Afinal, como está Call of Duty WWII?

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Com um lançamento tremido, esta é a pergunta que muitos fazem por estes dias. A resposta é positiva.

Não há dúvida que Call of Duty WWII é um dos maiores jogos deste ano, mas não é perfeito. Pior, até teve bastantes problemas técnicos que o assolaram. Vejamos como o jogo está, agora que já passaram quase três semanas desde que chegou até nós.

É o problema dos jogos mais populares. Acabam sempre por sofrer maior escrutínio, com os seus problemas a ficar mais ampliados pela enorme massa de jogadores que os sofrem. Basta uma leve quebra na ligação e já estamos a ver mensagens de fóruns e redes sociais com as típicas mensagens de desagrado e de ataque às produtoras.

Contudo, este COD WWII foi muito mais que uma continuação dos habituais jogos populares deste franchise. Foi uma reviravolta numa temática já algo saturada e já sem grande apelo. Um muito desejado regresso ao passado com imensas ganas de reavivar a popularidade da série. E isso foi conseguido, conforme vimos no seu registo de vendas. Infelizmente, nem tudo correu bem nesse processo e até reportámos problemas severos que impediram muitos jogadores de sequer jogá-lo.

Sejamos claros. Quando compramos um jogo, seja qual for o seu género ou os seus modos de jogo, queremos ter o nosso investimento traduzido em jogabilidade. Ou seja, queremos usufruir desta compra, como qualquer outro produto. Quando nos vemos privados de jogar completamente um ou mais modos, é normal que nos insurjamos e exijamos respeito pelo nosso investimento. Alguns fazem o seu protesto de forma mais ostensiva que outros, mas todos concordam que não é justo ficar privado de jogar, ainda para mais quando a oferta é, sobretudo, online.

A Sledgehammer não ficou a “dormir em serviço”. Trouxe os muito desejados servidores dedicados, lançou uma série de correcções e actualizações de título e soube responder ao feedback dos fãs. Tudo, obviamente mais lento que o desejável, mas introduzido de forma a minimizar os danos já causados, até porque a concorrência também não está parada.

Ao fim destas três semanas foram introduzidas uma série de alterações e novidades. Os tais servidores dedicados trouxeram uma certa estabilidade na jogabilidade que se tornava quase insuportável com jogadores de ping mais elevado nas ligações “peer to peer”. Obviamente que não faz milagres e continuaremos a ver alguns momentos de injustiça. Até porque, convenhamos, muita gente até tira proveito do lag para a sua forma de jogar. Não é um “Lag of Duty”, pelo menos não tanto como foi nas primeiras semanas.

Entretanto, os lobbies estão também mais preenchidos, com matchmaking mais rápido. As sessões da área social Headquarters começam também a ficar mais preenchidas, ate 48 jogafores, como era, aliás, a intenção original. Ou seja, apesar de alguns bugs persistentes e algumas outras questões técnicas a precisar de aprimoramento, podemos concluir que este será o COD que a produção queria lançar.

Existem ainda algumas questões que considero primordiais para a produção abordar. O “piscar de olhos” quando recebemos tiros, chamado de “flinch”, é simplesmente atroz. Recordo-me com pouca saudade do efeito “supressão” criado pela DICE em Battlefield 4. Era mau, removia visão ao jogador, mas este é pior. Cria saltos na imagem e remove a mira do alvo. Felizmente, a Sledgehammer já reportou que está a trabalhar nesta característica.

Também não entendo como o seu modo mais destacado, o novo War está tão limitado em termos de mapas. Há um punhado de mapas disponíveis, onde ou integramos a equipa que ataca ou a que defende. Sendo o primeiro modo realmente virado para os objectivos e onde nem o célebre KDR (rácio de “kills” e mortes em jogo) é contado, parece-me algo limitado e aborrecido de tão repetitivo que se pode tornar.

Há muitas outras questões a apontar, mas prefiro aguardar para ver o que a produção tem preparado e está a desenvolver. Para já, surgiu entretanto uma nova opção que considero algo arriscada. Não porque venha a mudar muita coisa no jogo, mas por causa do clima actual criado por outros jogos em volta dessa característica. Apesar das recentes polémicas em volta das microtransacções, a divisa de jogo “COD Points” que pode ser comprada com dinheiro real já chegou a COD WWII.

Tal como em outros jogos desta série, podem gastar até 100€ em bundles de “COD Points” nas respectivas lojas online. Depois, esses pontos podem ser trocados por caixas de loot raras, obtendo as respectivas cartas, banners ou decorações igualmente mais raros. Considerando que tudo isto é basicamente cosmético, não será tanto “Pay-to-Win”, embora algumas das ofertas nestas caixas deem bónus e boosts temporários de pontos.

Ao contrário de outros jogos cujas caixas de loot dão claras vantagens em jogo a quem investe, neste caso será apenas um meio mais rápido para completar objectivos ou obter mais algumas peças cosméticas mais raras. Há algumas armas que só são possíveis obter com caixas de loot, mas a única vantagem é ter uma arma de aspecto diferente e que dá um pequeno bónus fixo para a pontuação final. Todas as armas são iguais entre as suas variantes. Sendo assim, nem mesmo esse argumento remove a ideia que só compra mesmo estas caixas quem quer.

Ao fim de três semanas a jogar, então, Call of Duty WWII está quase, quase “no ponto”. É bem possível que continuem a lutar por obter alguma performance aceitável, mesmo depois das questões de lag terem sido minimizadas com os servidores dedicados. O seu ritmo de jogo, as “manhas” dos saldos ou dos mergulhos a disparar, os “pontos cegos” e estrangulamentos nos mapas e o ritmo geral não são para todos.

Teremos os próximos meses para assistir à maturação das ideias da Sledgehammer. Há já uma nova actualização a surgir na próxima semana para abordar ainda mais melhorias e balanceamentos. Até lá, de hoje a 27 de Novembro, há um evento especial relacionado com o “Thanksgiving” Norte-Americano, onde teremos uma nova versão do mapa Carentan (apenas para detentores do passe de época) e pontuação a dobrar. E no dia 1 de Dezembro teremos a estreia do modo “ranked” para os mais experientes.

A sua primeira expansão da época para este jogo, com o título “The Resistance”, chegará primeiro à PlayStation 4 no dia 30 de Janeiro de 2018, seguindo-se a Xbox One e o PC numa data ainda por anunciar.