Costuma-se dizer que “o que é bom acaba depressa”. Este provérbio não podia estar mais certo nestes dias. A PlayStation 3 vê agora a sua produção a chegar ao fim, depois de 11 longos anos, todos eles cheios de grandes jogos e experiência memoráveis.

Olhando para trás parece que todos estes anos de vida da consola passaram a correr. A PS3 foi anunciada durante a convenção E3 em 2005, com um protótipo da nova consola da Sony. Esse protótipo continha duas entradas HDMI, três de Ethernet e 6 de USB, em conjunto com um infame design de comando, que ficou conhecido como o “boomerang”.

Quando voltou a surgir na E3 do ano seguinte, a consola mantinha o seu aspecto, mas com muito menos portas e com um comando a relembrar o galardoado DualShock 2 que já conhecíamos do anterior modelo. Segundo a Sony, a redução de portas deveu-se a um corte de custos na produção. Mesmo com esse ajuste orçamental, porém, a consola continuou a ser vendida com algum prejuízo durante alguns anos. Mas, já lá vamos.

A PlayStation 3 ficou disponível em algumas regiões em Novembro de 2006. Contudo, por cá só tivemos oportunidade de a comprar no dia 23 de Março de 2007. Esta diferença de lançamentos deveu-se, maioritariamente, à escassez de alguns componentes específicos para a produção do leitor de discos Blu-Ray.

Quando ficou finalmente disponível, existiam dois modelos à escolha: um com 20GB de disco interno e outro com 60GB. Contudo, havia muitas mais diferenças para além do espaço em disco entre estas duas consolas. O modelo de 60GB, tinha um custo de 599€ (100€ mais caro que a versão 20GB) e era o único modelo com um leitor de cartões e capacidade de jogar os jogos da PS2 de forma nativa.

Na altura do seu lançamento, a PlayStation 3 tinha no seu interior um hardware invejável. Era normalmente apelidada de “supercomputador” devido à sua computação de alta performance. Segundo a Wikipedia, em Novembro de 2010 o laboratório da Força Aérea Americana, criou um super computador ao ligar 1.760 consolas PS3 entre si. O resultado foi uma máquina capaz de calcular 500 triliões de operações por segundo (500 Teraflops), tudo para analisar imagens de satélite em alta-definição.

Claro que, com um poder de processamento desta magnitude, também se esperava que fosse usado para fins menos legais. Por isso, em 2008 um grupo de Hackers conseguiu decifrar a autenticação do famoso protocolo SSL com um cluster (aglomerado) de 200 unidades PS3. Mas, o utilizador comum podia contentar-se com uma só consola, não ficando insatisfeito com a sua performance.

Podemos constatar que qualquer geração de consolas PlayStation teve um grande impacto na indústria, ajudando a popularizar vários tipos de multimédia. No caso da PlayStation original, lançada em 1994, foi uma das primeiras consolas a usar o formato CD-ROM. A sua irmã mais nova, a PlayStation 2, lançada em 2000, possuía um leitor de DVD-ROM. Por fim, a consola que nos trouxe este artigo, foi a primeira a usar um sistema de Blu-Ray, que oferecia 5 vezes mais capacidade que um DVD normal. Mas a consola foi também um bom banco de ensaio para diversas marcas testarem outras tecnologias de processamento.

O processador central e gráfico, intitulado de Cell, foi desenhado em conjunto com a Sony, Toshiba e a IBM. Tinha 8 núcleos a 3.2Ghz, mas os programadores só tinham acesso a sete, ficando o restante processador dedicado ao sistema operativo. Para manter a fluidez, a consola contava com 256 MB de XDR RAM e 256MB de memória GDDR3 na placa gráfica. Não esquecer que esta foi a primeira consola a ter ligação à internet via Wireless, ligação sem fios Bluetooth 2.0 e, claro, foi também a primeira consola com leitor Blu-Ray como sistema principal de leitura. Com o BluRay a oferecer armazenamento até 50GB, a possibilidade de reproduzir filmes neste formato com a resolução de 1080p e uma qualidade de som com capacidade de áudio 7.1, a PS3 chegou a ser uma excelente alternativa a muitos sistemas de Home Cinema.

Por melhor que fosse a sua qualidade, porém, as consolas não estão livres de problemas. E o primeiro modelo da consola, conhecido como PS3 “Fat”, sofria de vários problemas. A maioria destes era causado devido à sua ventilação pouco eficiente. Por causa do aquecimento, acabaria por trazer problemas ao nível da integridade do hardware. Ainda hoje, muitos recordarão o mítico LED amarelo a piscar, problema que ficou conhecido como o YLOD (Yellow Light of Dead). Depois de alguma investigação, descobriu-se que a causa deste erro estava nas soldaduras dos componentes electrónicos que, com o calor excessivo, chegavam a derreter e soltar os chips.

Por cá, também fomos vítimas deste problema. O arranjo nem sempre era barato e a Internet ensinou-nos a corrigir de forma rápida, recorrendo a um secador de cabelo ou pistola de ar quente. Contudo, não era um arranjo definitivo e passados um dias ou meses, lá voltámos a abrir a consola para dar mais um pouco de calor. Eventualmente acabou por avariar por completo. Este problema comum ditou o final das versões de 60GB, as únicas que eram compatíveis com os jogos da PlayStation 2. Hoje em dia, encontrar uma versão destas, já é considerado uma raridade, principalmente uma que nunca tenha sido reparada.

