Mais infoProdutora: RareEditora: MicrosoftLançamento: 20/03/2018Plataformas: , , Género:

Esfreguem as mãos de contentes, corsários! A nossa análise a Sea of Thieves zarpou para uma aventura algo diferente. Não só estamos a içar as velas, como também partimos para o desconhecido ao vosso lado. Os sete mares que se cuidem!

A segunda parte pode ser lida mais abaixo.

Porque este é um jogo diferente, vou fazer uma análise diferente também. A mais recente aventura da Rare assim o justifica. Não só os servidores só ficaram disponíveis apenas no dia de lançamento, 20 de Março, como também foram assolados por diversos problemas de ligação que me impediram de conseguir a melhor experiência. Contudo, coloquei à mesma a pala no olho e saquei das minhas espadas cutlass para pilhar esses tesouros. Porque este jogo exige alguma dedicação e paciência, vou dividir a análise em duas partes. Esta primeira falará das primeiras horas de jogo. A segunda parte será mais dedicada à experiência a longo prazo. Por isso, armem os canhões, desçam as velas e subam a âncora, marujos!

Primeiras horas de jogo

Isto de ser um pirata tem o seu quê de interessante. Ainda no outro dia falei de Assassin’s Creed: Black Flag como sendo um dos jogos que mais gostei dessa série. Não é que a pirataria fosse algo tão charmoso como a Disney quer fazer crer com os “Piratas das Caraíbas”. Todos proscritos, se o escorbuto ou outra doença não os apanhassem, ou morriam na ponta de uma espada ou acabavam afogados. Pior, podiam ser caçados pelas organizações que os perseguiam e enfrentavam a tortura ou o cadafalso. A sua reputação era sempre das piores, entre as pilhagens, os assassinatos, os assaltos e tantos outros actos que colocavam a sua cabeça a prémio.

Contudo, no mundo dos videojogos, como no cinema, os piratas aparecem sempre como paladinos de causas nobres ou dos desfavorecidos. Gente bruta mas afável, com foco apurado para a riqueza fácil, sede de rum e muita aptidão para a aventura. E é essa também a fórmula da Rare para este jogo, exclusivo para a Xbox One e PC com Windows 10. Com uma leve introdução num mapa animado, somos informados que em Sea of Thieves somos um simples oportunista em busca de riqueza e fama. Para essa epopeia, temos um vasto mar repleto de ilhas e arquipélagos para explorar. E em quase todos os locais que encontramos, há a promessa de tesouros escondidos e muitos mistérios para desvendar.

Iniciamos o jogo criando o nosso pirata virtual. Na verdade, não é bem uma criação de uma personagem, mas sim uma escolha. O jogo gera um conjunto de piratas de forma aleatória, alterando corpo, aspecto facial e vestimentas e só temos de escolher um. Se não gostarmos de nenhum, podemos simplesmente pedir para gerar um novo conjunto. Confesso que fiquei desapontado por não poder criar o meu próprio pirata. Não é que seja realmente importante, afinal o jogo passa-se na primeira pessoa e raramente vemos a representação da personagem. Contudo, uma vez que lá para a frente podemos trocar roupas e até cabelos e barbas, parece-me uma contradição no que toca à personalização da personagem.

Pirata escolhido, mas nada podemos fazer no mar sem uma embarcação. Podemos optar por navegar numa nau ou numa pequena escuna. A diferença entre estas duas embarcações é a sua dimensão e a quantidade de tripulação necessária para as operar. Para a escuna, podemos ir sozinhos para o alto mar, operando velas e leme sem grande problema. Mas, na nau vão precisar de ajuda. As diferenças também estão no poder de fogo e capacidade de transporte de tesouros. O porão da Nau também alberga brigas e espaço para carga adicional. No convés há também muitos pontos de defesa e mais canhões. A escolha parece fácil: todos quererão a nau. Mas, para a operarmos como deve ser, precisamos de quatro elementos. E aqui começam os problemas.

As minhas primeiras horas de jogo foram complicadas. Nas primeiras tentativas, joguei a solo e procurei tripulação para uma nau. Entre muitas ligações interrompidas e crashes, lá consegui entrar. Depois, o matchmaking até foi rápido a encontrar sessões, mas nas primeiras tentativas, juntou-me a jogadores que estavam pouco interessados em fazer as aventuras. O resultado foram navios abandonados à deriva ou apenas um desnorte completo. Não ajuda muito a comunicação em chat local de proximidade, bastando que nos afastemos para não ouvirmos ou falarmos com ninguém. E já nem falo dos jogadores que nem falam em jogo sequer. Este jogo precisa claramente de uma boa organização e comunicação básica.

