Mais infoProdutora: Kylotonn GamesEditora: Bigben InteractiveLançamento: 07/09/2018Plataformas: , , , , Género:

O adorado jogo de corridas que surgiu na PlayStation original, está de regresso pela mão da produtora Kylotonn Games e da Bigben Interactive. Depois de uma espera de 15 anos, vamos ver como V-Rally 4 se comporta nesta geração. 

A série V-Rally já nos acompanha desde 1997. E já de uma grande volta, se considerarmos que nessa altura ainda pertencia à família Need for Speed. Com o decorrer dos anos, esta série cimentou-se como um jogo de corridas exigente e difícil de dominar. V-Rally 4 não é diferente e conta com os óbvios 15 anos de avanços tecnológicos que conseguem elevar uma série, que já altura era avançada para a época. Ao volante da produção temos agora a Kylotonn Games, a produtora virada para a velocidade que devem reconhecer dos mais recentes títulos TT Isle of Man: Ride on the Edge ou WRC 7 Por curiosidade, conta com o director Alain Jarniou, que trabalhou também em V-Rally 3 para a PlayStation 2. O que nos deixa com boas perspectivas.

O último jogo oficial WRC 7 foi uma agradável surpresa no campo dos Rallies. E parece que V-Rally 4 vai continuar pelo mesmo caminho de qualidade que a Kilotonn parece empenhada em trazer. De regresso às suas raízes, é claro que a que série está a optar por um caminho mais focado na simulação ao invés da condução arcade dos seus antecessores. Não quero com isto dizer que vão encontrar aqui um simulador muito difícil de dominar. No entanto, certamente irá ser bem mais realista. Acredito que os fãs da série quereriam um jogo que tivesse o mesmo espírito e condução dos jogos anteriores. Devo dizer que isso não vai acontecer. Mas, também acredito que a maioria não ficará decepcionada.

V-Rally 4 fica ali num intermédio, com uma condução mais directa e desligada de alguns pormenores mais realistas, como é o caso da predominância da câmara na terceira pessoa. Contudo, quando colidirem com o primeiro obstáculo vão rapidamente perceber que precisam de todos os sentidos, além de uma grande atenção ao travão e ao acelerador em cada curva. Desta forma, concluo que V-Rally também não está aqui para competir com jogos como OnRush ou Gravel, que optam por uma condução mais descontraída, mas também não vai de encontro aos simuladores. Há um equilíbrio notório que, parto do suposto, se deve à experiência da produção na série WRC, removendo obviamente as homologações dos veículos, licenças ou o tal foco na simulação.

Comparações à parte, queremos é conduzir para ver o que o jogo vale. Logo no início, temos introdução que nos explica o que devemos fazer a seguir, que tipo de carro comprar e como todas as lógicas e mecânicas funcionam. Basicamente, são boas vindas com uma espécie de tutorial do modo carreira, que inclui uma visita guiada pelas diferentes modalidades. Esta fase introdutória tem também uma demonstração da progressão, num esquema compassado, controlando inicialmente veículos mais fracos, avançando até aos carros mais potentes do Hill Climb. Mas, já lá vamos.

O que não gostei nesta parte inicial foi da inconsistência em alguns pedidos que nos fazem. Alguns desses pedidos, geram erros que impossibilitam avançar no jogo se não escolhemos o carro certo para a lógica pré-estabelecida do jogo. Por exemplo, tentei várias vezes adquirir com um carro de rally mas o jogo acabou por forçar-me a comprar um de Rally Cross. Isto, apesar de ter indicado antes que poderia escolher livremente entre os dois. Denota alguma coreografia exagerada que nos dá uma falsa noção de escolha. O que, se olharmos para outros jogos no género, vai contra a prática comum de nos deixar optar pelo caminho ou género de condução que queremos.

Para atenuar a dificuldade lendária desta série, as primeiras corridas servem, não só para explicar como a condução funciona, como também para o próprio jogo “aprender” a forma como preferimos jogar. No final da primeira corrida, ao volante de um VW Polo, é perguntado se queremos algum tipo de assistência na condução com ABS e ASR, baseado na nossa prestação.

