Reportagem – Lisboa Games Week 2017

490

Estivemos presentes na edição deste ano da maior feira de videojogos em Portugal e contamos como foi.

Foi durante quatro dias, de 16 a 19 de Novembro, que decorreu a quarta edição do maior evento dedicado aos videojogos em Portugal. No total, estiveram 55.286 na Lisboa Games Week 2017. E o WASD esteve por lá, dando o seu obrigatório testemunho. 

Um ano depois, a LGW teve imenso tempo para amadurecer. Alguns erros do ano passado tiveram oportunidade de serem corrigidos enquanto que algumas áreas que podiam ser melhoradas ou expandidas deviam ser alvo de alguns ajustes. Por isso, a nossa expectativa era, de alguma forma, grande em relação à feira que iríamos ter este ano. Felizmente, a organização esteve bem atenta às críticas. Ficou também no ar a ideia que houve mais investimento e interesse numa maior oferta aos visitantes. A maior parte dos pontos que assinalámos no ano passado acabaram resolvidos ou mitigados.

Para representar mais de 300 entidades e marcas, a organização decidiu alargar o espaço para dois pavilhões da Feira Internacional de Lisboa no Parque das Nações, incluindo um grande auditório. No total, tivemos este ano 25.000 m2 de recinto dedicado às principais marcas de jogos e consolas, sem esquecer os espaço para patrocinadores, lojas, passatempos, competições e formação para escolas. Não é que precisemos algo realmente gigante, mas para tanta oferta, sempre em crescimento, era mesmo necessário que não se tentasse aglomerar tanta coisa num só pavilhão.

Mais espaço significou também uma maior área de exposição para cada marca e entidade presente. Para os visitantes, porém, ainda foi mais importante, resolvendo o problema de espaço para caminhar sem atropelamentos que vimos em anos anteriores. Com mais amplitude, também foi possível organizar melhor todos os stands. Uma boa parte da restauração, por exemplo, ficou na zona entre os pavilhões 3 e 4, evitando mistura de cheiros que se sentiu no ano passado. Nota positiva, por todo o espaço existiam vários ecopontos para o lixo, todos eles bem identificados e com voluntários sempre prontos a manter o espaço organizado e limpo.

Falando no que interessa, os jogos foram o óbvio destaque deste ano. Começando pela origem dos videojogos, estava também presente num espaço dedicado exclusivamente ao retrogaming. Este ano esta secção esteve a cargo da RetroShop. Numa área ampla estavam presentes diversas máquinas de arcadas e várias consolas e computadores com os melhores jogos clássicos. É sempre uma boa ocasião para os visitantes testemunharem como toda esta indústria em celebração começou.

Ali ao lado, voltou-se a repetir algo que nos anos passados achámos menos positivo. As lojas dedicadas à venda de merchandising e hardware são um apanágio e até se conseguem bons negócios nestas feiras. Com cada loja a ter um espaço próprio, gostámos de ver como a organização garantiu que estas lojas tivessem uma área mais reservada, foram das zonas mais movimentadas dos stands das grandes marcas e representações. Para produtos informáticos, as lojas mais sonantes foram a Alientech e a Globaldata. A HP, com a linha gaming da Omen esteve presente também no centro do evento com várias plataformas da marca para o público conhecer e experimentar.

Depois de alguns anos relativamente comedida nas suas presenças em público, a Nintendo Portugal montou o seu maior stand de sempre com uma área dedicada aos principais títulos da Nintendo Switch. Jogos como Super Mario Odyssey, The Legend of Zelda: Breath of the Wild, Mario Kart 8 Deluxe, Xenoblade Chronicles 2 e Splatoon 2 fizeram as delícias dos fãs. Num palco criado para o efeito, decorreram alguns passatempos e até torneios. Achamos que a marca nipónica teve, finalmente, a presença que devia, mostrando o enorme empenho da representação nacional em colocar a Big-N onde merece estar: junto dos seus fãs.

Ao seu lado esteve a Capital Games cujo leque de oferta continua impressionante. Além das suas habituais representações de marcas famosas, damos destaque à Rockstar e a sua remasterização de L.A. Noire e a Ubisoft com diversos títulos, incluindo Assassin’s Creed: Origins. Neste espaço estiveram também outros jogos do momento da 2K Games como WWE 2K18NBA 2K18. Além disso, a distribuidora está empenhada em representar mais marcas de hardware, contando com fabricantes como a Trustmaster, Turtle Beach e HORI. Os mais audazes puderam também testar diversos simuladores de condução e de voo, estes últimos com o apoio da Força Aérea Portuguesa.

