Este artigo pertence à rubricaJogos que completam 20 anos em 2018” onde falamos de jogos memoráveis e que tiveram um grande impacto na indústria. Hoje, vamos ter uma excepção à regra. Em vez de um jogo pioneiro, vamos falar de uma sequela. 

Em cada saga, há sempre um título que se destaca do resto. Geralmente, é o melhor exemplo da oferta dessa série, talvez até o motivo do seu sucesso. Na série de luta Tekken, há um consenso entre os fãs e a própria crítica. O seu melhor representante é, sem dúvida, Tekken 3. Lançado em 1998, até hoje é reconhecido como um dos melhores jogos de luta alguma vez criados. A adição do novo leque de contra-ataques, em conjunto com a sua função de evasão, trouxeram a Tekken um novo nível de profundidade, sem o tornar inacessível aos jogadores menos experientes. Contudo, antes de nos debruçarmos sobre o terceiro título, vamos falar um pouco do início da série.

Tekken deu os primeiros passos murros no início da década de 90. Ficou conhecido pela sua ambição, infelizmente tido como uma “cópia” de Virtua Fighter. A semelhança com o jogo da SEGA não era descabida, notem. Afinal de contas o director de Virtua Fighter, Seiichi Ishi, veio para a Namco trabalhar nesta nova série. Contudo, o produto final distinguiu-se de várias formas. Tinha um frame rate mais alto e texturas mais detalhadas, era mais preciso com um esquema de controlos que acabou por ser popularizado nos posteriores jogos de luta a três dimensões.

Na sua época, a maior parte dos jogos de luta tinham botões que correspondiam à força de cada ataque. Por seu lado, Tekken arriscou-se em ser diferente e atribuiu um botão a cada membro do lutador. No início, era desorientador mas rapidamente descobrimos que era uma abordagem mais intuitiva, que permitia aos novatos jogar sem problemas. Ao mesmo tempo, os veteranos de Tekken também encontravam bons desafios. O equilíbrio entre velocidade e a força de algumas personagens, levava o jogador a embates onde o que contava era realmente a habilidade e não o lutador escolhido.

Muito graças às evoluções destas inovações das suas sequelas, Takken ganhou a reputação de ser umas melhores séries de jogos de combate, normalmente lado a lado com outros dois magníficos, Street Fighter e Mortal Kombat. No entanto, uma dessas sequelas acabou por se destacar de forma exemplar de todas a outras, mesmo as mais recentes.

A história desta série começa com algo muito semelhante ao filme “Enter the Dragon” de Bruce Lee. O rico e impiedoso Heihachi Mishima anuncia um campeonato chamado King of Iron Fist Tournament com um enorme prémio monetário para o grande vencedor. O que Mishima não esperava é que iria combater contra o seu próprio filho, Kazuya. Décadas antes, Heihachi atirou o seu filho de apenas 5 anos de um penhasco, acreditando que o seu filho só podia provar ser um herdeiro digno se regressasse com sede de vingança. Kazuya sobreviveu e, tal como esperado, procura vingança contra o seu pai, trazendo com ele o poder do Devil Gene. Esta é uma misteriosa maldição da família Mishima e que acordou no corpo da Kazuya com na sua queda.

Já o enredo de Tekken 3, conta-nos os acontecimentos que ocorreram quinze anos depois do segundo título. Aqui, Heihachi ouve rumores sobre uma força misteriosa no México e simultaneamente recebe a visita do adolescente Jin Kazama, que diz ser seu neto. Jin relata toda a história sobre um misterioso lutador chamado Ogre e como este deseja vingança por ter morto a sua mãe. Intrigado e com a ambição de ter aquele poder, Heihachi percebe a força e sede de vingança de Jin e decide treiná-lo, mas a sua real intenção era atrair Ogre usando o seu neto como isco.

