Como fãs que somos do género Survival Horror, é com pena que temos visto a vertente Horror a ser posta (por vezes completamente) de lado em prol de mais acção ou simplesmente a ser mal aproveitada com receio de ir longe demais. As ambiências estão lá e as criaturas também, mas o mistério, os silêncios, o inesperado, os sustos que nos fazem saltar no sofá, a extraordinária sensação de impotência tão bem capturada em Alien: Isolation, por onde é que têm andado? A comunidade indie tem lutado (e bem, diga-se) contra esse aspecto e dela saíram títulos como Kraven Manor, Slender e tantos outros onde reina a arrepiante e assustadora simplicidade. Até mesmo o Hideo Kojima (Zone of The Enders / Metal Gear Solid) soube dar valor a esse esforço com P.T. que abriu portas para a revelação de um novo Silent Hill, desta vez a seu cargo em colaboração com o cineasta e escritor Guillermo del Toro. Mas onde está o horror capaz de ser orçamentado pelas grandes empresas?

A série Alone in the Dark tem sido alvo destes problemas. Desde o primeiro título, aquele que foi considerado como o primeiro do género Survival Horror em 3D, várias foram as entradas na série e várias foram as fugas ao horror puro e duro. Houve a tentativa de recuperá-la no Alone In The Dark que foi lançado em 2008, uma lufada de ar fresco na série e no género mas que também teve a sua quota parte de problemas. Neste ano de 2015, vai chegar até nós a mais recente entrada na série e chama-se Alone In The Dark: Illumination. Está a cargo da Atari, vai ser produzido pela Pure FPS e neste último fim-de-semana decorreu o mais recente beta deste título. Nós estivemos por lá e sem mais demoras vamos deixar-vos as nossas impressões.

Ao entrar no jogo não pude deixar de reparar em algumas opções do menu inicial, nomeadamente as duas primeiras que não dão para escolher, Host Game e Find Server. Não precisei de ir muito longe para confirmar que estava a executar o jogo correcto. No canto superior esquerdo o logo Alone In The Dark: Illumination olhava para mim… calmo, sereno, à espera que eu avançasse. “Mas este tipo, não sabia para o que ia?” Perguntam vocês. Não, não sabia. Geralmente em séries que acompanho, pouco me informo com receio de levar com spoilers. Depois de configurar as opções, rapidamente escolhi a opção Single Player onde me apareceu o menu em que… tive de escolher o cenário, a dificuldade e a classe de personagem que ia utilizar. “Isto não parece lá muito Alone In The Dark”, pensei eu. Cada vez mais tenso, escolhi a única classe que estava disponível, o Hunter. Este é um descendente directo de Edward Carnby, o protagonista principal da série.

Nas boas palavras de Illidan Stormrage: YOU ARE NOT PREPARED! Foi a mensagem que fez eco na minha mente ao entrar no mundo deste título. De facto, eu não estava preparado para os horrores que ia encontrar. Dou dois passos e surge o primeiro objectivo, tenho de ir para um certo local no mapa. Começam a aparecer criaturas. Umas simplesmente fazem spawn e outras surgem de uma forma ainda mais maléfica que é caindo em cima dos companheiros. Uma cospe um líquido verde na minha direcção. Vem demasiado lento! O que é que eu posso fazer? Agilmente desvio-me para o lado. Isto começa a aquecer! Ao meu dispor tenho uma Ak-47 e uma M4. Começo a disparar selvaticamente contra os inimigos que me perseguem a uma velocidade estonteante (nem por isso). Pelo caminho acendo uns holofotes e as criaturas começam a brilhar. Claro, elas são vulneráveis à Luz. Pois o que não faltam é coisas para acender. Quais Hunter qual carapuça, dêem à classe o nome de Electricista!

Em todos os mapas a mesma receita, as mesmas fetch quests onde ia buscar isto e mais aquilo. Dei também com derrocadas de pedras dignas dos Irmãos Lumiére. Não me aguentei. Fui pesquisar sobre o jogo. Não pode ser só isto, pois não? Claro que pode, só que podemos vir acompanhados por mais 3 companheiros num horripilante co-op. Além do Hunter haverão mais 3 personagens: a Witch, neta de Emily Heartwood a protagonista feminina do primeiro título da série. Como armas pode recorrer a… poderes mágicos e controlar os inimigos; o Priest, que não tem ligação com nenhumas das personagens dos títulos anteriores e que poderá também recorrer a poderes mágicos; a Engineer será outra nova personagem que poderá utilizar tanto armas de fogo como algumas engenhocas criadas por si. Sozinhos na escuridão? Pois… parece-me que não será aqui, pessoal.

Veredicto do que sabemos até agora

Muito honestamente não sei o que dizer e o que pensar. Do grafismo e do trabalho de som não vou falar, pois este título ainda se encontra em desenvolvimento. Quanto à jogabilidade é medíocre e apresenta-se como um Left 4 Dead com Resident Evil à mistura, só que juntando o pior do que existe nos dois mundos. A experiência Single-Player serve apenas para nos mostrar o que vamos encontrar no modo online, só que aqui acompanhados pelos nossos intrépidos companheiros de armas. Talvez aqui a coisa se mostre mais interessante? Talvez? Talvez venham a acrescentar mais conteúdo ao jogo? De certeza que sim, aliás se fizerem a pré-encomenda ganham acesso a novos mapas. Que tal? Como fã da série e do género mas foi impossível para mim não me sentir ofendido. De Alone In The Dark, só mesmo apenas o nome levantado à força depois de ter sido derrubado para a lama. Nada do que lhe dava identidade está presente, nada do que a série tão bem vincou no género está presente. Talvez seja por isso que mais tarde me apercebi que o género assenta que nem uma luva a Illumination pois… sobreviver a este horror não foi uma experiência agradável e muito menos fácil de recomendar.