O DCS: Yak-52 é um símbolo que marca a entrada do DCS World numa nova era. Será uma era que não vai forçosamente agradar a todos mas, sem dúvida, tem os seus adeptos. O voo de lazer e acrobático acaba de chegar ao… Digital Combat Simulator.

Não é que este tipo de voo já não existisse. Afinal, existem aeronaves desarmadas no DCS e até existem diversos servidores online dedicados ao voo livre sem armamento. E foi, talvez, a pensar nisso que a Eagle Dynamics decidiu apostar num dos aviões mais populares nos círculos de acrobacia mundial. O Yakovlev Yak-52 começou por ser um avião de treino acrobáticos para a força aérea da era Soviética. Produzido na Roménia nos anos 70, tornou-se mais tarde numa aposta barata para quem procurava um avião simples, robusto e eficaz para as maiores piruetas. Hoje em dia, há até um campeonato dedicado a este modelo e inúmeras patrulhas acrobáticas, incluindo os “nossos” Yakstars.

“Reza a lenda” que este módulo surge de uma encomenda de terceiros para a criação de um modelo profissional. Estaríamos a voar numa versão “light” desse outro modelo. Verdade ou não, o que é certo é que o DCS: Yak-52 possui um ADN muito próprio que a Eagle Dynamics ainda não tinha apostado. Já tínhamos aviões a hélice de asa baixa anteriormente, mas ainda não tínhamos nada na onda de um avião ligeiro de motor radial e baixa performance. Até que surja o Christen Eagle da Leatherneck, é também o primeiro e único avião acrobático puro no DCS World. Mesmo que já tenham dado cambalhotas (muitas vezes não intencionais) em algum Mustang ou Spitfire.

A ser verdade essa potencial encomenda de terceiros ter dado uma importante margem de desenvolvimento ao módulo, portanto, só podemos esperar precisão, numa reprodução fiel do avião real. É preciso, no entanto, recordar que este não é um simulador perfeito, nem estamos a operar modelos de voo reais. Há sempre uma certa margem de sintetização na simulação. Por isso, é bem possível que um piloto real encontre inúmeras discrepâncias neste módulo se o compararmos a par e par com o avião real. Para os demais, porém, temos de avaliar o que o módulo promete e o que acaba por oferecer.

O Yak-52 foi concebido para ser uma aeronave simples de operar, tolerante e bastante reactiva. Por isso, os seus procedimentos são igualmente simples e pouco complexos. Apenas teremos de ter em conta as suas limitações ao nível de velocidades e tolerâncias de manobra. Voar este avião é muito similar a voar um qualquer avião monomotor a hélice. Até mesmo a instrumentação é relativamente simplista e tem apenas o essencial para o voo simples, com muito poucos auxiliares de navegação. E não, não tem armamento ou qualquer equipamento de ataque ou defesa. O intuito deste módulo é aprender a voar e a manobrar e, porque não, desfrutar de umas horas de voo livre.

O cockpit do Yak-52 é composto por um painel frontal com toda a instrumentação de operação e monitorização. Curiosamente, o horizonte artificial está com as cores invertidas. E, pior que ter a cores invertidas, tem mesmo operação invertida. Não pensem que é um bug deste módulo. Funciona mesmo assim e por mais que tente habituar-me, não consigo. O que também não me consigo habituar à ao infame indicador de combustível com uma série de luzes e que dá diferentes indicações a cada oscilação. O resto da instrumentação é tipicamente Soviética/Russa, até mesmo com o omnipresente cronómetro de ponteiros. No menu é possível escolher uma versão “Inglesa” do cockpit, mas muita da instrumentação continuará a mostrar letras em Cirílico. Tudo pela imersão.

Esta fidelidade do cockpit, reflecte-se no avião em si. Ao abrir a canópia, encontramos um avião reproduzido com imensa qualidade visual, onde cada rebite parece ter sido colocado com precisão. O modelo não possui muitos pormenores complexos, mas desde os cowl flaps no motor até às nervuras das asas, a modelação está francamente pormenorizada. Obviamente, só mesmo comparando com o modelo real poderemos ter uma apreciação completa do nível de precisão. Na sua ausência, porque não temos um Yak-52 real aqui na redacção, resta-nos apreciar os pormenores do modelo visual, sobretudo nos efeitos de luz na fuselagem e nos relevos.

