Já na Lisboa Games Week tínhamos deitado mãos num código de previsão de The Order 1886 e dissemos como ficámos deslumbrados. Agora a Sony Computer Entertainment fez-nos chegar um novo código de previsão deste fantástico jogo de acção na terceira pessoa, exclusivo na Playstation 4. Já que Fevereiro de 2015 ainda está tão longe, esta pequena previsão soube a pouco. Mas como aperitivo, é fantástico…

Começamos com uma fantástica cena introdutória no topo de um zeppelin. A equipa de Cavaleiros da Távola Redonda prepara-se para tomar de assalto o dirigível para evitar um golpe planeado pelos rebeldes… mas algo não está bem… a acção na cutscene ficou subitamente parada… É que esta não é uma cutscene, já estamos a jogar! Os gráficos soberbos e animações polidas enganaram-nos. Esta é já a qualidade de imagem, digna de algumas animações de Hollywood, que vamos ter durante todo o jogo. Depois de apanharmos o queixo, seguimos em rapel pela entrada, na pele de Sir Galahad.

No interior do zeppelin, o ambiente steampunk, com modelos detalhados de design vitoriano, misturado com algumas lógicas modernas, dão um ambiente fantástico. Já na demo da LGW tínhamos visto esse cuidado da Ready at Dawn, com o cenário de um bairro arruinado numa Londres Vitoriana. Em termos de design, tudo está adaptado a este estilo, até mesmo a máquina que usamos para abrir portas ou rebentar quadros eléctricos é um sistema pneumático com válvulas. Genial.

Quanto partimos para a acção, porém, fiquei com algumas reticências. Vou assumir que esta é apenas uma versão de previsão e não o jogo final. As animações de alguns dos bonecos são assoladas por alguns problemas de colisão, nada demais mas destoam num jogo tão complexo visualmente. Também menos bem conseguida é a lógica de apontar a arma que é estranha, ficando demasiado fixa nos inimigos, dando a parecer que o auto-aim precisa de uma afinação. Assim como o sistema de cobertura é exasperante, Galahad cola-se à parede ou ao obstáculo, de tal forma que é preciso insistir em removê-lo. De resto, esperem tiros e acção furtiva que não inova, mas é competente. As imagens mais abaixo que apresentamos pertencem a uma parte mais “quente” do jogo em que evitamos um assassinato e partimos a eliminar os rebeldes pelas áreas do Zeppelin, incluindo uma zona de lazer e uma cozinha onde até saltam as panelas e talheres. Tanto a acção directa como a furtiva, possuem algumas cenas com Quick Time Events (QTE) que eu, honestamente, não gosto.

As armas, ao contrário da demo da LGW, são bem mais convencionais, entre a caçadeira, pistola automática ou metralhadora. Cada uma com o seu próprio alcance, rácio, recuo e tiro secundário. Experimentei todas e nenhuma me pareceu destacar-se, talvez a Essex M2 Falchion automática (na imagem acima) pelo seu rácio mais rápido e pelo seu tiro secundário que emite uma onda de choque que derruba os adversários. Há também granadas para usar, embora nos pareça estranho atirar uma granada a bordo de zeppelin cheio de hidrogénio, mas pronto, no rigor nem balas devíamos disparar.

Também gostei do sistema de recuperação de energia que se activa caso sejamos atingidos letalmente. A câmara fica com uma tonalidade vermelha e os ruídos tornam-se abafados, mas não morremos. Basta tomar um pouco de BlackWater e recuperamos totalmente. Uma mecânica interessante que evita o uso de savegames ou checkpoints.

Em jeito de conclusão, adorei o que vi e experimentei. Talvez como showcase da Playstation 4 venha a ser o novo marco desta consola. Acima de tudo, porém, tem de ser um jogo equilibrado e que nos dê mais intervenção. Talvez o nível que jogámos fosse intencionalmente mais virado para acção furtiva (cerca de metade do nível é furtivo, só uma pequena parte é de acção directa), enquanto que o da LGW era mais de “tiro neles”. Mas fica a sensação que a Ready At Dawn está a dar demasiada ênfase nos modelos e animações do seu jogo, ao invés de aprofundar a mecânica do jogo de acção na terceira pessoa, que, digo-vos, não é nada de especial. Até mesmo a parte de combate furtivo, que depende muito dos tais QTE, pode e deve ser mais elaborada e menos automática.

Resta-nos esperar por Fevereiro para ver como a história se desenrola e como a acção e outros factores são aprimorados. Este aperitivo foi fantástico! Venha de lá esse prato principal!