Prós e contras da Beta de Star Wars: Battlefront II

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A Beta Aberta teve os seus momentos altos e baixos, deixando no ar a ideia que possa ser uma build antiga.

A espera de uma das promessas do ano ficou menos complicada de suportar, graças a Beta Aberta de Star Wars: Battlefront II. Com todas as novidades já anunciadas pela DICE, porém, esta Beta “soube a pouco” e até deu a ideia que há ainda muito para fazer.

Star Wars é um daqueles títulos que desperta logo curiosidade. O primeiro jogo deste reboot pela mão da DICE e da Electronic Arts não foi propriamente consensual entre fãs e analistas. Basicamente, teve dois lados distintos na sua avaliação: Era, de facto, um colosso visual, capaz de nos levar literalmente para dentro da maior Saga do cinema. Por outro lado, foi também um flop de conteúdo, apenas apostando num online meramente causal e com pouco interesse no chamado “end game”. Este Battlefront 2 parece ser uma tentativa de trazer de volta a relevância que a série clássica teve e que o jogo anterior, praticamente, banalizou. Saibam que o clássico Star Wars Battlefront II de 2005 é um dos meus jogos preferidos. Vejamos se este reboot consegue rivalizar com ele, primeiro com esta Beta.

Embora não tivesse ainda um termo comparativo com o conteúdo do jogo final, vou apenas mencionar que, para efeitos de testes, esta Beta foi muito escassa. Apenas quatro modos de jogo com quatro facções disponíveis, parece-me pouco demonstrativo das capacidades do jogo final. Diz a DICE que este próximo jogo será, em tudo, três vezes maior que o primeiro. Mais armas, mais veículos, mais locais, mais modos, mais, mais, mais… Entendo que uma Beta não pode ser o jogo final, mas estes modos de jogo, um deles de mero treino, quatro facções e um punhado de armas, não me pareceu suficiente. Também pode ser o fã em mim a falar. Contudo, não ter sequer um mero capítulo do tão aguardado modo de campanha a solo, o tal omitido do primeiro jogo, parece-me uma falha tremenda.

Avaliando no rigor o que é uma Beta, porém, só posso concluir que esta fase, na verdade, não passou de uma simples demonstração para angariar pré-vendas. Assim sendo, até pode ter sido suficiente para abrir o apetite sobre o que aí vem. Analisando o seu conteúdo, parece que, pelo menos em parte, esta foi também a demonstração presente nas últimas feiras E3 e Gamescom para os presentes testarem. Pelo menos um dos modos, mapas e facções presentes são semelhantes ao que foi então apresentado. Assim sendo, espero que esta “build” do jogo seja antiga e sofra algumas melhorias e revisões, porque há muita coisa a assinalar de menos positivo.

Tal como na série “prima afastada” Battlefield, este novo Battlefront também tem um novo esquema de classes. Não mais escolhem apenas o lado e a arma que querem usar. Agora também escolhem o papel que querem desempenhar no exército por quem lutam. Presentes nesta Beta estiveram o Império, os Rebeldes, a CIS (dróides) e a República (Clones). Todas estas facções possuíam as classes de infantaria de Assalto, Pesada, Oficiais e Especialistas. Todos possuem características, armas e habilidades diferentes. A infantaria Pesada tem mais energia e poder de fogo mas é mais lenta nas suas habilidades. O especialista é o sniper de serviço com capacidade de sondar o campo de batalha. Já os Oficiais possuem capacidade de curar aliados e largar torres automáticas. A classe de Assalto, pronto, representa o soldado para todo o serviço.

Estas classes podem sofrer alterações e melhorias de habilidades e de capacidades mediante umas cartas modificadoras. Estas podem alterar o armamento, dar um boost de energia, entre outras alterações. Apenas um punhado delas estavam disponíveis nesta Beta, tendo até três slots para escolher a nossa “mão” em cada personagem. Confesso que não prestei muita atenção a todas as cartas disponíveis, porque muita coisa foi alterada desde o primeiro jogo. As mãos não são comuns entre soldados, pelo que é preciso personalizar os slots consoante as cartas para cada classe. Gostarão de saber que as cartas têm uso ilimitado e sem pickups em jogo, pelo que temos apenas de confiar no refresh de cada carta.

