Já vamos no terceiro Saint’s Row e por mais que a crítica caia em cima da série a THQ e a Volition pouco querem saber de acusações de plágio. De facto, SR3 é uma homenagem em larga escala à mitologia dos videojogos. Desde a clara abordagem ao universo de Gran Theft Auto, passando por uma série de clichés amplamente abusados e terminando numa enorme sátira às modas e manias dos videojogos modernos.
Saint’s Row The Third é um jogo intenso, cheio de humor, quase sempre ofensivo mas que convida a mais e mais horas de jogo, ou a desancar em gangues armados até aos dentes ou a simplesmente passear num caça entre os arranha-céus.
Star Wars… não, não é… mas o arranque do jogo é um texto corrido ao género dos míticos filmes da Guerra das Estrelas. Esta é a primeira vez que somos presenteados com uma das muitas referências (homenagens intencionais e não plágios) a filmes e outros jogos. Este texto explica os eventos anteriores e em que pontos nos encontramos no enredo na série.
Alguns anos depois de derrotarem os seus rivais em Stillwater (Saint’s Row 1 e 2) os Saints atingiram o estrelato impulsionado pelos seus feitos e pelas personalidades algo inflamadas dos seus membros. Fatos, bebidas energéticas, bandas desenhadas, os Saints atingiram um patamar de popularidade impressionante.
Mesmo assim, não fogem às suas raízes de gang criminoso e por isso no arranque do terceiro jogo encontramo-nos (a nossa personagem chama-se The Boss) a assaltar um banco na companhia do famoso Johnny Gat, Shaundi e o actor Josh Birk, uma personagem em busca da fama que acompanha os Saints como trabalho de pesquisa para o seu próximo filme. Só que o assalto não corre bem e os quatro anti-heróis são presos.
Descobrem que afinal o banco e o cofre que estavam a tentar assaltar pertence ao famigerado grupo criminosos e rival The Syndicate que curiosamente os salva da cadeia para os levar até um enorme avião onde conhecem Phillipe Loren. E aí começa a loucura. O plano é simples… em palavras… Johnny Gat elabora uma manobra de distracção e nós e Shaundi saltamos do avião.
Nem tudo corre bem, como devem imaginar. Aterramos em Steelport, uma espécie de Pittsburg cujo mapa se parece (demasiado) com Liberty City em GTAIV. E o plano depois transforma-se num desejo de destronar os três gangues residentes em busca da hegemonia criminal.
Depois? Bem, se até esta altura os momentos de acção e a estória nos parecem rocambolescos, preparem-se para uma montanha russa de proxenetismo, abuso de drogas, tiroteios com fartura, perseguições em vários veículos, até tanques, wrestling, concursos mórbidos de televisão, tigres, muitas explosões e até… Zombies… e mais não dizemos.
Pelo meio, há quem nos queira tramar. E não são só os gangues organizados mas uma empresa paramilitar cheia de esteróides, balas e má atitude de nome STAG que para fazer frente aos Saints até um porta-aviões traz… para nós destruirmos.
Levantando um pouco o véu, apenas queremos dizer que este jogo é tão ambiciosamente demente que até nos leva a Marte… sim… ao planeta vermelho… ora não estivesse a Volition (Red Faction) pelo meio…
Não há limite para a loucura de um jogo onde se podem usar dildos gigantes para agredir transeuntes. A estória nem era necessária, mas até é bem elaborada e cheia de clichés e exageros do melhor e do pior de Hollywood. Todas as personagens e eventos têm sempre uma pitada de “homenagem” para não dizermos plágio com na já mencionada cena no arranque em jeito de piada a Star Wars. Mas no final é impossível não rirmos quando ouvimos a referência a Tron num gangue e numa missão ou quando ouvimos The Boss gritar “Talk to me, Goose” a bordo de um jacto, uma das falas mais famosas de Maverick em Top Gun.
Saint’s Row 3 não pretende ser sério e isso vê-se no enredo completamente absurdo mas que proporciona enormes momentos cómicos.
Assim que chegamos a Steelport, depois das cenas introdutórias, somos confrontados com o facto de termos de criar a nossa personagem. Se bem se recordam, já o podíamos fazer numa pequena aplicação disponibilizada dias antes do lançamento e que esteve disponível na Xbox Live e PSN. Mas não pensem que estamos perante uma personalização simples de cara e corpo. Sim também podem moldar a cara e o corpo da personagem, mas depois o grau de demência ultrapassa os limites.
