Depois de ter chegado ao Steam nos finais de Abril, para um acesso antecipado a este jogo da Codemasters, DiRT Rally continua a deliciar os fãs do género num regresso às origens da simulação de Rali no PC. Afinal de contas, desde os tempos de Colin McRae Rally que não se via um verdadeiro título de simulação de corridas deste género. A componente arcade ganhou demasiada força nos últimos anos e aqueles que procuravam uma verdadeira experiência de condução na lama ficaram a ver navios (neste caso carros) a passar a alta velocidade.

Felizmente, essa espera terminou com este lançamento da Codemasters, cada vez mais próximo da sua versão final e que parece destinado ao sucesso. A nível de jogabilidade, como um verdadeiro simulador deve ser, podem contar com carros que fogem da estrada, derrapam pela encosta e quase parecem ganhar vontade própria através da lama. Aguarda-vos uma dose brutal de frustração a início, sobretudo se chegam a DiRT Rally habituados aos anteriores títulos da saga DiRT. Controlar estes carros, verdadeiros cavalos selvagens que tentamos domar, é uma tarefa árdua mas, de repente e sem quase darmos conta, estamos a derrapar como verdadeiros condutores profissionais de Rali e a contornar as curvas mais apertadas.

O factor simulação é, efectivamente, o maior chamariz deste DiRT Rally. Pensem que este jogo está para o género de Ralis tal como Dark Souls está para o género RPG. Exige de nós uma total atenção a cada curva, a cada salto, a cada poça de água. Desviar a atenção, para espreitar o tempo lá fora durante 2 segundos, é sinónimo de um desastre certo, de uma saída da estrada que pode, em alguns casos, ser mesmo fatal e resultar numa desqualificação. Partir o pára-brisas ou rebentar com os pneus do carro são outras das eventualidades que podemos enfrentar e após as quais ficaremos, irremediavelmente, limitados para terminar a corrida em igualdade face aos tempos dos nossos adversários.

E se a dificuldade nos obriga a focar totalmente a nossa atenção em DiRT Rally, a atmosfera do jogo ajuda-nos a absorver ainda mais da experiência deste simulador. Para isso contribuem em muito vários factores: os detalhes e variabilidade dos cenários onde corremos, as condições atmosféricas das várias regiões em que competimos, ou até mesmo os efeitos sonoros que são magistrais.

Os cenários são efectivamente fantásticos e populados com pessoas espalhadas pelas laterais das estradas, como é habitual nas verdadeiras competições de Rali. Contudo, o que de facto distingue DiRT Rally ao nível dos cenários são as corridas em pistas em zonas ermas, completamente dominadas pela natureza. Aí sim, o nosso coração dispara e a adrenalina sobe. Conduzir pelas zonas montanhosas da Grécia, com a encosta sempre ali a ameaçar-nos com uma queda fatal, é quase claustrofóbico. A falta de espaço é enervante mas, acima de tudo, realista. Conduzir em zonas em que apenas o nosso carro cabe em largura é habitual em DiRT Rally. Atravessá-las até pode não parecer problemático se não equacionarmos em conjunto a velocidade com que temos de entrar nestas zonas ou até as curvas a 360º que muitas vezes temos de efectuar.

Também as condições atmosféricas não estão a nosso favor e interferem directamente sobre as pistas onde conduzimos. Conduzir no ambiente seco da Grécia não é o mesmo que conduzir nas zonas frias do Mónaco ou no ambiente húmido do País de Gales. Efeitos como a chuva ou as poças de águas estão extremamente muito bem conseguidos e limitam efectivamente a nossa visibilidade. Isto para não falar quando somos obrigados a conduzir à noite, na penumbra e apenas com o apoio dos nossos faróis e a fraca luz da Lua que se levanta no horizonte ao longe. Consoante as pistas e as condições atmosféricas que enfrentamos, também a sujidade que se abate no nosso carro se altera. Efectivamente se a tua paixão é manter o carro limpo enquanto corres, fazê-lo em DiRT Rally vai ser um desafio.

Como se não bastassem as qualidades que já enunciei nesta antevisão para validar DiRT Rally como um simulador de qualidade, resta-me ainda enaltecer um último factor: os efeitos sonoros. A minha primeira corrida em DiRT Rally, com um Lancia Fulvia HF de 1960, foi uma verdadeira surpresa. À minha espera encontravam-se as escarpas das montanhas gregas e inúmeras curvas e contra-curvas, saltos e travagens bruscas. Começa a contagem para o início da corrida, mudo a visão para o interior do cockpit do carro e oiço o motor a vibrar com o pressionar do acelerador. Arranco e enquanto conduzo o carro pela primeira vez começo a ouvir coisas a bater. Mas que raio seria aquilo? O que é que eu parti? A resposta era nada porque, afinal de contas, estava a conduzir um carro com meio século de existência… aquele som eram as latas do carro a bater com a oscilação pela estrada fora. Um pormenor simplesmente fenomenal em DiRT Rally!

Esta é uma das versões em acesso antecipado mais completas que já joguei no Steam. DiRT Rally não é um jogo fácil de manobrar a início, mas afinal de contas é isso mesmo que se espera de um simulador de Rali. À nossa espera estão já vários carros, de várias décadas diferentes da história dos Ralis internacionais, assim como algumas zonas diferentes que já oferecem muita e variada diversão. Este é um regresso às origens do género de jogos de Rali no PC numa excelente aposta da Codemasters.

Se achas que és um mestre da condução, espera até experimentares DiRT Rally! Deves isso a ti próprio…