E como ganham essas cartas? Não, não terão de as comprar numa loja ou fazer alguma missão para Jabba The Hutt como no primeiro jogo. As cartas são ganhas de forma aleatória através de caixas de loot que vamos desbloqueando cumprindo objectivos, ou comprando com dinheiro ganho em jogo. Sim, é mais um jogo com caixas de loot para comprar. As infames micro-transacções são a nova mina de ouro das editoras, agora que os DLCs estão pela “hora da morte”. As caixas também podem ser compradas com dinheiro real e, adivinharam, as cartas que oferecem possuem diversos níveis de raridade. Até ver, não me pareceu que as caixas compradas com dinheiro real tivessem grande vantagem sobre as compradas com dinheiro em jogo. Mas, esta foi só uma Beta…

O que mais me deixou apreensivo é que este esquema obriga a comprar mais e mais caixas para obter cartas realmente relevantes. Preferia comprar as cartas que me mais me interessavam, mas sou obrigado a esperar que me “saiam” na próxima caixa. E esta questão é ainda mais injusta quando temos materiais de crafting e outros bónus atribuídos também aleatoriamente por caixa. Para criar uma simples mira que aumentava a estabilidade de uma arma, por exemplo, é preciso 100 itens de crafting. Considerando que em 5 caixas que abri apenas 3 tinham 10 itens cada, estão a ver quantas caixas tenho de abrir para melhorar a minha arma? Neste aspecto das cartas, o primeiro jogo parecia bem mais justo.

Quando não estamos a perder a paciência com este autêntico “jogo da sorte” das caixas de loot, vamos para a tal acção que, afinal, é o que mais interessa. Apesar de tudo, a acção linear do primeiro jogo era bastante viciante. Podia não ter o polimento da série Battlefield, mas herdou muita da sua jogabilidade “pesada”, baseada num espírito de equipa. Uma das características que mais aprecio no primeiro Battlefront da DICE é a sua simplicidade de comandos e as mecânicas de armamento e movimento. A produção não precisava fazer muito mais que apenas repetir a dose, expandindo o conteúdo. À boa maneira da DICE, porém, foram mais longe, com resultados mistos… como sempre.

Disponível para os jogadores da Beta estiveram os modos Arcade, uma excelente oportunidade de treinar o uso de unidades especiais e heróis, Galactic Assault, com 40 jogadores (20v20) num modo de escolta de um enorme tanque com atacantes e defesas, o muito esperado regresso aos combates no espaço com Starfighter Assault e o modo Strike que, basicamente, é umas espécie de capture the flag, mas com os soldados da First Order a atacar e os Rebeldes a defender. Como já disse, só faltou mesmo um pequeno vislumbre do modo de carreira a solo que fazia todo o sentido estar presente nesta Beta. Enfim.

Além das já mencionadas cartas modificadoras de jogo para cada uma das novas classes, há outras novidades na jogabilidade a ter em conta. Agora, as armas já não aquecem somente pelo uso contínuo, vão acumulando calor ao longo do tempo. Ou seja, aquela táctica de disparar, aguardar, disparar, não vai funcionar da mesma forma. É preciso refrescar na mesma a arma ao fim de um tempo a disparar continuamente, como uma mecânica de carregar a armas noutros jogos, mas também é preciso refrescar a arma mesmo fora de uso. Causa alguma confusão ao início, mas depois até se torna mecânico. Dada a ausência de pickups, tanto as unidades especiais como os heróis não são mais apanhados em campo, mas “comprados” com pontos que vamos acumulando em cada sessão. Juntem 5000 pontos e desbloqueiam Darth Maul e já ganharam o jogo… já explico porquê.

Outra novidade é que as armas possuem muito mais recuo que no jogo original. E esqueçam a mira da arma, agora apenas fazem um ligeiro zoom, dependendo do tipo de arma (as sniper continuam a ter mira telescópica). Ou seja, agora a acção é muito mais baseada num estilo de arcada. Ainda é possível alternar entre a primeira e a terceira pessoa, mas o jogo parece claramente beneficiar esta última opção. E o mesmo se passa em naves e veículos, agora com algumas armas fixas (canhões em Gunships ou Tanques). O combate em veículos é tão frenético que as naves de ataque ao solo não possuem grande vantagem, nem sequer conseguindo ver bem as tropas de infantaria no solo.

As mudanças de lógicas e mecânicas da fluidez de jogo são tão despegadas do primeiro título que chegam a parecer de outro qualquer jogo do género. O facto dos veículos, unidades especiais e heróis estarem bloqueados por pontos (e número máximo de unidades em campo) faz com que os primeiros minutos de cada sessão sejam francamente lineares de “tiro ao boneco”. Nada contra, torna a jogabilidade evolutiva e obriga a jogar melhor para ter melhores unidades disponíveis. Subitamente, alguém desbloqueia um tanque ou um dróide especial e a maré do jogo muda. Agora com explosões e ataques massivos, a vantagem pode passar para o outro lado, sobretudo em Galactic Assault.

