Com a chegada da versão unificadora 2.5 do Digital Combat Simulator (mais conhecido como DCS World), abriu-se o caminho para nos chegarem novos e mais desafiantes módulos. O F/A-18C Hornet chegou até nós em acesso antecipado, trazendo consigo o novo mapa do Golfo Pérsico. Contamos como foi a nossa experiência nestes dois módulos.

Nesta primeira parte, vamos focar-nos no DCS: F/A-18C.
Leiam aqui as nossas impressões sobre o mapa do Golfo Pérsico.

Em conjunto com a Belsimtek, a Eagle Dynamics parece apostar no F/A-18C como sendo o seu próximo grande “porta-estandarte”. Todas as novidades ao nível de sistemas de controlo e de armamento, modelo de voo, efeitos visuais e de imersão que o DCS irá receber nesta sua nova vida parecem concentrar-se neste projecto, como um arauto do que pode ser feito neste simulador de voo em combate. Neste acesso antecipado, fica claro que o Hornet está cheio de vontade para destronar o A-10C Warthog como a melhor demonstração das capacidades operacionais do DCS World. E também é de notar a intenção de expandir a operação marítima com um novo modelo de porta-aviões. Como irão ver, o casamento entre estes duas novas plataformas não podia ser mais perfeito.

O venerável McDonnel-Douglas/Boeing F/A-18 Hornet é um dos aviões de caça mais versáteis do arsenal das forças armadas dos Estados Unidos e não só. Principalmente servido a United States Navy e o United States Marine Core, tem voado por todo o mundo em países como o Canadá, Finlândia, Suiça, Espanha entre outros. A mais recente evolução é a versão F/A-18E/F “Super Hornet” que possui depois diversas sub-variantes, como o EA-18G Growler, por exemplo.

A versão escolhida para recriar no DCS, porém, é a do chamado “Legacy Hornet”, um modelo de segunda geração, mas nem por isso menos capaz. O F/A-18C está neste momento a entrar em descontinuidade, sendo substituído pelo Super Hornet e pelo F-35 Lightning nas forças armadas que os adoptaram. Mas, a herança do Hornet ainda vai persistir por alguns anos, até porque este avião tem uma capacidade operacional invejável.

Trata-se de um verdadeiro avião polivalente (multi-role) bi-motor, com capacidades de intercepção, caça aérea (CAP), combate ao solo (GA), supressão de defesas (SEAD), suporte próximo (CAS) e até de superioridade aérea. Pode servir em qualquer parte do mundo, graças ao seu excelente alcance, capacidade de reabastecimento em voo (AAR) e, claro, operação através de porta-aviões. Há aqui todo um potencial deste ser o melhor aparelho para experimentar tudo o que o DCS World oferece. Resta saber como a ED e a Belsimtek recriaram este aparelho.

Notem que a versão que estivemos a testar é uma Beta especial do DCS World, específica para integrar a versão do Alpha F/A-18C Hornet e o novo mapa do Golfo Pérsico. Estivemos a testar tudo numa a Beta 2.5.2 e temos de assumir que é um F-18 de testes em acesso antecipado com alguns erros e faltas de conteúdo. Existe uma lista vasta de equipamento e sistemas que faltam incluir até à versão final. Antes dessa versão, ainda teremos uma extensa fase de acesso antecipado para ir testando algumas novidades de grande importância, com algumas actualizações pelo caminho.

Além de alguns sistemas omissos, como o target pod (TGP), radar de chão, electronic warfare (EW) ou o ultra-importante Helmet Mounted Display (HMD), sistemas que irão integrar futuros updates, também não temos diversas peças de armamento disponíveis. Bombas inteligentes ou guiadas por Laser, misseis de longo alcance e outras armas mais avançadas ainda estão por integrar. Também lhe faltam diversas pinturas e até os óculos de visão nocturna (NVG). Mas, mesmo assim, o que traz consigo, é um novo mundo.

