Este artigo faz parte da rubricaJogos que completam 20 anos em 2018” onde abordamos, não só títulos memoráveis, como outros jogos que deixaram uma grande marca na indústria que conhecemos hoje.

O simpático dragão roxo da Insomniac Games, é uma das personagens mais emblemáticas da PlayStation original, logo seguir a Crash Bandicoot. Normalmente, referimo-nos aos os jogos como concorrentes, na verdade, ambas as equipas partilharam informação e conhecimento enquanto desenvolviam os seus títulos.

Antes de falarmos de Spyro: The Dragon, temos de olhar um pouco para o passado da Insomniac Games. Hoje é conhecida por várias séries de sucesso como Ratchet & Clank, inFamous e Resistance. Antes de Spyro, porém, esta produtora só tinha ainda criado um outro jogo chamado Disruptor, um First Person Shooter exclusivo da consola 3DO. Devido à qualidade desse seu jogo, principalmente para uma produtora acabada de chegar, Mark Cerny (Crash Bandicoot e Knack) decidiu levar esta equipa talentosa a trabalhar com a consola da Sony. Daí resultou um novo jogo de plataformas em 1998, enquanto Crash Bandicoot se preparava para a sua segunda aventura.

Este título tem lugar no reino encantado dos dragões, uma terra dedicada a esta criaturas de vários tamanhos, cores e personalidades, com muitos campos, castelos e tesouros em forma de esmeraldas. É o reino perfeito que sempre chamou a atenção de seres malignos, conhecidos por Gnorcs (uma mistura entre Gnomos e Ors). Contudo, nunca houve grandes problemas com estes seres, principalmente porque os Gnorcs possuíam as suas próprias terras. Até que um dia um dos dragões insultou o líder Gnasty Gnorc, numa entrevista em directo. O líder não gostou e lançou um feitiço à distância, que transformou todos os dragões em estátuas.

Curiosamente, Spyro foi o único dragão que escapou ao feitiço, devido ao seu pequeno tamanho. Agora cabe a este herói improvável salvar toda a sua espécie e restaurar a paz. Para o ajudar na aventura, o protagonista conta com a companhia de uma libélula chamada Sparx, que o auxilia dando-lhe protecção e ao apanhar itens. A história segue o modo mais previsível possível. A dupla viaja por vários mundos diferentes enfrentando diversos inimigos até se cruzar finalmente com Gnasty Gnorc. Após derrotá-lo, Spyro torna-se numa celebridade pelo seu feito e o Dragon Realm volta à paz de antigamente.

Este jogo de plataformas, como muitos outros do mesmo género, baseia-se na exploração de cenários com níveis repletos de inimigos, tesouros e segredos para descobrir. Contudo, Spyro pertence a um estilo mais recente (para a sua época) que dá uso às vantagens do 3D. Com esta capacidade, o jogo não está limitado ao habitual ângulo fixo de câmara. Aqui era possível movimentar a câmara livremente, o que oferecia novas possibilidades de exploração, algo que recordamos também dos jogos de uma certa lenda da Nintendo 64.

Existia ainda um modo primeira pessoa, para que o jogador pudesse observar tudo atentamente. Era principalmente usada para procurar locais altos para que posteriormente pudéssemos saltar e planar. Isto não só dava um grande sentido de exploração como comprova a complexidade dos níveis deste título, onde podiam perder várias horas à procura de todos os segredos escondidos.

Os jogadores eram convidados a explorar seis mundos, todos eles servindo de hubs para aceder a vários níveis. Cada um desses níveis tinha um certo número de gemas e dragões aprisionados para salvar. Ao atingir os objectivos necessários, tínhamos a oportunidade de viajar para outro mundo num balão de ar quente. Simples e directo.

As habilidades de Spyro para planar, cuspir fogo e investir contra os seus adversários com os seus chifres, permitiam uma jogabilidade simples. Ambos os ataques do simpático dragão eram rápidos e precisos. O único cuidado a ter estava na escolha de qual ataque a usar contra o inimigo, algo a ser escolhido tendo em conta a sua natureza. Inimigos de maior dimensão eram geralmente imunes a cabeçadas, enquanto que os que tinham protecção isotérmica eram imunes aos ataques de fogo. Com o decorrer do jogo, os inimigos ficavam também mais inteligentes e fortes, exigindo novas técnicas como atacar com fogo nas costas ou empurrar incautos para um buraco.

O design colorido e distinto de cada um dos níveis, tornava-os incrivelmente memoráveis. É difícil esquecer os Gnorcs, o seu líder e os capangas Toasty e Metalhead que serviam de bosses em alguns dos níveis. A banda sonora é outro pormenor interessante de como todos os elementos do jogo estavam bem alinhados. Ficava mesmo no ouvido. A título de curiosidade, Spyro foi inicialmente concebido para ter uma cor verde, mas como se misturava demasiado com a relva do jogo, a cor acabou trocada para roxo de modo a criar mais contraste.

O que mais se destacou tecnicamente, foi o facto de existir um campo de visão muito vasto para os jogos da época. Este feito técnico foi devido ao motor gráfico criado especialmente pela Insomniac Games que dava uso à renderização de cenários em três dimensões na própria PlayStation. A equipa foi ainda inspirada por jogos como Super Mario 64, dando inúmeros movimentos e uma fluidez a Spyro que só a mascote da Nintendo tinha na altura.

Após conquistar o mundo com Crash Bandicoot, a Sony voltou a repetir o feito com outro jogo de plataformas. Spyro: The Dragon destacou-se pelo o seu humor, atitude e charme. Alcançou um público ainda maior com um jogo mais elaborado, trouxe novas tecnologias e permitiu aos jogadores da PlayStation ter em mãos um título de plataformas que pudesse acompanhar a concorrência de forma competente.

Hoje em dia, se quiserem (re)jogar Spyro: The Dragon, podem adquirir a versão digital na PlayStation Store por cerca de 5€. Contudo, segundo a descrição, esta versão só é compatível com as consolas PlayStation 3 e PSP. Talvez esteja uma remasterização a caminho, quem sabe?