Recentemente chegado ao Early Access (Acesso Antecipado) do Steam, depois de uma bem sucedida campanha pelo Greenlight, Besiege é uma agradável surpresa. Construção quase sem limites para construir a máquina aniquiladora perfeita é a premissa de um jogo que tem cativado milhares de jogadores. E ainda só temos um jogo em acesso antecipado, visivelmente incompleto. 

A lógica deste jogo é francamente simples. Construir algo para ir de A para B, apanhar isto ou aquilo ou, simplesmente, destruir o que houver para destruir. Esta brincadeira de juntar blocos e criar alguma coisa, parece-nos tão familiar como quando nos sentávamos no chão para brincar com LEGO. Só que aqui morrem pessoas e ovelhas (que sadismo é este?) sem dó nem piedade. E, se ligarmos a câmara lenta, prédios explodem, soldados voam e ovelhas rebentam de forma épica e sadicamente satisfatória.

Começamos com um bloco… um simples bloco de bordo azul, que funciona como pedra basilar para todos os projectos. O que daí decidirmos criar pode ser uma simples maquineta que anda (teoricamente também pode voar), até uma violenta máquina de destruição. Os objectivos são dados no arranque do nível, regra geral, passam por destruir edifícios, matar soldados ou ovelhas (a sério, porquê?) ou simplesmente chegar a determinados locais. A máquina que construímos tem de conseguir executar uma ou várias missões… e sobreviver até ao fim do nível. Podem haver soldados a disparar setas, minas abandonadas e mesmo canhões inimigos a disparar. Temos de prever isto tudo e equipar a máquina em ataque e defesa.

Dou-vos um exemplo de um nível em que temos de matar soldados e depois passar por três pontos. O problema não é matar os soldados irritantes. Para isso basta um canhão bem apontado a uma mina junto deles. O problema foi subir o monte para atingir os tais pontos. O primeiro ponto atingi. O segundo consegui já com muita dificuldade por causa do peso da máquina. O terceiro, só era alcançável lançando-me do morro e revelou-se impossível… a máquina não passava entre as duas rochas no topo. Tentei umas vezes, sem sucesso.

De volta à construção, optei por um design mais curto nos eixos, armado apenas com um canhão para lidar com os soldados e adicionei pequenos helicóides (peças para voar) para poder oferecer alguma sustentação na descida do terceiro ponto. Infelizmente, não foi uma descida, mas sim uma queda aparatosa, só que o jogo premiou a minha insistência e deu-me vitória na mesma. Já podem ver que o voo neste jogo é uma ciência pouco exacta.

Algumas das máquinas que criei e que partilho convosco, como uma catapulta, um escorpião ou um aríete, tipicamente medievais, são apenas meros exemplos da maquinaria que podem usar para fins destrutivos. Os blocos que podemos usar vão desde os básicos cubos de madeira, passando por peças de suspensão, molas, pistões, rodas mecânicas e outras para colocar a máquina em movimento ou arremessar algo.

Muitas das peças possuem ajustes de físicas (velocidades, tensão, etc) e atribuição de teclas para facilitar o seu uso. É ainda possível combinar múltiplas operações numa só tecla ou usar teclas diferentes para objectos ou funções do mesmo tipo. Por exemplo, já que os canhões só possuem uma bala, convém atribuir teclas diferentes a cada um ou, então, acabam a disparar todos ao mesmo tempo. Também é útil, quando se cria uma máquina voadora, activar os helicóides que permitem voar com a mesma tecla de movimento.

Há só um reparo para esses objectos de voo. Não funcionam muito bem. Usando asas, lemes e as helicóides, cheguei mesmo a criar um helicóptero super complexo usando as físicas de um helicóptero moderno, com rotor principal, rotor de cauda e repleto desses pequenos helicóides para flutuar. Voar, até voa, pelo menos sai do chão, controlo é que não existe, por mais lastro que use. Lá se vai a minha carreira na engenharia aeronáutica.

Mas podemos criar muitas outras máquinas mais ou menos exóticas. Desde um letal tanque de combate, com armadura e tudo, até uma gigantesca grua para mover peças. Por vezes, os mapas obrigam-nos a desfazer máquinas que já temos, para fazer outras de raiz. Outras vezes a máquina é perfeita, mas os soldados fazem questão de a partir toda e temos de colocar armadura. Só que o aumento de peso fá-la mover-se mais lentamente. Há que ajustar a máquina à realidade da missão. Podem criar aberrações ou peças de engenharia dedicadas a matar dezenas de ovelhas de empreitada (eh pá, porquê?). Com um preço simpático, Besiege já levou muitos a perder vastas horas a criar máquinas exóticas. É só pesquisar no Youtube por máquinas que fazem com que as minhas aqui, sejam muito humildes.

Veredicto

Como jogo em acesso antecipado, fiquei surpreendido com as vastas horas de jogo sem problemas. Graficamente exemplar e muito simples de usar, torna-se viciante em pouco tempo. Os quinze níveis da região Ipsilon e a área de sandbox (uma enorme zona de testes), soam a pouco. De facto, o jogo está tão bem feito que é pena não podermos jogar mais. A produção está constantemente a mexer no jogo, tendo até lançado novas peças durante esta nossa antevisão. O que temos em mãos como acesso antecipado, porém, dá uma boa perspectiva do que aí vem.