Ainda na sua versão alpha, a incursão da Blizzard no estilo MOBA (Multiplayer Online Battle Arena) já consegue inovar muitos dos paradigmas que fundamentam outros jogos como League of Legends ou Dota 2. Espreita a nossa antevisão e percebe como.

A malta da Blizzard, cujos padrões de qualidade nos habituaram a exigir muito, presenteia-nos logo com uma cinemática bem ao seu estilo. Repleta de acção, os heróis e vilões dos maiores jogos da companhia californiana protagonizam um combate fervoroso que serve de mote para entrarmos neste MOBA que difere em muito dos gigantes do género.

Para começar, o principal chamariz de Heroes of the Storm é a amálgama de heróis que compõem o elenco deste jogo e que são oriundos dos títulos com assinatura da Blizzard: Diablo, Starcraft e World of Warcraft. Todos aqueles que imaginaram um confronto épico de titãs entre Kerrigan e Diablo, Arthas e Azmodan, ou até entre Raynor e Illidan, podem agora ver tudo realizado no ecrã do pc lá de casa. Por isto mesmo, esta incursão da Blizzard num novo género é já uma jogada ganha porque cativará as legiões de fãs que acompanham fielmente estas três sagas. Por outro lado, é também uma enorme porta de entrada para aqueles jogadores que, de outra forma, nunca se tinham sentido atraídos pelo estilo MOBA.

À partida, escolher o herói com que iniciamos tem algumas condicionantes. Existem, para já, quatro variantes de heróis (warriors, assassins, supports e specialists) e em cada semana existe uma série deles que podemos experimentar gratuitamente. Na semana seguinte, os heróis disponíveis variam. No entanto, podemos ir desbloqueando novos heróis com coins que ganhamos dentro do jogo ou que podem ser adquiridas utilizando dinheiro real. Da mesma forma, podemos também desbloquear skins e montadas porque, assim como em World of Warcraft, os nossos heróis podem usar este método de transporte para chegar mais rápido ao destino.

Uma das maiores novidades que a Blizzard traz ao género MOBA é a variabilidade dos mapas onde jogamos. De jogo para jogo, o mapa onde nos encontramos tem influência directa na maneira como a nossa equipa se deve deslocar em campo e atingir determinados objectivos. Sejam eles capturar moedas para oferecer a um pirata fantasma que dispara os canhões do seu barco contra o nosso inimigo, controlar altares para soltar a força bruta de um dragon knight ou até apanhar sementes que nos permitem reforçar as capacidades do nosso golem.

Tudo isto numa nova aproximação ao jogo habitual das três faixas, com as habituais lanes, que normalmente caracterizam o jogo táctico dos MOBAs. Aliás, existe até um mapa onde, em vez de três faixas, temos apenas duas e temos de aceder a uma caverna em determinadas fases do jogo. O jogo da Blizzard é muito mais directo no início, exige menos grinding e, por consequência, beneficia o confronto directo entre as equipas.

Por outro lado, não existem itens para comprar durante o jogo como é habitual nos MOBAs, implicando assim menos personalização dos nossos heróis mas também conferindo-lhes uma maior simplicidade. Além disso, com a nossa progressão, a evolução da nossa conta e o consequente nivelar dos nossos heróis, desbloqueamos talentos e novas ultimate skills que fazem toda a diferença no campo de batalha.

Outra das grandes novidades que a Blizzard traz ao género é o facto de cada equipa evoluir em conjunto. Ou seja, ao contrário do que acontece no LoL ou no Dota 2 em que cada herói vai evoluindo independentemente, aqui em Heroes of the Storm toda a experiência ganha conta para o nível da equipa. Se eu mato um herói adversário, os meus colegas de equipa beneficiam com a experiência que ganho por consequência. Assim, Heroes of the Storm beneficia a entrada de novos jogadores com esta inclusão da evolução em grupo. Os erros básicos dos jogadores menos experientes são abafados pela habilidade daqueles que jogam há mais tempo.

Veredicto

No entanto, o grande chamariz do género MOBA é o lado competitivo e, no caso específico de Heroes of the Storm, a Blizzard parece ainda ter muito a aprender com a competição para desenvolver esta versão alpha. Desde estatísticas pouco claras, à falta de um modo de observador como já existe noutros jogos (embora este modo já exista para as nossas próprias partidas), Heroes of the Storm tem obrigatoriamente de desenvolver mais este aspecto se quer singrar no género e marcar a diferença. A Blizzard traz efectivamente uma tempestade de novas ideias ao género MOBA e beneficia sobretudo o estilo casual. Veremos onde a Blizzard levará este seu jogo nas próximas fases de desenvolvimento e cá estaremos para vos contar. Até lá, será que os jogadores estão preparados para uma revolução tão grande no género? Partilhem connosco a vossa opinião.