A recriação do painel e do modelo visual é apenas uma parte do trabalho de precisão que a Eagle Dynamics teve ao recriar o Yak-52. Ao contrário de muitos dos aviões disponíveis no DCS World, o Yak-52 está disponível como avião civil para todos os testes e ensaios que a ED quisesse fazer. Não há restrições na divulgação de performances e toda a documentação disponível é de domínio público. Assim, não só o modelo de voo pode ser bastante fiel, como os procedimentos e operação podem ser igualmente precisos. Uma vez mais, só podemos avaliar o que nos chega recorrendo às tabelas de performance.

Graças às velocidades reduzidas, limitadas pelo seu venerável motor radial, o Yakovlev é um prazer voar. Tudo feito com suavidade e dentro das tolerâncias, permite circuitos e voo livre com muito controlo e apenas uns poucos ajustes de trim. No entanto, quando é preciso, o aparelho transforma-se num verdadeiro acrobata, permitindo voltas bastante fechadas e garantindo excelente manobrabilidade. Apenas não creio que o avião perca tanta velocidade em subida. Acho exagerada a perda repentina de sustentação numa manobra tão simples como o “loop” ou o “oito cubano”. Esta questão também já foi assinalada nos fóruns por outros utilizadores, pelo que penso não estar errado.

Também não me parece muito realista a forma como o avião sustenta tanto abuso. Bem sei que a União Soviética construía autênticos “tanques com asas”, mas há limites. Em algumas manobras de aterragem errei deliberadamente o rácio de descida para tocar com mais força na pista. Só mesmo quando embiquei exageradamente, é que tive finalmente um colapso de trem. E foi preciso muito, acreditem. Também em outras situações, como colisões em voo, notei que o sistema de danos visuais não estão ainda implementados. Não é que queira destruir o avião, mas faz parte de uma boa operação conhecer os limites do aparelho.

Falta-me só falar do aspecto técnico. Talvez por causa da sua simplicidade de modelo e sistemas, a performance geral deste aparelho é muito positiva. Não só é bem mais rápido de carregar no arranque da simulação, como não parece pesar muito no próprio simulador. Isto é ainda mais importante numa era em que o DCS 2.5.2 atravessa alguns problemas de performance assinaláveis. Outro pormenor que dou cada vez mais valor é à sonoridade. O Yak-52 tem tantos pormenores sonoros que criam imersão, que chega a impressionar. Desde o efémero tic-tac do cronómetro, até ao ranger do metal, parece que a intenção era colocar-nos lá dentro do cockpit. Agora era só preciso que o ruído do motor fosse um pouco mais proeminente e tínhamos total imersão.

De um modo geral, o DCS: Yak-52 é um prazer de voar. É lento mas nem por isso menos divertido, graças à sua graciosidade e resposta pronta para qualquer acrobacia. É simples de operar mas nem por isso exigente no que toca a limitações e ao respeito pela sua aerodinâmica. Em termos visuais e sonoros, vai de encontro à qualidade que já conhecemos dos aparelhos da Eagle Dynamics. A única questão premente para este módulo é mais comercial. Será que um avião civil, tão simples e com um objectivo tão específico tem lugar num simulador de combate? A resposta só vocês a podem dar.

Este software foi testado através de uma versão experimental em acesso antecipado, e foi gentilmente cedido pela Eagle Dynamics. Sendo uma versão experimental, muitas das características, bugs, erros ou faltas assinalados poderão sofrer alterações até ao lançamento.

PASSATEMPO – Habilitem-se a ganhar este fantástico módulo para o vosso DCS World. Para isso, sigam este link e não percam tempo a tentar a vossa sorte. Vemo-nos no ar!

Se desejarem conhecer a pequena comunidade Portuguesa que treina e voa regularmente no DCS World, visitem a pagina DCS World – Portugal no Facebook e o canal de Discord deste grupo. Uma boa parte das imagens que usamos neste artigo foram criadas neste grupo.