Tendo já alguma experiência trazida do VRS SuperBug para FSX/P3D, operar este DCS F/A-18C foi relativamente simples. Apesar deste ser um modelo mais antigo, a maioria dos sistemas é semelhante e colocada praticamente no mesmo sítio, o que ajuda na memória mecânica. Todos o que não possuem essa experiência, porém, não precisam desesperar. Com esta Alpha tivemos acesso ao manual de acesso antecipado em PDF que explica, passo-a-passo, como operar esta aeronave. Recomendo vivamente que o leiam atentamente e sigam os passos necessários. E também podem contar com um simples auto-startup para arrancarem tudo automaticamente.

O Hornet é um avião extremamente simples de operar, contando com diversas ajudas que simplificam a vida ao piloto. A posição da instrumentação e sistemas é semelhante a outros aparelhos da USAF, USN e USMC. Por isso, se voarem aviões como o A-10C ou AV-8B estarão em casa. A ideia é sempre criar um padrão na posição e na utilização de sistemas, independentemente do avião e do ramo da força armada, permitindo a transição de pilotos. Claro que nem tudo é exactamente igual de avião para avião, mas é notório o paralelo entre painéis, lógicas e procedimentos.

Também é bastante simples de manobrar, com controlos auxiliados por um sistema de fly-by-wire com auto-trim que torna o voo neste aparelho bastante estável e simplificado. Tem uma excelente relação de peso e potência, um plano de asa invejável, capaz de ângulos de ataque extremos e de manobras acrobáticas que podem fazer a diferença em combate. Os meus primeiros instantes de operação foram simplesmente a voar e a apreciar o fantástico modelo de voo, esticando o “envelope” e indo aos limites do aparelho.

E há muito para apreciar neste avião, dentro e fora do cockpit. Esteticamente, a ED esmerou-se para trazer esta reprodução fiel do Hornet. Sentado no interior, temos um painel detalhado, inteiramente interactivo, com os 3 monitores interactivos (DDI) modelados, todos os instrumentos, inclusive o painel UFC e HUD com os seus mais diversos modos disponíveis. Repito que há muita coisa por integrar, mas a quantidade dos itens de interacção já disponíveis é impressionante. E o som… meus amigos, coloquem a vista exterior e apreciem uma passagem baixa neste aparelho. Absolutamente genial!

Depois temos de apreciar os inúmeros itens de arregalar o olho. De noite ou de dia, o cockpit ilumina-se forma realista, seja com a luz do sol, sejam com a iluminação artificial, que só ajuda na imersão dos pilotos virtuais. Um dos efeitos mais esperados, porque é uma novidade no DCS, é o efeito de chuva na canópia. Sinceramente, espero que esta não seja a versão final do mesmo, uma vez que causa imensa distorção e os pingos são um pouco exagerados. Mas, o efeito é francamente bonito e adiciona o realismo que todos esperam. Outro efeito fantástico é o de condensação na fuselagem em ângulos de ataque extremos. Também não deve ser o efeito final, mas dá também uma outra sensação de imersão.

Claro que não podemos avaliar este módulo apenas pelo chamado “eye candy”. É preciso que este módulo faça justiça às fantásticas prestações pelas quais o F-18 real é conhecido. Já mencionei que voar este aparelho é uma excelente experiência, com uma manobrabilidade impecável. Não é por mero acaso que a patrulha acrobática US Navy Blue Angels o usa nas suas exibições (sim, a pintura desta patrulha está lá). Agora, só se pede que essas manobras sustentem o armamento disponível e que nos deem as reais capacidades de um verdadeiro caça multi-role. Está na hora de ligar o Master-Arm!

Além do seu temível canhão M61A1 Vulcan de seis canos, o Hornet tem capacidade de carregar diversos modelos dos mísseis Ar-Ar disponíveis no arsenal NATO. O DCS Hornet terá capacidade de operar diversos modelos do AIM-9 Sidewinder, do AIM-7 Sparrow e do infame AIM-120 AMRAAM, podendo levar diversas unidades a bordo para o papel de Intercepção ou Superioridade Aérea. Contudo, nesta fase inicial, só temos modelado o modo de armamento para Sidewinders (modelos L e M), inclusive os seus modos de tracking via radar ou através da detecção de emissões de radiação infravermelha (IR) no sensor da arma.