Pior é quando alguém desbloqueia Darth Maul ou Boba Fett e sabe como os usar. Basicamente, não há muito que possamos fazer quando entram em acção. Com um golpe de sabre de luz. Maul pode matar várias unidades e é preciso muitos fogo concentrado para o imobilizar. Até mesmo as naves especiais (Millennium Falcon, por exemplo) em Starfigher Assault são incrivelmente poderosas. Já no primeiro jogo, um herói podia, de facto, fazer a diferença, mas aqui parece que quiseram aumentar a fasquia. A sério, todas unidades de heróis estão exageradamente sobrevalorizadas. E se forem usados com frenesim, são imortais e ganham o jogo sozinhos. “Overpowered” é um eufemismo. Mudem lá isso, DICE.

Contudo, mesmo sem heróis à mistura, algo não estava bem. Inicialmente, achei que estava simplesmente a jogar mal. Tendo estado tão focado em Destiny 2 nos últimos dias, podia estar, simplesmente, habituado a outro tipo de controlo e armamento. Fartei-me de perder duelos contra outros jogadores, morria imenso com tiros à distância e, pior, não acertava em ninguém. Perdi horas a manipular os controlos, as sensibilidades e as configurações para tentar chegar a um ponto mais ou menos óptimo. Voltei mesmo ao primeiro jogo só para perceber se o problema era mesmo meu. A conclusão a que cheguei é que a DICE mexeu nas animações, fluidez e tempos da interacção, de tal modo, que toda a minha memória mecânica deixou de fazer sentido.

Cheguei mesmo a trocar de comando (de um Nacon Revolution para um DualShock 4), não fosse uma questão de sensibilidades do hardware. É que não bastava o novo esquema de refrescamento das armas e o seu recuo algo exagerado, também o próprio movimento, a falta de mira e até a retícula no ecrã precisam de uma revisão urgente. Estou certo que haverá quem diga que gostou dos novos controlos, mas também estou certo que muita gente habituada ao primeiro jogo se queixou do mesmo. No final de contas, pode ser apenas uma questão de hábito. Mas, isso não significa que não se possa criar um ponto de compromisso entre uma interacção e outra. Alterar tanta coisa, quase de raiz, obrigando a um novo ajuste na interacção, pode ser algo que nem todos estão com vontade de apostar.

No final, o que saltou mais à vista foram os efeitos visuais e a qualidade de imagem digna do que de melhor se pode fazer hoje em dia. O motor gráfico Frostbite está melhor que nunca, mesmo que esta seja uma fase em que o jogo ainda está em produção e será alvo de inúmeros ajustes. Vi alguns problemas de animações e de fluidez, fruto de uma necessidade de optimização, mas nada de particularmente negativo. Também a banda sonora está ao mais alto nível que esperava, misturando a banda sonora original da Saga, da autoria de John Williams, com alguns arranjos novos criados de propósito para esta série.

Não sou particular adepto do design do seu novo menu, apostando em hologramas de personagens num design algo simplista. Um retrocesso do design que todos apreciámos no jogo anterior. Contudo, é uma questão de gosto e que até nem tem grande relevância na análise completa. Em termos de interface, devo assinalar que tanto a navegação entre opções como os tempos de carregamento entre cada sessão estão francamente mais reduzidos, uma excelente novidade comparando com o primeiro jogo.

Esta fase Beta de Battlefront II foi uma experiência agridoce. Provou que o jogo que vem aí tem muito mais conteúdo com óptimo aspecto para nos levar de volta à Saga. No entanto, também trouxe algumas novidades que achei algo arriscadas. As mudanças na cartas de bónus podem ser apenas estranhas e precisarem de algum hábito, mas há questões que não consigo ultrapassar com facilidade. Os controlos precisam de uma revisão, os heróis precisam de menos protagonismo. Quero mesmo que esta Beta tenha alguma utilidade para a produção na optimização do jogo. Que seja mais do que suspeito: uma mera demonstração…

A Beta Aberta de Star Wars: Battlefront II decorreu neste passado fim de semana e está ainda disponível até amanhã dia 11 de Outubro nas três plataformas de lançamento. A sua versão final será lançada a 17 de Novembro na PlayStation 4, Xbox One e PC.