Filmes baseados em jogos: Tomb Raider

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Lara Croft regressa ao grande ecrã, usando o jogo Tomb Raider, lançado em 2013, como base.

Este é o segundo de uma série de artigos onde vamos falar de filmes que foram baseados em videojogos. Hoje vamos abordar o mais recente filme baseado na série Tomb Raider e perceber até que ponto foi fiel ao jogo lançado em 2013.

A série Tomb Raider conta com a protagonista Lara Croft, uma bela arqueóloga britânica, caracterizada como inteligente, atlética e com coragem em abundância. O primeiro jogo foi lançado em 1996 e foi aclamado pela crítica pela sua jogabilidade inovadora na terceira pessoa, quebra-cabeças inteligentes e história cativante.

Depois do seu sucesso inicial, várias sequelas seguiram marcha. Após duras críticas para Tomb Raider: The Angel of Darkness, em 2003, a nova distribuidora Square Enix (anteriormente era a Eidos Interactive), decidiu mudar o desenvolvimento da Core Design para a Crystal Dynamics.

Em 2013 decidiram começar do zero e lançar outro jogo com o título “Tomb Raider“, trazendo uma nova história de origem à personagem, planeada numa trilogia. É daqui que o novo filme homónimo deste ano com Alicia Vikander, é baseado. O jogo foi muito bem recebido, dando novas dinâmicas de jogabilidade focando-se mais em sobrevivência. Esse novo título trouxe novo sangue que ainda dará um último jogo à trilogia, planeado para este ano.

Desde o seu lançamento, Tomb Raider quebrou barreiras e estereótipos. Com 6 recordes do Guinness, um deles reconhecendo a Lara Croft como a “Heroína humana com mais sucesso num jogo” e já mais de 58 milhões de unidades vendidas desde a sua génese, é uma das séries de maior sucesso no mundo dos videojogos.

As duas primeiras adaptações ao cinema foram protagonizados por Angelina Jolie, que caracteriza uma Lara absurdamente confiante e destemida, vestida de calções curtos e casacos janotas. Agora, cabe a Alicia Vikander calçar as botas da mítica personagem. E, se nos filmes passados os produtores estavam muito preocupados com as semelhanças físicas de Jolie à icónica Lara, ao ponto de usar enchimento para aumentar o seu busto para ficar igual à personagem dos jogos, neste filme as preocupações centraram-se mais na relevância emocional de Lara.

No novo filme, vemos uma Lara Croft ágil e disponível para “distribuir porrada” de uma forma credível. Tudo com uma vulnerabilidade e inocência características de uma história de origem, que é, afinal, o que este filme é. Alicia Vikander dedicou-se seriamente ao papel, treinando 5 dias por semana, durante 3 meses para conseguir ter a atitude física e resistência de Lara Croft, muito diferente da que tinha sido retratada por Jolie.

Magnus Lygdback treinou a actriz Alicia Vikander com o seu ‘Magnus Method’.

As referências ao jogo são claras. Temos o naufrágio do barco Endurance na ilha de Yamatai, toda a acção dentro do avião perto da cascata e até está lá a primeira vez em que a Lara mata alguém. A partir deste ponto, a história do filme leva uma reviravolta e afasta-se da do jogo. Por exemplo, no facto de Lord Richard Croft estar vivo na ilha ao passo que, no jogo, apenas serve de guia emocional que inicia Lara na sua demanda até Yamatai.

As liberdades criativas que foram dadas no filme, são compreensíveis. Não é fácil transferir toda a emotividade e história de um jogo para um filme de 2 horas. No entanto, achamos que o pai de Lara ainda estar vivo faz pouco sentido, havendo outras formas de criar esta forte ligação entre as personagens. O vilão Mathias é outro ponto fraco do filme e um desperdício enorme do talento do actor Walter Goggins. Simplesmente, apresenta uma motivação pouco credível.

Walton Goggins no papel do vilão Mathias.

Uma alteração que faz realmente sentido é a da suposta maldição supernatural. Para o propósito do filme, a decisão de mudar para um vírus faz sentido e em nada muda a história que se quer contar.

Aqui, a grande mais valia do enredo  é mesmo a sua actriz principal. Vikander convence como Lara Croft, uma jovem vulnerável, inteligente, talentosa e motivada. Por ela, vale o preço do bilhete. E, no fim, até temos um vislumbre da Lara Croft dos jogos, com a sua infame trança e duas pistolas Heckler & Koch na mão.

Agora, a pergunta:  É este o filme que, de facto, vai quebrar a “maldição dos filmes adaptados a jogos”? Não é. Mesmo esquecendo que a sua grande inspiração é um videojogo, o filme apresenta várias pontos fracos. No entanto, nota-se um esforço grande em representar o material original do jogo. No final, o filme deixa um apetite grande para ver o que Vikander pode fazer com a personagem e com o universo de Tomb Raider, em filmes futuros.