Mudando de ares para Lisboa, a Comic Con Portugal deste ano teve lugar no Passeio Marítimo de Algés. O espaço de celebração da cultura pop juntou no mesmo espaço os cosplayers, os coleccionadores e… os gamers. E nós estivemos lá.

Esta foi, seguramente, a maior edição do evento. Até à data deste artigo, não obtivemos os dados oficiais mas, à conversa com os organizadores, ficou essa sensação no ar. Não desprestigiando o enorme espaço da Exponor em Matosinhos onde se realizaram as edições anteriores, a área disponível em Algés pareceu francamente ampla. Permitiu que milhares de pessoas visitassem dezenas de espaços das mais diversas áreas sem grande congestionamento mas com imensa adesão. Estivemos presentes em dois dos dias do evento e foi impressionante a dimensão das filas e das enchentes perto de alguns espaços.

Algo que temos vindo a notar em diversos eventos no passado recente é a predominância de lojas de merchandise e coleccionismo. Este é o espaço dedicado para este tipo de lojas, obviamente. Milhares de jovens e menos jovens a celebrar a sua fandom, são aliciados a comprar itens de diversos temas associados ao que os rodeia. Faz sentido, não é algo desajustado e, dado o enorme espaço do evento, a quantidade lojas nem sequer incomodam. Contudo, uma vez mais, é dado um pouco de protagonismo a mais a estas lojas, ocupando um espaço central e relegando alguns espaços mais relevantes para segundo plano.

Foi o caso do espaço de Gaming, afinal um dos motivos para o WASD estar presente. Esta tenda gigante estava encostada a um dos limites do evento. Lá dentro, estavam algumas das maiores marcas e distribuidoras de jogos e de hardware. A Sony PlayStation tinha um enorme espaço dedicado ao seu maior sucesso, Marvel’s Spider-Man. Um local fantástico, decorado a rigor e que fez as delicias dos fãs. Só faltaram mesmo umas teias penduradas e o Aranhiço em si, que teimou em aparecer apenas no jogo.

Um pouco mais à frente, estavam os “suspeitos do costume”. A ASUS e a HP Omen não perdem a oportunidade de demonstrar os seus produtos, com esta última novamente a trazer a sua já famosa “gaiola”. Nesta mesma tenda houve espaço para equipas de eSports demonstrarem os seus dotes e até havia um espaço para torneios de vários jogos, inclusive do famosos PUBG, este reservado a uma tenda adjacente.

Mesmo na entrada desta tenda de gaming, estava a incansável Upload Entertainment com dois dos seus destaques dos próximos tempos. Hitman 2 estava no foco central do seu stand, onde nem sequer o Agente 47 resistiu a jogar consigo próprio (no bom sentido). Também no espaço estava o novo LEGO: DC Super-Villains, um título que os mais novos claramente não resistem.

Outra empresa que já se torna habitual nestes eventos é Nintendo. Não só a Big-N tem uma presença assídua, como não resiste a trazer sempre grandes novidades para os fãs. A Nintendo Switch vai ter excelentes títulos este ano e nesta Comic Con os visitantes puderam jogar alguns deles: o novo Smash Bros., Mario Party, FIFA 19, Dark Souls, entre outros, estavam sempre concorridos, cheios de curiosos para experimentar o que a pequena grande consola é capaz. E não esquecer o espaço para Nintendo Labo para miúdos e graúdos.

Em termos de representação nacional de jogos, temos dois destaques para fazer. Em primeiro lugar, nesta mesma tenda, estava a produtora BigMoon Entertainment, com o seu novo jogo oficial Dakar 18. No espaço, esteve o lendário Ari Vatanen, sim o próprio que também faz a sua aparição em jogo. O veterano desta prova não resistiu a experimentar este título. E a avaliação pareceu-nos muito positiva.

Noutro destaque, devidamente instalado num espaço dedicado, estava o espaço do Gamedev. Aqui, uma vez mais, pudemos acompanhar diversos projectos de jogos nacionais, alguns que já temos vindo a avaliar em eventos anteriores. É bom ver que o apoio a jovens produtores está em força e é ainda melhor constatar a qualidade dos títulos em produção. Um único reparo é que não existe muita informação aos visitantes sobre a finalidade este espaço. Algo que, certamente, escapou à organização.

Para um evento que não é propriamente relacionado com o gaming, temos de realçar o esforço da organização e dos expositores em criar aqui uma mini-convenção para os gamers presentes. Para todos os efeitos, o espaço dedicado aos jogos desta Comic Con continha uma dimensão respeitável, tornando-se cada vez mais relevante nesta área, ainda por cima, nesta sua nova dimensão realizando-se na Capital.

Se tivermos de apontar alguma questão ao evento em si, talvez o preço dos bilhetes tivessem sido uma das maiores críticas. Em antecipação, um bilhete de adulto tinha um custo de 25€, enquanto que no dia do evento custava 35€. Já as crianças dos 6 aos 12 anos tinham direito a um bilhete por 10€. Compreende-se que haja um custo a pagar por um espaço tão vasto e tão bem apetrechado de actividades e empresas, além dos óbvios gastos com infraestruturas. Contudo, parece-nos que o preço é um pouco elevado para o que depois é possível usufruir no espaço, sobretudo porque algumas das actividades em alguns stands tinham um custo acrescido.

O certame, logicamente, tem o seu público alvo. Os cosplayers, por exemplo, “jogavam em casa”, assim como os fãs dessa tal cultura pop com muitas actividades para visitar. Contudo, notámos que outros tópicos estavam francamente desfalcados, como a própria banda-desenhada (que dá nome ao evento, já agora) ou outra actividades relacionadas com este meio. Por outro lado, sendo os principais patrocinadores do evento a NOS e a gigante FOX, era de notar a quantidade de stands promocionais de séries e filmes do audiovisual. Alguns fizeram bastante sentido, quem não quer tirar uma foto com Drogon de Game of Thrones? Contudo, alguns outros estavam claramente fora de contexto.

Achamos que há sempre espaço para este tipo de marketing, assim como uma das principais bandeiras deste certame, as entrevistas e “meet and greet” com celebridades mais ou menos conhecidas do panorama televisivo ou cinematográfico. Tudo faz parte e serve como chamariz para muitos curiosos e fãs. Apenas pensamos que a organização devia pensar num equilíbrio nos espaços ocupados por estas actividades em futuras edições. O destaque pode ser mais elevado para a banda-desenhada, para a fandom e mesmo para os próprios jogos. É assim mesmo lá fora nestes eventos.

De um modo geral, a Comic Con Portugal está assumir um papel cada vez maior. Estamos ainda a anos-luz das suas congéneres internacionais, com a de San Diego ou a de Nova Iorque, só para falar das mais famosas. Contudo, dada a nossa dimensão, esta edição da Comic Con nacional demonstra uma capacidade de fazer coisas em grande, com muito interesse em crescer ainda mais. Vejamos se há mais adesão de expositores no próximo ano, talvez chamando a atenção dos grandes “players” internacionais, para fazer do certame ainda mais rico em conteúdo.