A convite da PlayStation Portugal fomos experimentar em primeira mão a pequena PlayStation Classic. Com ela, viajámos 25 anos no tempo, directamente para a nossa adolescência. Este é o relato da nossa experiência.

A PlayStation mudou tudo. Esta era uma altura em que os jogos em 3D estavam a dar os primeiros passos. E a Sony não quis perder a oportunidade de participar nesta mudança. A PlayStation foi originalmente planeada como um projecto conjunto com a Nintendo. Contudo, já sabemos que não correu como esperado e a Sony percebeu que a sua rival já tinha outros planos.

O resultado foi uma peça de hardware independente e extremamente ambiciosa que trouxe os videojogos para as massas. O grande orçamento da Sony garantiu o sucesso para o seu poderoso hardware que atraiu algumas das melhores produtoras da altura, como a Namco, Capcom, Electronic Arts ou Activision. De repente, a PlayStation surgiu em muitos lares, cheia de jogos míticos e o resto… é história.

Com o enorme sucesso da NES Classic, era inevitável que começassem a surgir mais algumas consolas miniatura, em jeito de celebração do importante legado que as plataformas clássicas deixaram. A Sony, percebendo o potencial e tendo em conta toda a sua história que mencionámos em parte, decidiu seguir as pegadas da Nintendo. O resultado é uma miniatura da sua consola “Clássica”, 45% mais pequena que a original, com dois comandos e com 20 jogos pré-carregados.

A apresentação da PlayStation Classic decorreu em Oeiras no espaço Nostálgica, o primeiro museu de videojogos e tecnologia de Portugal, fundado por Mário Tavares. A escolha do local não podia ter sido melhor. Ao nosso redor, tínhamos mais de 40 anos da história de videojogos, com imensas consolas, máquinas de arcada e computadores que ajudaram esta indústria a atingir o patamar que conhecemos hoje. Aliado a isso, tínhamos obviamente a nossa querida PlayStation original que até nos permitiu comparar tamanhos com a sua nova nova versão miniaturizada.

Esta nova versão da PlayStation, como seria de esperar, pode ser facilmente ligada a uma televisão moderna com a ajuda de um cabo HDMI. Curiosamente, a ligação à corrente é feita através de um cabo micro-USB, tal como a maioria dos dispositivos móveis de hoje em dia. Os comandos são réplicas do comandos originais, aqueles ainda nem tinha sticks analógicos ou vibração. Podem ser ligados na parte frontal através de duas portas USB, estas presentes no mesmo local que as ligações com fios dos comandos da consola original.

Assim que ligamos a consola, surge o logótipo da Sony Interactive Entertainment e de seguida é apresentado um menu com os mesmos tons da consola de 1994, agora com as capas dos tais 20 jogos pré-carregados. Entre eles, estão grandes clássicos como Metal Gear Solid, Final Fantasy VII, Tekken 3 ou Resident Evil Director’s Cut. Além destes destaques, também existem alguns títulos menos conhecidos, pelo menos nesta região. Estamos a olhar para ti, Jumping Flash! Esta é a lista completa dos jogos:

  • Battle Arena Toshinden
  • Cool Boarders 2
  • Destruction Derby
  • Final Fantasy VII
  • Grand Theft Auto
  • Intelligent Qube
  • Jumping Flash
  • Metal Gear Solid
  • Mr Driller
  • Oddworld: Abe’s Oddysee
  • Rayman
  • Resident Evil – Director’s Cut
  • Revelations: Persona
  • Ridge Racer Type 4
  • Super Puzzle Fighter II Turbo
  • Syphon Filter
  • Tekken 3
  • Tom Clancy’s Rainbow 6
  • Twisted Metal
  • Wild Arms

Os mais nostálgicos devem estar neste momento a perguntar, “então e o pequeno slot do Memory Card?”. Gostarão de saber que não é preciso. O progresso dos jogos é gravado automaticamente na memória interna da consola. O momento da gravação acontece quando se carrega no botão Reset para voltar ao menu principal. São boas notícias para não perdermos o progresso, como é lógico. Contudo, não deixa de dar alguma pena por não termos essa dinâmica de salvar o jogo num cartão próprio. E era interessante podermos até recuperar algum cartão perdido lá em casa e continuar o jogo de há uns anos atrás.

Outra questão que nos deixou muito curiosos, era saber como se iria trocar de disco (na altura CD-Rom) em jogos que têm mais que um. Obviamente que não é preciso “trocar” de disco propriamente, mas alguns jogos tinham mesmo secções que pediam para trocar de CD. Era o caso do FF VII, um dos jogos na lista. Ao menos aqui, não a Sony não perdeu a oportunidade de piscar o olho aos nostálgicos. Quando assim acontece, podemos carregar no botão que originalmente abria a tampa dos CDs e, ao fazê-lo, irá surgir um menu no ecrã que permite-nos escolher o CD que pretendemos carregar. Genial.

Os jogos em si, a partir do momento que fazem a escolha no menu, carregam de forma quase imediata e como seria de esperar. Surge o famoso logótipo com o som característico da PlayStation e, a partir daí, todos funcionam como os originais. O ritmo de carregamento não está demasiado rápido, nem demasiado lento. E como se tratam de jogos clássicos, não esperem quaisquer melhorias gráficas. A proporção mantém-se nos originais 4:3 e não há quaisquer filtros ou possibilidade de esticar a imagem nos televisores modernos.

Infelizmente, notámos a ausência de títulos tão importantes como Gran Turismo ou Crash Bandicoot nesta consola. Foram jogos que contribuíram bastante para o seu sucesso e acabaram por se tornar sinónimos da própria consola . Possivelmente, a sua ausência deve-se a questões de licenças que nos ultrapassam, mas não deixa de ser uma oportunidade perdida. Idealmente, seria óptimo surgir uma opção de adicionar mais jogos à consola. Não sabemos os planos da Sony neste campo, mas por aqui fazemos figas para que um dia esta funcionalidade possa aparecer em alguma actualização de firmware, por exemplo.

O melhor sentimento ao experimentar esta consola foi, obviamente, um de nostalgia. É interessante como o simples som da consola a iniciar consegue transportar-nos para as tardes chuvosas sem aulas e com a chuva a bater nas janelas. Respondendo à pergunta inicial, esta PlayStation Classic cumpre o objectivo de celebrar estes 24 anos de PlayStation. Estes são os primórdios da Sony neste meio. Este é um pedaço de história, para nostálgicos, coleccionadores, entusiastas e mesmo os recém-chegados, que podem aqui constatar como esta indústria cresceu tanto.

A PlayStation Classic estará à venda a partir do dia 3 de Dezembro e terá um preço recomendado de 99,99€ em diversas lojas pelo país. Os compradores terão dois comandos para títulos que suportem dois jogadores, um cabo HDMI e um cabo micro-USB para a energia da consola. Notem que, curiosamente, não estará incluído um transformador USB.