Mais infoProdutora: Toys for BobEditora: ActivisionPlataformas: , Género: ,

É verdade, o pequeno dragão roxo de está de volta, agora com um conceito semelhante ao que aconteceu em Crash Bandicoot N. Sane Trilogy. Esta Spyro: Reignited Trilogy vem revitalizar toda a série, apontando também a novos jogadores.

Nos últimos cinco anos, já perdemos a conta de remasterizações que foram lançadas com um mínimo esforço, numa boa quantidade de casos só para aumentar a oferta de algumas plataformas. Em termos de tempo e recursos, é obviamente mais dispendioso recriar um título com o intuito de revitalizar toda uma série que, entretanto, sentiu o peso dos anos a passar. Contudo, isso não quer dizer que seja algo impossível. Já vimos um excelente trabalho em Shadow of the Colossus ou na já mencionada Crash Bandicoot N. Sane Trilogy. E, agora, também podemos ver em Spyro: Reignited Trilogy, que é o regresso de um ícone da PSOne. Aqui entre nós, já merecia uma revisita.

Esta trilogia traz de volta os três primeiros capítulos do simpático dragão roxo. Esses foram desenvolvidos originalmente pela Insomniac Games e foram lançados em sequência entre 1998 e 2000, então para a primeira consola PlayStation. O trabalho desta profunda remasterização que temos em mãos ficou a cargo da Toys for Bob, a mesma produtora que nos trouxe, entre outros jogos, a famosa série Skylanders. Ou seja, experiência neste universo, não lhe falta.

Se, por ventura, não conhecem Spyro, a história é bastante simples nos três jogos da série, partilhando os traços gerais da trama. Há sempre um vilão que rapta alguém ou rouba alguma coisa e cabe ao protagonista salvar o dia. Só que Spyro, por ser pequeno, é sempre desconsiderado. Obviamente, isso não o impede de resolver os problemas ao longo da trilogia. A própria história não procura (nem precisa) de ser complexa, dado o público-alvo mais juvenil.

Mesmo assim, nesta trilogia assistimos a uma jornada que representa o crescimento da série, desde as origens até ao episódio final. Não é tanto pela história em si, como já disse, nem pelo sentido de continuidade dos três episódios. O que é notório é o refinar de uma saga que contribuiu tanto para a evolução dos jogos de plataformas em três dimensões. Uma capacidade única da Insomniac, esta de deixar a sua marca no género e que mais tarde se traduziu numa série ainda mais popular de uns tais Ratchet & Clank.

A trilogia de Spyro apresenta-se assim como um embrião mais permissivo e mais livre que o seu colega marsupial. O pequeno dragão é capaz de saltar, planar, cospe fogo e ainda consegue investir um ataque com os seus pequenos chifres. Os níveis são, em média pequenos, mas possuem imensos coleccionáveis que vão desde gemas preciosas a ovos de dragão para lhes dar mais longevidade. Alguns até são bastante vastos, podendo demorar um bom tempo a descobrir onde está tudo.

No segundo capítulo, as coisas começam a ficar mais complicadas e, ao mesmo tempo, mais interessantes. Aqui, Spyro consegue adquirir habilidade adicionais durante a aventura como nadar e escalar. Os níveis foram enriquecidos de conteúdo e foram adicionados mini-jogos, além de umas actividade secundárias. No terceiro e último capítulo, então, a base lúdica atinge a sua expressão máxima da série. Traz novas personagens jogáveis e a variedade assume o papel central da fórmula. A evolução, como disse, é notória.

Esta reedição, portanto, precisava apenas melhorar isto. Como devem calcular, o novo design de Spyro é dos pormenores mais profundos que podemos encontrar, comparando com os jogos originais. É mais elaborado e moderno, com novas expressões faciais que lhe dão um ar mais astuto e algum charme. As animações do protagonista agora são mais detalhadas, credíveis e “adoçadas”, tanto em terra ou a voar. E todo este redesenhar das personagens também é notório nos actores que lhes emprestaram a voz. Muitas das novidades são o resultado de uma mistura entre o que já conhecíamos e outras criadas por ocasião desta reedição.

A equipa de produção da Toys for Bob tomou algumas liberdades neste projecto. Contudo, foram sempre respeitando o trabalho original da Insomniac. Um dos melhores exemplos encontra-se em Spyro The Dragon (o primeiro capítulo), onde os dragões que precisam de ser libertados têm um novo aspecto e uma personalidade mais vincada. O mesmo se aplica a Ripto’s Rage (segundo capítulo) onde o novo aspecto dos olhos do próprio Ripto dá um ar muito mais digno de um vilão.

São pequenas melhorias estéticas, na maioria dos casos muito subtis, que dão outra dimensão a toda a trilogia e preenchem as lacunas que a tecnologia não conseguia na época. Em nada menospreza ou “desonra” o trabalho original. Apenas o expande, dando mais vida a estas personagens. No fundo, é isto que se pretende em qualquer reedição de jogos. Foi algo que gostei bastante no “primo” Bandicoot e que agora vejo também aqui.

Só que, após uma inspecção mais cuidada, chego à conclusão que esta trilogia não é apenas uma operação de cosmética ou revitalização. Este foi um processo de modernização em vários níveis. O objectivo foi claramente trazer o jogo para os padrões actuais, não apenas no seu aspecto visual, sobre o qual já falei um pouco. Por mais que gostemos de alguns clássicos, como os Spyro originais, é preciso recordar que os tempos são outros.

O trabalho da produção também passou pela densidade do que acontece no ecrã. A cobertura plana e sem vida que antes reinava nos níveis, desaparece, dando lugar a luxuosos e embelezados palcos cheios de vegetação. Toda a arquitectura dos edifícios foi reconstruída de raiz, também com mais detalhe e definição, até com bandeiras no topo a dançar ao vento. Felizmente, toda esta qualidade funciona bem na PS4, com um excelente trabalho de optimização neste hardware, bem mais potente que a velhinha PSOne.

Noutros lados, também se mexeu na jogabilidade onde era preciso. Não mais andaremos meio perdidos em cada nível, como acontecia nos jogos originais. Agora, graças ao mini-mapa que pode ser activado em todos os capítulos, podemos planear melhor a navegação. Outra importante ajuda é que, com um rápido acesso ao menu, podemos ver o que nos falta fazer em cada uma das zonas. Uma preciosa lista de tarefas, bastante útil para não ficarmos confusos no que falta fazer.

Os controlos, como seria de esperar, foram também todos modernizados e estão mais fluídos e de encontro aos padrões de hoje. Contudo, nem tudo funciona da melhor forma. Notei que a câmara continua demasiado próxima quando fazemos uma investida com os chifres do Spyro, tornando-se complicado mudar de direcção sem bater em obstáculos. Isto é especialmente notável no primeiro capítulo. Se tivermos em conta que a produtora nunca teve acesso ao material original, até é de louvar a sua atenção às proporções e distâncias, que são cruciais para um jogo de plataformas.

Veredicto

Spyro: Reignited Trilogy é uma excelente remasterização, uma daquelas que podemos usar para demonstrar como se devem reeditar clássicos. Moderniza-se onde deve, mas mantém aquela jogabilidade que não queremos parar de jogar. Os jogos estão cheios de alegria, cores e, claro, preza-se bastante o sentimento de nostalgia. Spyro entra assim numa era mais moderna com um grafismo mais apelativo. É uma compra obrigatória para todos os que querem (re)viver a história da PlayStation e para os que gostam de uma boa e divertida aventura de plataformas.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.