Editorial: Reboot lá isso!

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Há uma clara falta de paixão nos Reboots de jogos de sucesso do passado.

Os legados dos videojogos não são fáceis de lidar. Há títulos que emanam respeito. A Zenimax está bem ciente disso com dois colossos que já viram melhores dias nas suas mãos: Wolfenstein e Doom. Ainda este ano veremos o que sai dali. Mas, entretanto temos sido premiados com reboots de lamentar e que nos fazem pensar no que se está a passar na paixão dos produtores em criar jogos com significado e com respeito pelo nome que carregam.

Esta semana será lançado Thief 4. Trata-se de um reboot de uma série que fez as delícias de muitos jogadores nos anos de ouro dos jogos de acção na primeira pessoa. Recordo pessoalmente Thief como um daqueles jogos que podia ficar a jogar horas a fio sem me cansar. Apresentou ao mundo um novo género de acção furtiva e um enredo fantástico. Agora a Eidos Montréal volta a pegar no título com a mão da Square Enix, também conhecida por fazer ruir legados inteiros.

E as novidades de Thief não são boas. Vou deixar os pormenores para a análise que vamos fazer aqui em breve mas não posso deixar de expressar o meu mais profundo desgosto por mais uma série que sofre do desgaste causado pelo lucro fácil e rápido. Já não bastava o terror de ver um Duke Nukem renascido na piada sem gosto (como arremessar poias), embrulhado num jogo repleto de falhas, ou ver Syndicate completamente reinventado ao ponto de lhe mudar o género, passando por aberrações como Shadow Warrior ou Flashback que deram cabo de muitas e boas recordações dos seus jogos originais, entre outros que o tempo faltaria para mencionar.

Aquilo que perguntamos é “onde está a paixão envolvida nos jogos originais?” Como se pode pegar num título de enorme sucesso e desatar a mudar tudo ou a inventar demais? A nível criativo, pode haver menos massa cinzenta no processo, já que hoje em dia as produtoras puxam as datas e investem a pensar no lucro. Até houve bons reboots como Tomb Raider, Deux Ex ou ainda o fantástico Mortal Kombat. Resta-nos pensar que se calhar é mesmo a qualidade das equipas e o empenho pessoal no processo de criação (leia-se “brio”) ou a falta disso mesmo. Será que as produtoras dos reboots em causa simplesmente perderam a qualidade e estão a repescar os sucessos do passado para atenuar o seu fracasso?