Mesmo assim, temos o radar Ar-Ar quase totalmente modelado, o que significa que este possui uma boa parte dos modos e varrimentos disponíveis. O modo de identificação de contactos além do alcance visual (BVR) está simulado, assim como os mais diversos modos de varrimento horizontal e vertical, permitindo interceptar inimigos nos mais diversos planos até 160 milhas náuticas. É possível, de facto, localizar aparelhos à distância mas, por agora, não temos nada para disparar na sua intercepção. O AIM-120 e o AIM-7 estão disponíveis no arsenal, podemos carregá-los, mas não temos simulação de tracking ou de disparo por agora. Ficará para uma futura revisita ao Hornet.

No que toca à utilização do radar aéreo, nada podia ser mais simples. Podemos alternar distâncias, tipos de varrimento, movimentação do tracker e tantas outras operações via comandos HOTAS. Uma leitura do manual é essencial para entender tudo o que podemos fazer. Confesso que identifiquei muita coisa por corrigir e melhorar mas fica claro que o radar do F-18 é impressionante. Mesmo que o seu alcance seja menor que outros aparelhos (como o F-15C, por exemplo), consegue-se antever que o Hornet terá uma palavra a dizer nos combates aéreos.

Quando é a altura de alternar o Master-Arm de AA para AG, porém, o potencial do Hornet aumenta exponencialmente. Infelizmente, ainda não pude testar a reprodução do radar de solo, que só ficará disponível lá mais para a frente. E também senti imensa falta do TPOD para identificar alvos terrestres. Mesmo assim, largar munição explosiva neste avião é uma experiência fantástica. Diversos tipos de foguetes e bombas de queda livre, inclusive de fragmentação, ocuparam-me durante horas. Aperfeiçoar a precisão destas munições é uma arte, entre programação na página de armamento e o uso das retículas Auto, CCIP e Manual.

Infelizmente, parece-me que o sistema de RWR precisa de diversos ajustes na detecção e informação de ameaças no ar ou em terra. O sistema de contra-medidas também precisa de uma revisão, nem sempre largando os engodos nas cadências e modos necessários. À conta disso, perdi muitas batalhas contra baterias anti-aéreas, ora por falta de aviso, ora porque as contra-medidas falharam. Existe ainda controlo de Jammer (ECM), mas não parece ainda simulado. Enfim, são os desafios de uma Alpha, algo que assumo ser devidamente corrigido numa actualização futura.

O Hornet muda de papel com uma facilidade incrível, mantendo a sua agilidade e facilidade de operação. Se tiverem um bom sistema HOTAS (Joystick + Quadrante de Potência), podem alternar do papel de patrulhamento aéreo para ataque ao solo e vice-versa muito rapidamente e de forma fluida. Esta é a particularidade deste caça polivalente, com rival em muito poucas plataformas (estou a olhar para ti, F-16!). E esta importante adaptação à operação sempre dinâmica num campo de batalha, foi muito bem recriada pela produção. Ainda há muito para fazer, é certo, mas finalmente temos um puro “multi-role” com a imersão necessária no DCS World.

Apesar de tudo isto ser importante para o papel do avião em combate, também é importante que consigamos navegar de ponto em ponto, reabastecer em voo e, claro, descolar e aterrar em segurança, sobretudo em porta-aviões. A navegação via waypoints, TACAN, VOR, ADF, etc, é bastante semelhante ao AV-8B Harrier. A utilização do HSI, com o  recurso do UFC para programação de modos e frequências é muito parecida. Sugiro mesmo que, caso possueam o Harrier da Razbam para o DCS, percam um pouco de tempo nestes seus sistemas antes do F-18 chegar.

Apesar do Hornet possuir uma autonomia de mais 1000 milhas, ampliada pela capacidade de carregar 3 tanques externos adicionais de 1200 litros cada, usando muito os afterburners vamos queimar bastante combustível. Ou regressamos à base ou tentamos o temível reabastecimento em voo. Digo “tentamos” porque é sempre um a operação delicada. O Hornet possui uma lança retráctil e é compatível com os reabastecedores aéreos com cesto ou drogue chute (KC-130 que está nas imagens, o S-3 Viking ou o IL-76, futuramente chegarão também o KC-135R e o VC-10 com esta capacidade).