Foi só com a chegada deste novo protagonista, Jin Kazama, que a série atingiu o seu status quo característico. O filho de Kazuya tenta acabar com toda a linha Mishima para salvar o mundo da sua característica maldição. Este é um grande triângulo vingança entre as três personagens, que os fãs associam à série até ao dia de hoje. Esta terceira parte também expandiu a mitologia sobre Evil Gene, tornando Jin num anti-herói a tentar combater as forças negras dentro do seu corpo, introduzindo o seu alter-ego mais sinistro, Devil Jin. Todas estas adições de conteúdo levaram o enredo da série a um novo patamar de popularidade, que continuou com os seguintes jogos.

Tekken 3, não só se tornou num dos melhores jogos da série, como também foi um dos jogos de combate mais bem sucedidos de sempre. E este sucesso foi atingido, não só nas máquinas de arcadas mas, acima de tudo, na consola PlayStation. Aprimorando o já mencionado sistema de luta, entre outras novidades, permitia aos jogadores ainda mais controlo tridimensional. Um dos destaques mais interessantes, era a possibilidade de rodar a personagem em 180º, um movimento que permitia desviar dos ataques inimigos. Mas, mais coisas foram adicionadas à sua fórmula de sucesso.

Parte da atracção de Tekken, é a sua compilação de estilos e disciplinas de luta, um leque que aumentou ainda mais com o terceira edição do “Torneio de Punho de Ferro”. Por entre os golpes devastadores de Tae Kwon Do de Hwoarang e a capoeira de Eddy Gordo, estes e outros lutadores recém-chegados permitiram que esta diversidade seguisse a sua progressão natural. Como em Tekken 2 muitas personagens morreram ao longo da história, a Namco decidiu também alterar alguns dos movimentos e golpes. Na verdade, esta alteração beneficiou bastante o jogo, com novas técnicas e estilos concedidos.

Por esta altura, a Namco já era experiente a converter jogos das arcadas para consolas domésticas. Sem contar com Tekken, a produtora trouxe-nos Ridge Racer, Time Crisis e Soul Blade. Com Tekken 3, a Namco deu-lhe uma grande quantidade de novo conteúdo criado em exclusivo para a PlayStation. Entre eles, estavam os modos Time Attack e Survival, assim como o modo Tekken Force, que transformava o jogo num beat-em up em side scroll. Por fim, existia o estranho Tekken Ball, uma espécie de voleibol que era jogado com murros e pontapés. Criado originalmente para treinar as combinações aéreas, acabou por resultar num mini-jogo peculiar. Estes modos secundários trouxeram uma maior longevidade, regressando em futuras versões da série.

Foi também com este título que a Namco se focou mais na apresentação da sua série. Tekken 3 tinha um grafismo polido graças às capacidades da primeira PlayStation, refinando o estilo artístico do jogo anterior em algo um pouco mais realista. Fica claro a todos que é nesta fase que a Namco começou a dominar a arte da modelação em 3D. As personagens ainda tinham aquele aspecto angular, mas as texturas e os modelos em si tinham sido claramente melhorados, levando o hardware da PlayStation ao limite.

Dado aquilo que alcançou, Tekken 3 continua a receber um muito merecido carinho da comunidade. Conheceu um sucesso sem precedentes, tornando-se juntamente com Gran Turismo e Metal Gear Solid, na imagem de marca da primeira PlayStation e um dos títulos mais apetecíveis do momento, vendendo muitas consolas. Só quem teve a sorte de o jogar em 1998, é que pode avaliar o quão à frente do seu tempo o jogo estava. E só quem gastou inúmeras horas ao murro e pontapé vai perceber a razão para tanto entusiasmo à sua volta. Este é um dos maiores clássicos da 32 Bits da Sony.

Infelizmente, Tekken 3 já não está disponível a não ser pelos discos originais em formato físico nem foi alvo de alguma reedição na actual geração. Se desejarem uma cópia na PlayStation original, terão de a obter através dos sites habituais de vendas em segunda mão ou leilões.