Este jogo vai para sempre ficar com um estigma. Se vos falar da sua produtora Respawn Entertainment, talvez não vos diga nada. Mas se vos disser que parte da sua equipa foi em tempos responsável pela criação e evolução dos jogos Call of Duty, se calhar lembram-se logo do contencioso que existiu entre a Infinity Ward e a Activision, resultando no despedimento de grande parte da equipa e na consequente criação desse novo estúdio sob alçada da Electronic Arts. A Respawn de Jason West (ex-Presidente da Infinity Ward) e Vince Zampella (ex-CEO e co-fundador da Infinity Ward) surge agora com o jogo Titanfall. Esta é a derradeira prova de fogo para dar uma boa resposta à Activision. Jogámos a Beta multi-jogador e vamos dizer-vos o que achámos deste novo shooter futurista.

Guerras de bastidores à parte, é do nosso interesse que se quebre um pouco a rotina no que diz respeito aos jogos de acção na primeira pessoa (First Person Shooter – FPS). Há quem diga que já chega, mesmo com alguns jogos a inovar e a dar novos rumos ao género, “já não se aguenta” tanto jogo de tiro todos os anos. Mas há também quem aprecie genuinamente o tipo de jogo e queira ver algo novo. Titanfall, parece-me a mim, a verdadeira revolução nos jogos FPS.

O acesso à beta foi bem ao estilo da Electronic Arts… com problemas. A sério, não me recordo de nenhuma beta da EA que tivesse sido simples de entrar e aceder. Houve trocas de Keys (PC para quem pediu Xbox One e vice versa), servidores indisponíveis, quebras de ligação, tudo o que não devia acontecer numa beta pública com milhares de jogadores ansiosos.

Titanfall é um jogo inteiramente online (tirando as missões iniciais de treino). Muito rapidamente, o enredo passa-se no futuro onde as máquinas Titan compõem os terrenos de batalha a nível mundial. Cabe a cada piloto aperfeiçoar o seu estilo de combate no solo (infantaria) ou a bordo do enorme Mech para ganhar as intensas e frenéticas batalhas. A história é acessória, note-se. Embora hajam alguns momentos de enredo no meio das sessões com algumas conversas com personagens via intercoms, não há real evolução de enredo ou algo do género. Mas confere uma imersão interessante e por vezes até esquecemos que estamos a jogar com outros humanos.

No combate no solo existem armas diferentes para infantaria ou para Mechs. O que significa que o estilo de jogo tem de ser adaptado à realidade do momento. Por exemplo, podemos andar pelo terreno com armas de assalto a tentar matar os pilotos adversários, mas devemos mudar para um lança-mísseis para lutar contra Mechs que surjam. O piloto conta com a sua agilidade, saltos com o auxílio de propulsores e até a capacidade de correr pelas paredes. Isto modifica a forma tradicional de jogar este estilo de jogos e adiciona a componente parkour na primeira pessoa. Algo que requer algum hábito. As diferentes classes conferem habilidades também diferentes. Comum a todas são os tipos de armas (pistolas, espingardas e armas anti-Titan) e gadjets específicas. O que distingue o Rifleman são as suas armas de assalto, o CQB está armado de caçadeira e possui mais habilidades parkour e notei que os Assassin são muito amados nas diferentes sessões em que participei, graças à sua famigerada pistola com mira-automática e que lhes concede uma vantagem óbvia no campo de batalha.

Os Mechs Titan são outra história. Nem sempre estão disponíveis e há uma contagem por jogador para quando o seu Mech está prestes a aterrar no campo de batalha. Essa contagem pode ser alterada pelos pontos que acumulamos ou com os bónus que adquirimos. Uma vez no chão, o piloto tem de entrar e activar o seu Titan. A seguir, pode optar por operá-lo directamente ou deixá-lo a funcionar como um robot programado para matar. As batalhas entre Mechs são sempre memoráveis mas algo curtas se o adversário for inteligente. Basta uns mísseis bem apontados ou uma série de granadas e a batalha termina. De notar que a capacidade de movimento dos Titan é bem mais limitada (embora surpreendentemente rápida para uma quantas toneladas de metal). Não podem saltar (apenas desviar-se horizontalmente), são menos velozes e as suas armas levam mais tempo a carregar. Uma boa troca pelo seu poder de fogo e que equilibra as coisas. Quando algo corre mal e o Mech (que não regenera energia) está prestes a rebentar, o piloto pode ejectar-se. Existem também classes diferentes de Titan, cada uma com as suas características, Assault mais rápido mas com armas mais ligeiras, Tank com mais escudos e protecção contra danos e Artillery com armas pesadas que privilegiam a distância. Uma vez mais requer hábito ser mestre em cada uma, sendo as suas características decisivas em cada um dos momentos da batalha.

