Este é o primeiro de uma série de artigos onde vamos falar de filmes que foram baseados em jogos de vídeo e descobrir se as suas adaptações foram, ou não, bem aplicadas.

O título escolhido para iniciar esta série é um ícone na indústria dos videojogos, um sinónimo de violência e também um jogo de luta por excelência. Foi responsável pela criação da classificação etária e também um dos primeiros a receber uma adaptação para o grande ecrã. Vamos recordar o filme baseado em Mortal Kombat

O primeiro Mortal Kombat foi lançado em 1992 e dispensa apresentações. Bem, quase, senão porque estariam vocês a ler este artigo? Desenvolvido e produzido pela Midway Games, a produtora queria um jogo de luta que pudesse rivalizar com a série Street Fighter. O resultado? Um jogo de luta one-on-one sangrento, com humanos que lançam bolas de fogo, criaturas com 4 braços, deuses que manipulam relâmpagos e feiticeiros que consomem almas.

A história é simples: Num universo fictício, vários reinos escolhem lutadores para lutar entre si num torneio: Mortal Kombat. O prémio do vencedor é a contínua liberdade do reino que representa. Desde o primeiro jogo, já foram lançadas várias sequelas e alguns spin-offs. Começou como um jogo de arcada e passou por plataformas como Nintendo 64, SEGA Saturn, GameBoy e PSP. Hoje, assenta principalmente na PlayStation 4 e Xbox One.

Chega 1995 e temos na grande tela a adaptação do jogo. Foi o primeiro grande filme de Paul W.S. Anderson, agora famoso por realizar a saga de Resident Evil, outra série que iremos abordar no futuro. A sua adaptação até foi bastante fiel ao material original, baseando-se principalmente no primeiro jogo para conduzir grande parte da narrativa. Também foram extraídos alguns elementos de Mortal Kombat II e Mortal Kombat III. Exemplos disso estão na aparência visual de Liu Kang e o finishing move de Johnny Cage, quando atira uma foto sua assinada para cima do oponente derrotado.

Quem não se lembra do pino característico de Sonya, de Scorpion a ficar sem máscara ou o golpe clássico de Johnny Cage nos genitais? No contexto do filme, são golpes normais. Mas para o ávido jogador e fã da mitologia, é um grande sinal de respeito.

A sua recepção na bilheteira foi muito boa, tendo na altura a 2ª maior estreia de sempre no mês de Agosto. Razão para isto pode ter sido a contenção da violência no filme, com o estúdio a apontar para uma classificação para maiores de 13 anos de idade. Hão-de reparar que nunca vemos uma morte humana no ecrã, apenas de criaturas. Mesmo assim, com um jogo conhecido pela sua violência com Finishers glamorosos e sangrentos, o filme deveria ser M18. Mas, se calhar sou eu que sou demasiado purista.

Este foi também o primeiro filme a ter uma banda sonora de música electrónica que teve vendas surpreendentes, chegando a disco de platina. Talvez a musica mais conhecida da banda-sonora é esta que poderão ouvir já a seguir:

O sucesso foi tal que ainda houve uma sequela do filme. Mas, deixemo-la na cave, bem lá no fundo escuro, para nunca mais falarmos disso.

Curiosidades deste filme, Trevor Goddard, que interpreta Kano, decidiu fazer um sotaque Australiano no filme, apesar de ser Britânico. Os criadores do jogo gostaram tanto, que tornaram a personagem Australiana nos jogos futuros.

E Cameron Diaz que ia sendo Sonya Blade? Agradeçam a uma lesão no pulso durante os treinos, que a tirou da produção do filme. Christopher Lambert, actor veterano que interpretou Raiden, mais conhecido pelo filme Duelo Imortal (“There can be only one!”), habituado a grandes produções, serviu de mentor ao realizador, mantendo sempre a calma no set. Até ofereceu do seu próprio bolso uma festa para todos no final das filmagens. Um porreiro, o Chris.

Considerando todo o universo de jogos adaptados para cinema, este fica acima da média. O filme é fiel ao material original e os principais elementos do jogo e personagens estão lá. Até os vários Finishers e golpes característicos estão lá a marcar presença. Foi provavelmente o primeiro filme a não ter “vergonha” de assumir o facto da sua origem ser um jogo (estamos a olhar para vocês, Super Mario e Double Dragon!). Podia ser pior? Claro. Podia ser melhor? Podia. Mas pelo menos a banda sonora é boa. Certo?