras ideias. O que nem sempre é uma situação agradável, sobretudo para aquela tia mais conservadora.

Convenhamos que a minha relação com Destiny, o primeiro, foi sempre de amor/ódio. Dei por mim a sentir-me muito frustrado com a sua jogabilidade tantas vezes reciclada de convenções francamente cansativas. O End Game tornou-se o jogo do grind por pequenas migalhas para aumentar a luz e conseguir, pelo menos, sobreviver aos Raids. Já sei o que estão a pensar. Não! Não tem nada a ver com perícia ou a falta dela.

Para mim, Destiny sempre penalizou os casuais. Sempre! Ou nos dedicamos e largamos qualquer outro jogo, sobretudo do género, ou não fazemos nada de extraordinário que nos cative. Raids? Strikes? Missões diárias ou semanais? Crucible? Só os mais persistentes sobrevivem. Não há nada de errado nisto. É um incentivo para ser melhor. Só que Destiny nunca conseguiu defenir-se como um bom shooter. Há por aí jogos muito mais equilibrados e com melhores dinâmicas no género da acção na primeira pessoa.

O que sempre distinguiu Destiny dos demais jogos era o seu equilíbrio entre o que era o jogo de acção com tiros e a gestão dos poderes. Recentemente, um amigo e companheiro nestas andanças dizia que o PvP do jogo estava repleto de gente que fazia spam de poderes e ataques especiais. Contudo, o que mais me incomodava era a manha e o truque de gente que nada mais fazia que explorar os mais pequenos pormenores da jogabilidade.

Como cereja no topo, os incrivelmente deprimentes saltos duplos e os slides são muletas de jogabilidade que, para mim, mataram o interesse em muitos jogos (sim, Call of Duty, estou a olhar para ti). Acaba por ser um estilo próprio e não censuro quem gosta, como é óbvio. No entanto, aliando essa muletas ao tal spam de poderes e a tal manha de procurar cada buraquinho para esperar os incautos, fizeram do PvP do jogo algo para eu evitar. “O problema não eras tu, Crucible, era eu”.

Com Destiny 2, penso que a Bungie decidiu dar um valente pontapé na mesa, espalhando pratos, copos e talheres por todo o lado. Mesmo rapidamente apanhando os cacos e colando tudo novamente, trouxe um Destiny “reconhecível” mas cheio e vontade de ser diferente. É só uma Beta, é verdade. Mas, o ADN já foi decifrado. E, para infortúnio de muitos que que pré-encomendaram o título esperando mais do mesmo, surgiu uma revolução.

Para começar, as habilidades foram tornadas menos relevantes. Demoram mais tempo a carregar e precisam ser usadas de uma forma bem mais comedida. Também as armas especiais mereceram atenção da produção. As suas munições são mais raras e possuem menos unidades para disparar. Por isso, aquela estratégia de fazer tiro de sniper à distância antes de avançar ou entrar “com tudo” com a caçadeira faz bem menos sentido.

Esta alterações têm muito mais peso na acção do que à partida se pode pensar. São mais evidentes nos modos competitivos (PvP) do Crucible, criando muito mais balanceamento na acção. Onde outrora ocorriam tiros “vindos do nada” ou “limpezas” com caçadeiras, já para não falar das chuvas de granadas ou de poderes em cada sector para conquistar, dão lugar a confrontos mais baseados na perícia com a arma. Não há muito contra esta medida redutora neste modo, claramente a precisar de uma revisão urgente desde o primeiro jogo.

O problema está nos restantes modos PvE. Dado o design genérico da acção do jogo, as tácticas do Crucible eram particularmente eficazes contra a Inteligência Artificial do jogo. Agora com as chamadas “Armas de Poderes”, a utilização das espingardas sniper, caçadeiras ou lança-foguetes tornou-de relativamente rara, dada a tal parca quantidade de munições. As próprias habilidades são igualmente mais lentas a recarregar. Tudo isto pode criar uma situação de maior dificuldade, por exemplo nos Strikes, ainda por cima reduzidos a 3 participantes.

A insatisfação dos fãs fez-se sentir pelas redes sociais. Páginas inteiras de jogadores a reclamar destas alterações, sobretudo na batalha final do tal Strike, que fica praticamente confinada ao uso de armas convencionais (espingardas de assalto, Pulse, SMG, pistolas, etc). Por outro lado, dada a limitação da própria Beta, as armas são virtualmente todas iguais, não havendo real vantagem entre elas, excepto na cadência de fogo ou na estabilidade. O combate parece desequilibrado e moroso, salientando a muleta criativa dos adversários serem esponjas de balas e não parecerem ter nenhuma fraqueza significativa.

Perante estas vozes da discórdia, é quase certo que a Bungie vai mexer nestas lógicas todas, na ingrata tentativa de agradar “gregos e troianos”. Não diria que vá retroceder ao que foi outrora o primeiro jogo, mas talvez chegue perto. Até porque no enredo de Destiny 2, os Guardians estão desprovidos de Light tornando as habilidades algo redundantes. Assim sendo, o foco poderá estar mesmo nas próprias armas mais convencionais e não tanto nas especiais ou nessas próprias habilidades das personagens. Resta apenas saber se os fãs estão dispostos a mudar o seu estilo de jogo.

A pergunta que farão é se eu gostei destas alterações e do que Destiny 2 poderá trazer. De um modo geral, foi uma excelente oportunidade de voltar a este jogo, com ou sem novidades. Visualmente, é tudo familiar, mesmo que algo destruído no modo de carreira. O Crucible pareceu-me bem mais apelativo para um jogador que, como eu, não gostava muito da acção “manhosa” do primeiro jogo. E mesmo as alterações das armas especiais e habilidades não me pareceram assim tão negativas no PvE. Pelo menos não tanto como alguns jogadores indicam por aí.

Só que… Destiny 2 não é particularmente um jogo fantástico ou inigualável no que toca ao combate em si. Adversários esponja de balas nunca podem criar uma acção divertida (que o diga The Division da Ubisoft). Assim sendo, se a acção se centrar, de facto, no tiro em si com as próprias armas a ter um papel mais “mecânico”, ao ponto de meter de lado os poderes das personagens, Destiny 2 corre o risco de se tornar num jogo perfeitamente banal. Desaparecendo o apelo das lógicas balanceadas entre balas e poderes do primeiro jogo, é bem possível que “não chegue”. A concorrência é forte, lembrem-se.

A beta de Destiny 2 começou com acesso antecipado para quem pré-encomendou o jogo no dia 18 de Julho, primeiro em exclusivo na PlayStation 4. Ontem, no dia 19, juntou-se a Xbox One, também em acesso antecipado. A Beta pública arranca já amanhã dia 21 de Julho e termina a 23 para todos os utilizadores das duas consolas. A versão PC terá também a sua Beta até ao final de Agosto. Saibam qual o conteúdo neste outro artigo.

Destiny 2 será lançado a 8 de Setembro deste ano para PlayStation 4 e Xbox One. Haverá também uma versão PC a lançar posteriormente numa data a anunciar.

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