Podem dar os penteados mais rocambolescos, olhos de gato, orelhas tipo spock, voz de zombie, lábios gigantes, entre outras atributos estranhos. Mas também podem escolher a voz, aumentar ou reduzir o Sex-Appeal (nos homens os genitais, nas mulheres o peito), escolher cicatrizes e até escolher as poses para cumprimentos ou insultos.
Escolhemos um musculado ser extraterrestre com cabelo branco de rabo de cavalo, olhos enormes de gato, uma boca descomunal de sapo, olhos pintados, voz de zombie e acreditem que fomos modestos.
Além desta personalização de fisionomia, mais à frente no jogo vão aparecer também lojas de tatuagens e de roupas. Estas ultimas variam da roupa normal de moda, lojas de sadomasoquismo ou de fantasias. Agora imaginem quando encontrámos um fato de freira e vestimos um ser musculado com voz feminina e saltos altos… Ou se se sentem aventureiros, porque não fazer todas as missões completamente nu (com os genitais e peitos devidamente censurados)?
É que depois as cutscenes são “in game” e usam as personagens que criámos. Honestamente tivemos de voltar a uma das lojas de personalização para devolver a dignidade a Boss e vestir o rapaz de forma mais aceitável, isto porque não percebíamos patavina do que ele dizia com voz de zombie…
A nível de jogabilidade, achamos que a fama de clone de GTA não é justa para Saint’s Row. Os dois jogos anteriores tentaram ser mais sérios que este, é verdade. Mas se disserem que SR3 é um conjunto de sátiras à jogabilidade moderna, faz mais sentido.
As missões principais prendem-se com o tiroteio recorrendo a uma série de armas fictícias. Uma delas é mesmo o Remote UAV que conhecemos de Modern Warfare 3. Mas há metralhadoras, pistolas, lança-foguetes, granadas, enfim. Até ao fim do jogo existem uma boa variedade entre armas convencionais e modernas para escolher e evoluir para aumentar a efectividade e capacidade de munições, etc. O combate bélico é competente e relativamente fácil de dominar, se bem que por vezes temos de ter cuidado para não ficarmos envoltos pela quantidade mórbida de inimigos em algumas situações. Temos três facções e a polícia para nos perseguir se fizermos muitos estragos. Quanta mais notoriedade, mais inimigos e mais meios são colocados no terreno. Não vão querer chegar às cinco estrelas (gangues rivais) e cinco escudos (polícia) ao mesmo tempo. Não sabemos se é pior a quantidade de balas pelo ar ou a falta de cobertura patente no jogo. E já agora, não há sistema de cobertura… o Boss não precisa dessas criancices!
Depois temos algumas partes de missão em que é preciso conduzir automóveis. Mais uma vez os veículos são fictícios, mas são muitos, variados e de diferentes capacidades e características. As motas são ágeis e rápidas mas não oferecem nenhuma protecção, os velozes carros desportivos são rápidos mas destroem-se rapidamente e os grandes jipes são robustos mas lentos. Também podemos personalizar os veículos com vários níveis de performance e mesmo pinturas e aspectos de tuning. Imaginem um táxi equipado com nitro ou um carro de polícia com espigões que furam pneus… magnífico. Para roubar um carro, não precisam de perder tempo a partir vidros, basta saltar pelo pára-brisas adentro ou atordoar o condutor abrindo e fechando a porta do carro… na sua cabeça…
Claro que queremos sempre é partir à descoberta e mesmo com a inclusão de barcos rápidos e lanchas ágeis, o que queremos mesmo é voar. Sigam para o aeroporto onde encontram um simples avião ligeiro tipo Cessna, mas também jactos privados e até militares. Depois lá pelo meio da estória é-vos oferecido um helicóptero de combate e quando houver a invasão dos STAG existem três aparelhos híbridos todos futuristas para usar e abusar entre o modo de voo normal e hover, uma espécie de modo helicóptero.