Com a evolução do mercado e com a concorrência a lançar novos produtos, a Sony acabaria por lançar novos modelos da consola original. Contudo, no topo da sua popularidade em 2009, a PlayStation 3 viria a receber um novo modelo mais fino e de menores dimensões. Com a nova consola, carinhosamente chamada de “Slim”, chegou também um rebranding, passando a Sony a falar da sua consola como os jogadores já o faziam: PS3. Com este modelo, a Sony viu o seu problema de refrigeração da sua consola, praticamente resolvido. Era mais silenciosa, mais económica e trazia no seu interior discos rígidos maiores. Por cá, tivemos duas versões, uma com 120GB de espaço e outra com uns impressionantes 250GB.

Mas a revisita ao design da consola ainda não tinha terminado na PS3 “Slim”. Em 2012 chegou-nos um novo modelo, ainda mais estilizado: a “Super Slim”. Esta versão conseguiu ser ainda mais pequena e mais silenciosa que a anterior “Slim”. Para terem uma ideia, seu volume e peso era a metade da versão “Fat”. Recebeu duas versões em Portugal, uma com 250GB, e outra bem mais económica (apenas 229€) de apenas 12GB de memória flash (esta sem disco rígido). A versão com 250GB só ficou disponível no dia 28 de Setembro, nessa altura com a etiqueta de preço a marcar os 299€.

Claro que qualquer modelo de consola, por melhor que seja, precisa de grandes títulos para demonstrar o que é capaz. Todos sabemos que uma consola não é nada sem um bom lote de jogos exclusivos ou de terceiros. A PS3, como qualquer outra consola PlayStation, teve um catálogo de jogos invejável para mostrar o seu potencial. Seria exaustivo falar de todos, por isso vamos apenas recordar os dez melhores exclusivos, sem ordem específica. Digamos que estes foram, no seu tempo, jogos obrigatórios para qualquer possuidor desta consola, independente do modelo adquirido. E muitos destes títulos conseguiram provar o valor da consola, figurando em interessantes bundles com a consola.

Para além dos videojogos, a PlayStation 3 foi também muito usada para outro tipo de finalidades. Já falámos como era uma interessante “home cinema” alternativo, graças à qualidade do sistema BluRay. Mas a consola também foi usada para stream de filmes (com aplicações específicas), vídeo conferência em conjunto com a câmara PlayStation Eye, navegador da internet, leitor de música através de CDs ou ficheiros de áudio via USB, reprodução de vídeos digitais e até visualizador de fotografias alojadas no disco interno ou através de um dispositivo externo. Houve até aplicativos para ajudar pesquisas científicas que usavam o poder de processamento da consola quando não a usávamos para jogar!

Não podemos esquecer que foi esta consola que nos trouxe a famosa PlayStation Network, a PlayStation Store e o serviço PlayStation Plus. O primeiro serviço podemos descrever como uma plataforma online que interliga os jogadores para jogarem entre si. A PlayStation Store é a loja virtual que oferece conteúdo digital com jogos, demos e aplicações. Por fim, o PS Plus, que só chegou em 2010, permitiu aos jogadores terem acesso a versões trial e beta de forma antecipada, ofertas especiais, descarregar demonstrações de jogos exclusivos e outras funcionalidades que foram adicionadas mais tarde, tudo em troca de um valor mensal. Todos estes serviços são agora lugar comum nas actuais PS4 e PSVita, mas foi a PS3 que serviu de plataforma pioneira.

Apesar de gozar de alguma hegemonia em alguns territórios, a PS3 teve concorrência feroz, sobretudo no que toca a ports de jogos. As versões de jogos multiplataforma nem sempre souberam tirar pleno proveito do Hardware da consola. Tida como “difícil de programar”, na maioria dos casos apenas os jogos de produção interna conseguiram ter bom aspecto. Em alguns casos, as versões dos jogos na PS3 eram visualmente mais pobres ou mais limitadas, comparadas com a concorrência. Raramente isto era causado por alguma inferioridade técnica, mas claramente causadas por dificuldades de optimização. Contudo, numa boa maioria dos casos as diferenças eram residuais ou resolveram-se com actualizações posteriores.

Apesar da sua elevada segurança, a PS3 também foi alvo de pirataria. Inicialmente foi descoberta uma falha no sistema que permitia que o sistema ser iniciado através de dispositivos USB, para que aparelhos específicos pudessem realizar o dito “jailbreak” à consola. Uma vez feita esta alteração, era possível fazer cópias dos jogos para a memória interna ou para qualquer dispositivos USB, para posteriormente executar sem a necessidade do disco original.

A Sony conseguiu combater esta alteração através de actualizações, mas os hackers obtiveram acesso ao código do firmware e desde então criaram versões personalizadas sem necessitar de qualquer dispositivo para fazer o jailbreak.

Mesmo assim, a PlayStation 3 conseguiu ser a segunda consola mais vendida da sua geração com cerca de 86 milhões de unidades vendidas. Uma marca muito interessante, só ultrapassada pela Nintendo Wii. Só por curiosidade, a sua rival directa Xbox 360 chegou muito próximo desse volume de vendas, mas ficou-se pelo terceiro lugar global com uma diferença de menos 1 milhão de unidades vendidas. E isto é um feito curioso, uma vez que a consola nem sempre foi bem tratada pelas diversas marcas e representações regionais e, acima de tudo, dados os problemas técnicos dos primeiros modelos.

A notícia sobre a descontinuidade de produção da PlayStation 3, não significa que a Sony deixará de dar suporte à consola. Esta plataforma continuará a ser integrada com a PSN, a receber jogos gratuitos através do PlayStation Plus e, quem sabe, ainda receberá alguns novos jogos de outras produtoras. E notem que ainda hoje há PS3 à venda em lojas!

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