Depois de algumas corridas, entramos no ritmo. E são também apresentadas algumas opções de mecânica interessantes para os mais de 50 carros disponíveis. Algumas dessas opções são bastante úteis para a nossa condução e  passam pela possibilidade de ajustar os valores da caixa de velocidades, mudar a altura da suspensão e ainda escolher na força das molas. Pode parece demasiado técnico mas o jogo explica-nos cada uma das opções, caso estejamos perdidos.

A progressão é recompensada com o dinheiro que ganhamos nas corridas e com os patrocínios que vamos adquirindo ao longo da carreira. Todos os patrocínios têm um objectivo, como terminar no top 3, acabar uma temporada com uma só marca ou participar numa série de desafios à parte. O dinheiro serve, não só para comprar carros novos e poder avançar na carreira, como também é preciso para pagar a equipa técnica, as reparações dos carros e para as restantes melhorias. Portanto, é preciso também ter um bom controlo das finanças ao longo da carreira.

Um ponto onde V-Rally brilha é na sua diversidade de modos de jogo. Como já mencionei, temos à disposição mais de 50 carros que passam desde os clássicos Mini Cooper de 1965 até às maquinas mais recentes de rally como VW Polo ou o Ford Focus RS. Há ainda outros tipos de carros característicos para as diferentes disciplinas presentes no jogo e todos eles podem ser personalizados através de diferentes configurações de vinil. Depois, temos ainda as diferentes modalidades que, por si só, cada uma podia muito bem ser um jogo à parte e que preenchem as medidas de qualquer fã deste género de condução.

O modo Rally dispensa apresentações e é a característica corrida contra-relógio. Aqui vamos trilhar troços desafiantes em África ou no Sequoia Park, sem esquecer o Japão, alguns disputam-se em condições extremas, como neve, gelo ou lama. Extreme-Khana, o meu favorito, requer mestria e precisão de condução por troços cheios de obstáculos e espaços apertados. V-Rally Cross leva-nos para fora dos trilhos igualmente apertados, colocando-os em pista com outros 7 adversários. Buggy coloca-nos ao volante de um todo-o-terreno em pistas e troços particularmente acidentados. E depois temos Hill Climb, de longe o mais difícil, com carros que atingem 120km/h em menos de dois segundos com o objectivo de chegar ao topo da montanha.

Cada uma destas disciplinas é uma experiência completamente diferente. E em todas elas nota-se o cuidado na sua produção em torná-las desafiantes e variadas. V-Rally 4 obriga-nos a dominar diferentes disciplinas, mostrando quão diferentes podem ser. E isto torna-se ainda mais evidente quando temos de colocar a nossa proficiência em prática contra outros jogadores reais nos modos multi-jogador. O muito conhecido (e raro) “kit de unhas” é essencial para ganhar corridas. É também uma demonstração da qualidade técnica que os pilotos reais precisam de ter quando transitam para diferentes disciplinas.

Visualmente, V-Rally 4 não impressiona, nem desilude. Talvez se deva ao facto de ter um visual muito semelhante a WRC 7. Contudo, os locais mais diversos e um pouco mais amplos, dão-lhe outra vida. Alguns locais, como o Japão, estão tão bem criados e cheios de vida, que dá vontade de abrandar o carro e apreciar o que nos rodeia. Os veículos em si estão todos bem recriados e possuem os já conhecidos efeitos de sujidade e de danos. Em termos de efeitos sonoros, porém, o som dentro do habitáculo continua a ser abafado, mal se ouve o nosso co-piloto e os restantes sons nem sempre estão sincronizados com a acção. Aqui, a produção podia ter aprendido um pouco com o último título da sua autoria.

Veredicto

O regresso desta série era há muito tempo pedido pelos fãs. Apesar de V-Rally 4 ter perdido parte da essência dos jogos de arcada originais, consegue oferecer uma experiência de condução mais gratificante, dando-lhe uma dose moderada de realismo. É o título mais completo desta série até à data, sem dúvida. E, apesar de ainda ter algumas arestas para limar, fruto talvez da pouca experiência da Kilotonn Racing Games, é uma demonstração de qualidade e diversidade no rumo certo, prova que a série ainda está aí para as curvas.

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