No final, tudo gira em torno do balanço. As batalhas entre as duas facções Interstellar Manufacturing Corporation (IMC) e a  Militia, não ficam desequilibradas em termos de armamento disponível. Notei apenas que há alguns desequilíbrios pontuais. Ou seja, há momentos no jogo em que as coisas pendem mais para um dos lados. Experimentem jogar como infantaria quando calha estarem dois Mechs mesmo à vossa frente, por exemplo. Não dá hipóteses. A não ser que usem a vossa velocidade, flanqueiem e… façam car-jacking ao Mech! Genial!

Em termos de evolução, claro que gira tudo em torno de matar pessoas e cumprir desafios em troca de pontos que dão acesso a novos bónus e até classes bloqueadas. O sistema de habilidades com cartas para “queimar” permite usar “wildcards” antes de cada sessão de modo a ter bónus para vos ajudar a evoluir. De resto, é tudo perícia do jogador, ou falta dela. A componente de história inserida no jogo, com cenas introdutórias e intermédias através de comunicações com NPC’s, faz com que a evolução da carreira seja mais interessante, embora por vezes intrusiva se estiverem a falar com amigos numa sessão online.

Nesta Beta tivemos acesso a três modos de jogo (além do modo treino offline). Attrition, um modo de Team Deathmatch para matar tudo o que é adversário, Hardpoint Domination que é um modo de jogo para captura de locais estratégicos com limite de pontos obtidos e Last Titan Standing onde todos os pilotos arrancam com o seu Titan, não há respawns e ganha o último que ficar vivo. Infelizmente só estão disponíveis nesta Beta dois Mapas de jogo, ambos deslumbrantes, diga-se.

Houve alguma controvérsia quando foi anunciado que apenas haveriam 12 jogadores por sessão (6×6). Pessoalmente, acho que se tudo se resumisse a combate com infantaria, sim, seria pouco. Mas os Mechs conferem a dimensão necessária ao jogo. E mais que 12 Mechs gigantes num mapa, por maior que fosse, seria um caos. Por outro lado, Titanfall tem o seu próprio ADN e não precisa de viver na sombra de outros shooters. Embora empreste muita coisa dos FPS recentes e dos jogos de Mechs mais antigos como o velhinho MechWarrior, por exemplo, o jogo da Respawn é igual a si mesmo e a opção de diminuir os jogadores por sessão é a sua prerrogativa. Torna tudo mais intenso, mas não menos interessante.

Agora em termos técnicos. Testámos a versão PC no nosso Toshiba Qosmio X870. E pessoal, este jogo pesa… Colocar tudo no máximo é suicídio, mesmo para a nossa pequena Bomba. High nas texturas e modelos e um sampling 4X de Antialiasing, é o mais alto que achei que podia ir sem comprometer a fluidez da acção (afinal o mais importante). Na configuração High, com algumas concessões, afirmo que os mapas, texturas e animações deste jogo são qualquer coisa de fenomenal. Mesmo para uma beta ainda em produção! Podem conferir nos vídeos e imagens que partilhamos.

A prova de que TitanFall é um jogo a ter em conta, é a receptividade dos gamers um pouco por todo o mundo. Também devemos ter em conta os seus 60 prémios na última feira E3. Apenas tenho a lamentar a terrível sequela nas guerras de consolas que a Microsoft sempre promoveu: As exclusividades. TitanFall será um Exclusivo PC e Xbox 360 / Xbox One. Considero uma opção algo arriscada, tendo em conta os níveis de vendas e recepção da Playstation 4. Está literalmente a ficar de fora da “consola do momento”. É que tendo em conta as exigências técnicas, nem todos terão um PC adequado para o jogar. E, como sabemos, em Portugal (como em alguns outros países) nem sequer temos a Xbox One à venda. Veremos o que será o destino do jogo final. Cá estaremos para vos contar.