Depois do sucesso sem precedentes no PC, ARK Survival Evolved chegou nestes dias ao programa Preview da Xbox One. Se o jogo está claramente nas preferências de milhares de utilizadores na rede Steam, terá todas as oportunidades de vingar na consola, certo? 

Se costumam deambular pelo Steam, já terão ouvido falar de ARK. Mesmo nós antecipámos bastante este jogo, desde o dia que foi anunciado. Na Gamescom deste ano soubemos que iria chegar à Xbox One ainda este ano no seu programa Preview e que o jogo final teria uma data de lançamento prevista para Junho de 2016. Realmente, ARK chegou nestes dias à consola Microsoft. No entanto, se esperavam o mesmo jogo das imagens e vídeos da versão PC, vão ter uma desilusão.

Falemos primeiro do que é este ARK. Trata-se de um jogo de sobrevivência em que uma personagem criada por nós “acorda” num misterioso arquipélago pejado de dinossauros e outros animais pré-históricos. Entre gigantes herbívoros e perigosos carnívoros, em terra, no ar e no mar, temos de coexistir, ao mesmo tempo que reunimos materiais, caçamos e construímos defesas. A evolução da personagem é lenta e conta apenas com o crafting de objectos como um simples machado de pedra até paredes e telhados de uma casa, passando por roupas e utensílios úteis. Entretanto, temos de lidar com o frio, calor, ferimentos, fome, doenças e outros factores. É um jogo duro e que só faz sentido jogando em comunidade com tribos.

Infelizmente, a nível de interface, o jogo precisa de muito trabalho para as consolas. Se no PC os menus podem ser facilmente geridos com teclado e rato, com o comando da Xbox One essa tarefa é demasiado complexa. A versão que temos em mãos é inteiramente funcional, mas a lógica não pertence a um jogo de consolas. Poderá ser necessário fazer muitos polimentos, optimizações e redução de passos para, por exemplo, construir peças com crafting. O processo pode ser simplificado com atalhos simples no comando Xbox. Basta que se siga o exemplo de Minecraft e ver como a Mojang criou um interface mais simples do seu jogo nas consolas. Mas o sofrível interface nem é o pior desta versão.

Tratando-se de um jogo em Preview, o equivalente ao Early Access da plataforma Steam, jamais teríamos aqui um produto finalizado. No entanto, com largos meses de ensaios e versões lançadas no PC, seria de esperar termos uma build bem mais optimizada na Xbox One. As imagens promocionais (como as que publicamos nesta análise, cedidas pela produção) com gráficos fantásticos, cenários arrebatadores, dinossauros gigantes a perder de vista e uma promessa de aventura visual fantástica sem precedentes, dão lugar a algo que só podemos classificar de uma versão pré-alpha. Os modelos visuais sem grande rigor com animações toscas, texturas de baixa resolução ou inexistentes em alguns locais, faltas de detalhe, fraca detecção de colisões. Enfim, já vimos jogos no programa Preview com maior qualidade.

Fonte: Candyland

Se as texturas pobres não vos desiludirem, talvez a fraquíssima distância de renderização vos desespere. Não bastam os objectos terem baixa resolução, muitos deles só aparecem estando abaixo de 100 metros. Esta fraca distância de renderização torna a caça, por exemplo, muito mais difícil. Não conseguimos ver animais na distância. Pior, somos constantemente surpreendidos com Tiranossauros ou outros carnívoros que nos atacam constantemente, simplesmente porque só “surgem” quando é tarde demais. Outra tarefa complicada é procurar a nossa casa depois de uma exploração. Onde é que está? Sem um ícone disponível e mesmo com recurso ao mapa, é uma tarefa complicada, porque esta só surge a curta distância.

E não entendo como num MMO, mesmo em preview, os servidores estejam limitados a 70 jogadores. Caso criem a vossa personagem num deles, podem nunca mais lá voltar até que haja espaço disponível. Isto porque o mundo de ARK é persistente. Quando se desligam, o vosso corpo (e tudo o que possuem) fica inconsciente no chão até que voltem. Convém construir uma casa quanto antes e guardar lá dentro todos os objectos e víveres. Caso contrário, poderão não encontrar nada quando voltarem. A alternativa é criarmos o nosso próprio servidor, no entanto, o propósito de jogar em equipa num jogo MMO perde todo o sentido. E notem que o mundo de ARK é implacável e injusto, sendo muito mais difícil sobreviver a solo sem o apoio de uma tribo.

No meio disto tudo, porque não apaguei o jogo? Porque me viciei. Não só a ideia que o nosso ser humano precisa de constante cuidado, tem de comer, tem de se vestir, tem de construir uma casa, tem de se defender, etc, nos coloca em constante alerta, como o mistério das desconhecidas naves e feixes de luz no céu me intrigam. O que é, realmente, a ARK? Onde estamos? Que experiência macabra colocaria um ser humano no meio de animais perigosos? A evolução da personagem pode chegar até a armaduras e canhões, tanto para nós como para os dinossauros e animais domesticados. Quero jogar isto, preferencialmente com melhores gráficos no futuro, para viver esta aventura e descobrir os seus segredos. Mesmo que tenha de sofrer para lá chegar.

Veredicto

Há aqui um jogo muito viciante que se esconde por detrás dos gráficos a precisar de algum trabalho e dos menus confusos, acreditem! Mesmo com essa pobreza visual, ARK Survival Evolved promete ser um dos jogos do próximo ano para a Xbox One (e PlayStation 4), além da versão já aclamada para PC. Temos de nos recordar constantemente que esta é uma versão em acesso antecipado e que faltam meses para o produto final. No entanto, não podemos deixar de olhar para a versão também em Early Access no PC e ver que está a anos-luz desta Preview na Xbox One. Vamos aguardar, logicamente, pelas actualizações que se seguem. Para, já, mesmo assim, continuamos por lá a tentar domar Velociraptors como animais de estimação. Não és só tu, Chris Pratt!