Quando estiverem entre missões da estória principal, existem uma série de actividades para executar. Isto de planear ser rei do crime na cidade envolve algum trabalho. Desde missões em que temos de recrutar prostitutas, escoltá-las com um cliente que não quer ser visto pela imprensa, assassinar grupos de gangues rivais, viajar de carro com um tigre ao lado para aumentar a nossa coragem (ainda levam este jogo a sério?), adquirir direitos de lojas ou comprar edifícios, missões de destruição em tanques ou helicópteros, actos de fraude de seguros em que nos temos de magoar à séria ou ainda um hilariante concurso televisivo ao estilo japonês em que temos de matar, simplesmente, em labirintos que faziam corar o próprio Joker de Batman, o objectivo é ganhar porções de bairro para dominar a cidade. As missões diferem em grau de dificuldade e intensidade. São complementares ao enredo principal, mas achamos que acabam por ser até mais interessantes, nem que seja pelo que nos fazem. Ouçam bem os comentários das personagens, sobretudo os comentadores do tal concurso televisivo.
Depois é deambular de quartel-general em quartel-general, a que o jogo chama “Cribs”, pegar num carro diferente que tenhamos na garagem ou um helicóptero ou nave no terraço e espalhar o caos por assaltar transeuntes, despencar o nosso carro contra outros, encontra objectos perdidos pela cidade entre outras actividades mais ou menos lícitas.
Por estas actividades, ganhamos não só dinheiro mas Respeito que nos faz evoluir de nível de desbloquear extras e bónus como poder chamar amigos para nos ajudar no combate, resistir aos danos das balas ou de explosões, aumentar os bónus de pagamentos por hora, etc.
Preparem-se para alguns Achievements/Trophies do outro mundo como o maior número de tiros nos genitais e outras pérolas.
Falando somente do controlo, são controlos fáceis de dominar, excepto no controlo de tanques, aviões e helicópteros que não foram bem pensados. Justifica-se uma alteração aos botões para se assemelharem mais aos controlos de outros jogos mais experientes. Não se usa muito, por exemplo, o controlo de potencia no analógico esquerdo (tanques) ou nos botões nos comandos das consolas.
Se vos cansar andar pela cidade a espalhar a morte e crime de forma solitária, não desesperem. Há um modo cooperativo que vos permite jogar toda a campanha e missões secundárias com amigos. E nada como ter um amigo com lança-foguetes ou um tanque enquanto estamos a fazer base-jump de um arranha-céus. Se bem que no final parece que as missões passam para segundo plano e obrigamos o companheiro a seguir os passos da missão ou então entramos no modo “Estupidez” e perdemos o rumo à estória. De qualquer das formas é divertido e dá para mais e melhores momentos, mesmo tendo em conta que por vezes precisamos entrar num veículo e o nosso companheiro está entretido num carro a atropelar pessoas. Nota positiva para o modo cooperativo porque tudo o que fizermos nesse modo transita para o modo carreira. Falamos de dinheiro, respeito e todos os items que angariarmos.
Mais ou menos. Estamos mal habituados com jogos que puxam o realismo ao máximo. Mas notem que não é o objectivo de Saint’s Row 3 competir graficamente com ninguém. As animações são cómicas com o design do jogo também o é. Não há propriamente o interesse em criar texturas ou efeitos realistas.
O estilo do jogo roça o cómico com a banda-desenhada. Há algumas texturas semi-realistas e os modelos de construção de edifícios são relativamente realistas, assim como o modelo de condução e pilotagem. Mas não é um jogo que procura provocar doses de realismo já que se temos cabelo verde e pele de vidro azul, vestidos de dominatrix, dificilmente é para sermos levados a sério.
Mesmo com a Volition pelo meio, os mentores do projecto já mencionado Red Faction, não há destruição épica de edifícios como nessa série. Mas há muita dose de explosões, balas a viajar por cima das nossas cabeças, mesmo o design da equipa STAG faz-nos lembrar (demais) as forças de segurança EDF. Digamos que os momentos de acção, entre carros a explodir ou esmagados pelos tanques, fogo por todo o lado, gritos e sangue em poças com abundância, até mesmo a desancar Zombies o jogo tem bom aspecto. Mas não deslumbra.