Com a lança situada no lado direito frontal do cockpit e com a ajuda do fly-by-wire, a sua operação é aparentemente fácil. Mas, nunca é realmente uma tarefa simples, exigindo concentração e muita paciência para alinhar o cesto com a lança. E cada avião tem o seu procedimento. A ideia é manter o olho fixo no avião reabastecedor e não no cesto. Depois é preciso operar o avião com toques ligeiros no manche e, como este é um avião bi-motor, fazer o que se chama de “walk the throttles”, operando a potência num motor de cada vez. Em pouco tempo, sincronizam velocidade e fazem contacto. E é sempre uma vitória.

Quando é hora de voltar, nada como passar pelo maior dos desafios neste novo módulo. Incluído com este avião estará o porta-aviões CVN-74 “John C. Stennis”. A versão a que tivemos acesso deste navio nuclear, inclui o novo modelo visual, assim como alguns objectos e itens instalados no deck. Contudo, fica a promessa de um modelo mais avançado com simulação da tripulação de placa e tudo. Por agora, está simulado o lançamento de aparelhos por catapulta (tanto os tripulados, como os de inteligência artificial) e a recuperação de aeronaves com recurso a cabos de desaceleração.

Como devem calcular, esta operação em porta-aviões exige treino, sobretudo em situações de meteorologia adversa (IMC) e/ou à noite. É dos procedimentos mais rígidos da aviação e também dos mais perigosos. No DCS World, já existia uma simulação de operação em porta-aviões com a aviação Russa, permitindo-me treinar bastante com o Su-33 a fazer recuperações (os porta-aviões russos não possuem catapulta). Aterrei o Hornet no Stennis com sucesso ao fim de 3 tentativas, seguindo apenas as marcas visuais, atestando a incrível estabilidade e facilidade de manobra do modelo de voo deste Hornet. Estou certo que os sistemas serão melhorados para obter mais ajudas no futuro. Faz falta um operador de aproximação no deck a enviar comandos de voz via rádio, por exemplo.

Quando temos de descolar do porta-aviões, o lançamento de catapulta é uma operação bem mais simples. Apesar dos meus melhores esforços, não consegui activar os deflectores do chão e a catapulta em si saindo da placa de estacionamento. Contudo, podem criar uma missão personalizada para esse fim e há uma missão de Instant Action para testar este procedimento. Notem que tudo é automático e não devem tocar nos controlos até que o avião vos passe a operação. Tudo é automatizado, inclusive o ângulo de ataque. O piloto sobe o trem e pega nos controlos só no ar. Não pensem que isto é alguma batota. O procedimento no F-18 real é também automatizado.

Com esta capacidade de operação marítima em porta-aviões, expandido-a com reabastecimento em voo, com a sua invulgar polivalência e por causa do excelente aspecto visual, o DCS: F/A-18C Hornet tem o potencial de ser o melhor módulo de sempre para o DCS World, ultrapassando largamente qualquer outro módulo já lançado neste simulador. Só tenho pena que falte ainda tanto por implementar nestes meus testes. O avião pede mais de nós e queremos mais dele, conhecendo o seu potencial e o seu papel na aviação moderna. Mas, esta é só uma fase de acesso antecipado.

Segundo informações confirmadas pela Eagle Dynamics, o F/A-18C Hornet chegará a todos os que o pré-encomendaram no final deste mês na versão Beta de Acesso Antecipado. Possivelmente, quando chegar já terá algumas das lacunas que assinalei já colmatadas. O lançamento do módulo finalizado, ainda deverá demorar alguns largos meses, contando com a utilização da comunidade que irá ajudando a resolver problemas e a adicionar sistemas e conteúdo. Quando finalmente estiver concluído, arrisco dizer que o Hornet será o melhor aparelho jamais criado para o DCS World.

Este software foi testado através de uma versão experimental em acesso antecipado, e foi gentilmente cedido pela Eagle Dynamics. Sendo uma versão experimental, muitas das características, bugs, erros ou faltas assinalados poderão sofrer alterações até ao lançamento. As datas fornecidas, assim como previsões de produtos, foram dadas pelos produtores.

Se desejarem conhecer a pequena comunidade Portuguesa que treina e voa regularmente no DCS World, visitem a pagina DCS World – Portugal no Facebook e o canal de Discord deste grupo. Uma boa parte das imagens que usamos neste artigo foram criadas neste grupo.