Do outro lado estava um dos melhores stands deste evento. A Warner Bros. estava realmente bem representada pela Upload Distribution com um enorme fortaleza inspirada em Middle Earth: Shadow of War. Aqui estavam montadas muralhas em torno de 20 Xbox One X com o jogo a correr e não faltavam Orcs a rondar para ver se estava tudo a correr bem. Contudo, havia mais para ver neste enorme stand. A marca LEGO é muito apreciada pelos portugueses com as consolas sempre ocupadas. Os títulos LEGO Ninjago, LEGO Marvel Super Heroes 2, LEGO Jurassic Park e LEGO City estavam em destaque. Claro que WRC 7 não podia faltar, com direito até a conduzir um verdadeiro carro WRC e tudo.

Uma vez mais, foi a Sony PlayStation Portugal a grande estrela da LGW. Tinha uma presença a ocupar grande parte do segundo pavilhão, com especial destaque para os jogos da plataforma PlayLink e do PlayStation VR. Claro que o jogo mais recente Gran Turismo Sport tinha grandes máquinas para chamar a atenção de todos os amantes de velocidade. No total, a zona PlayStation ocupava uns incríveis 2000 m2 e tinha todo o tipo de jogos desde os já  lançados, inclusive de outras representações, como Star Wars: Battlefront II ou Call of Duty: WW2. Mas também houve apresentações de títulos que serão lançados em 2018 como Dragon Ball FighterZ, Shadow of Colossus Remastered ou Detroit: Become Human, no qual tivemos oportunidade de entrevistar o argumentista do jogo Adam Williams.

Neste ano, não podiam faltar os eSports. Já em outros anos tivemos torneios ao vivo, mas nesta edição tudo foi ampliado. Tivemos um espaço dedicado para competições organizadas pela ASUS, Federação Portuguesa de Futebol e pela já mencionada Nintendo. As provas decorreram durante os quatro dias do evento com a plateia muito bem composta por entusiastas. E estas competições foram, aliás, uma marca comum pela feira e não só neste espaço. Também diversas outras empresas apostaram nesta vertente, marcando presença com equipas famosas deste novo desporto cada vez mais emergente.

Outro stand que não podemos deixar de mencionar é do PlayStation Talents, também anexo ao já mencionado stand gigante da Sony PlayStation. Este programa tem como objectivo encontrar os melhores jogos independentes para posteriormente serem publicados pela própria Sony, como aconteceu em edições anteriores com títulos como Dogchild e o futuro Strikers Edge da portuguesa Fun Punch Games. Neste espaço estavam representados os semifinalistas deste programa e tivemos oportunidade de conversar com os criadores e experimentar três desses títulos, nomeadamente Nameko, Bitfrost Bite e Out of Line. Mais sobre isso em breve.

Uma nota menos positiva para algumas ausências. Este é o maior evento do género a nível nacional e não podemos deixar de assinalar que diversas marcas, organizações e entidades não marcaram a sua presença de forma visível. Algumas até já estiveram em anos anteriores, mas decidiram não comparecer nesta edição. A mais assinalável ausência é mesmo a da Microsoft Portugal. Num ano com bons exclusivos nesta marca, inclusivamente com uma nova consola recentemente lançada, não é concebível que a Xbox One X só estivesse representada por terceiros (Upload Distribution, Worten e 1Up Gaming Lounge), ficando a marca em si ausente. Achamos que os fãs da Xbox, como nós, não merecem esta desconsideração.

O que mais estranhamos nestas ausências, é que outras entidades, que até nem possuem grandes laços com os videojogos, entenderam o valor deste tipo de eventos. No fundo, é uma feira para jovens e adolescentes, que querem ter aqui um serão diferente e interessante. Gostámos da forma como empresas de robótica, corridas de drones ou de outras tecnologias, sem esquecer o enorme stand do Exército Português, com equipamento e armas reais expostas, tiveram vontade de se apresentar com o melhor que podiam trazer. Mesmo que digam que nada disto está relacionado com os videojogos, é uma excelente experiência para os visitantes.

Nesta edição da Lisboa Games Week assistimos a várias melhorias dos anos anteriores. O recinto alargado para dois pavilhões permitiu mais espaço para evitar as confusões. As zonas em comum dos locais de venda ajudaram a organizar melhor as filas e as confusões. Os stands esmeraram-se para dar mais espaço de oferta, mas também de circulação. Testámos muita coisa e experimentámos algumas novidades com genuíno à vontade. Até mesmo por causa do dia adicional que tivemos na Quinta-feira.

Em suma, foi um excelente evento para testemunhar o melhor que há da indústria e sobre o seu crescimento contínuo. Lamentamos ausências que, sem querer mencionar que não trazem grande imagem às empresas que preferem não estar presentes, pelo menos empobrecem a oferta aos visitantes. Continua a ser um evento recomendado para todas as idades, para quem segue esta indústria e para quem gosta assistir à sua evolução.

Vejam as nossas duas galerias de imagens do evento aqui e aqui. Consultem o nosso Hub LGW2017 nesta página dedicada com todos os assuntos relacionados. Para o ano há mais e nós estaremos por lá.