Existem alguns erros nas transições das animações, como por exemplo tentar reanimar um companheiro depois de andar a correr tem uma pausa incompreensível. Há também bastantes erros de colisões com poços invisíveis na estrada onde o nosso carro se enfia, paredes invisíveis e muros intransponíveis em algumas áreas.
Também a nível de objectos dinâmicos, é normal os carros aparecerem ou desaparecerem no nosso campo de visão. Sabemos que isso tem a ver com a optimização na distância de renderização, mas podia não ser tão visível como é, por exemplo em voo.
A inteligência artificial é absurdamente pouco inteligente. É normal estarmos frente a frente a um adversário e ele não se esconder e sem reagir aos nossos tiros. Apesar de por vezes aparecerem em grande número, não há grande desafio em atingi-los porque eles até pausam para dar tempo mais que suficiente para fazermos mira. Também os transeuntes frequentemente aparecem no meio da estrada sem qualquer justificação. Se dermos um toque num veículo na estrada este parte em pânico atropelando e partido tudo pela frente. O mesmo acontece se andarem armados pela rua ou se se ouvirem tiros. Por vezes temos missões em que temos de perseguir alguém ou procurar pessoas na berma da estrada. É normal que tenhamos ir mais devagar. O carro atrás entra em modo “loucura” ultrapassa-nos em contra-mão e bate noutro carro e atropela toda a gente que encontra… menos cafeína?
Há que mencionar que dentro da dose de loucura deste jogo, temos de louvar o mundo aberto numa cidade viva e cheia de pontos de interesse. Curiosamente embora tenhamos vários momentos de sol, chuva ou luar, não há transições nem ciclos de dia. O ambiente mantém-se até iniciarmos e terminarmos uma actividade. Não sentimos o passar do dia se nos mantivermos parados como noutros jogos. Não entendemos esta escolha da THQ/Volition, mas certamente que é uma muleta de programação já que obrigaria a uma animação da luminosidade e isso era demasiado realista para um jogo que até a Marte vai…
Por fim o som. Não podemos esquecer que neste jogo o casting de vozes é genial. Não só as personagens principais como as secundárias e mesmo as acessórias cumprem um papel importantíssimo no interesse geral do jogo. Achamos que não há melhor homenagem à comicidade do jogo que as falas interpretadas por actores de renome como o próprio Burt Reynolds que é o Mayor de Steelport. Mas também lá está a actriz porno Sasha Grey (Viola) , o “perdido” Daniel Dae Kim (Johnny Gat) e o grande wrestler Hulk Hogan (Angel De La Muerte).
E depois há a banda sonora. Desde o Heavy Metal de Amon Amarth ou Opeth a Hip Hop de Kanye West ou Mos Def, num conjunto de rádios que podemos ouvir nos veículos e que só acrescentam envolvência e qualidade. Pelo meio temos outros géneros como Electrónica e Dança com Benny Benassi ou Deadmau5, latina com Pitbull ou Don Omar, Anos 80 com Bonnie Tyler ou Faith No More e até música clássica… com Bach ou Mozart… há de tudo. E imaginem estarmos a fugir à policia a ouvir a Dança das Valquírias de Wagner… não há preço para isso!
Saint’s Row The Third é um jogo divertido. Acima de tudo é um jogo cómico que prende a atenção para proporcionar épicos momentos hilariantes e cheios de insinuações. Achamos que a loucura, por vezes, ultrapassa os limites tornando-se momentos de pura criancice. Mas é essa a premissa do jogo. Não deve ser levado a sério, não devemos comparar com outros jogos que contenham mensagens de moral ou estórias profundas. Saint’s Row The Third é puro “Entertainment”. Não há pretensões de se debater com outros. E na demência do princípio ao fim das suas cerca de 20 horas de jogo torna-se único pelos momentos de violência e sexo gratuitos, pejados de humor negro e referências a filmes e jogos do género…
Todo e qualquer texto publicado através deste sistema não reflecte a opinião deste site ou dos seus autores. Os comentários publicados através deste sistema estão sujeitos a moderação pelo qual poderão não ficar disponíveis de imediato, são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso. O autores deste site reservam-se ao direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de carácter promocional ou inseridos no sistema sem a devida identificação de seu autor (nome completo e endereço válido de email) também poderão ser excluídos.
Parece que não há limites para a loucura neste jogo… xD
29 Novembro, 2011 às 13:20 |