Nota-se claramente que Sea of Thieves tem de ser jogado com amigos ou, pelo menos, num grupo que esteja disposto a entreajudar-se. O que, não sendo impossível, vai ser algo complicado com estranhos. Esta premissa significa também que os jogadores solitários vão passar um mau bocado. É bem possível jogar sozinho, numa pequena escuna. Contudo, este jogo não tem apenas elementos cooperativos. Porque partilhamos o mapa com outros jogadores e outros grupos, num verdadeiro MMO de acção, há também elementos PvP (Player Vs Player). O que significa que poderemos ser atacados por outros jogadores e pilhados. Não há honra entre ladrões, já sabem.

Eventualmente, consegui reunir um grupo de amigos e lá começámos a aventura. O primeiro impacto do grupo nestes primeiros instantes da acção é de deslumbre, graças a todo o ambiente criado pelo visual e pela muito apropriada banda sonora. Já tinha passado pelas diversas Alphas e Betas deste jogo e, obviamente, já não tive o mesmo impacto. Mesmo assim, não posso deixar de assinalar esta qualidade técnica em quase tudo. Ok! Não há foto-realismo nos objectos ou personagens, tudo é caricaturado em jeito de banda desenhada. Também não há nenhum interesse em realismo no que toca às físicas, num jogo onde podemos entrar num canhão e ser disparados do mesmo para terra (sem morrer).

Lá no meio do deslumbre, a simulação da água do mar é que é qualquer coisa de fenomenal. É capaz de ser das melhores simulações de líquidos que jamais vi num videojogo. Esperem até encontrar mar revolto no meio de uma tempestade, com o navio a subir e a mergulhar em ondas gigantes, a adornar com vento forte a provocar spray. É, simplesmente, fantástico e merece todo o meu destaque. Em vários momentos, fez-me desejar que todo o resto do jogo acompanhasse esse realismo impressionante. Especialmente se fizerem como nós e jogarem num bom PC com Windows 10 ou numa Xbox One X.

Mas, não estou aqui para ser deslumbrado. Estou aqui para pilhar e beber rum… e já não tenho rum. Com zero moedas para comprar seja o que for, eu e a tripulação decidimos passar pelos vendedores na ilha onde arrancamos, para aceitar o máximo de aventuras que conseguíssemos. Inicialmente, todas são grátis, pelo que conseguimos reunir uma boa quantidade de missões. Estas aventuras são, em muitos casos, caças ao tesouro em locais estratégicos nas várias ilhas, decifrando enigmas escritos ou lendo mapas de tesouro. Adicionalmente, também decidimos que iríamos pilhar todos os locais de oportunidade que encontrássemos a caminho de cada missão. O mote estava dado, era altura de “trazer esse horizonte”, yo ho!

A coordenação da equipa implica que todos têm um papel na navegação. Alguém no leme tem o papel de guiar o navio e observar a direcção do vento. O resto da tripulação está encarregue de orientar, estender ou recolher as velas, lançar ou içar a âncora, ler o mapa geral, carregar e disparar canhões, subir à gávea para observar o horizonte e até outras tarefas mais singulares, como tapar buracos de balas e escoar a água no porão com baldes, entre outras acções. Todos podem alternar de posto e não há posições fixas. Nesta lógica os quatro jogadores terão sempre algo para fazer a bordo.

Uma vez lido o mapa e encontrada a ilha do primeiro enigma, lançamos âncora e saltamos para água. Na primeira pessoa, os perigos são outros e temos de nos precaver contra as diversas ameaças. Inicialmente, o nosso pirata está armado com uma espada simples e uma pequena pistola. Se quiserem, podem alternar estas armas para um bacamarte maior ou uma espingarda de sniper (sim, leram bem). Mas, honestamente, não vão usar muito as armas de fogo. As balas são muito escassas e em combate não são muito eficazes. Na maior parte dos casos, contra os esqueletos ou outros perigos que encontrei, acabei sempre a usar a espada.

De um modo geral, acho este combate no chão um pouco fraco. Cumpre o objectivo de nos dar mais acção a pé, mas não é nada realmente desafiante. As armas de fogo não possuem mira (à excepção da espingarda de sniper, pelos motivos óbvios), não há um sistema concreto de lock nos adversários ou de cobertura em tiroteio. Com as espadas o combate é mais interessante mas simples na mesma. Alternamos entre a defesa (LT) e um ataque leve (pressionando o RT) ou pesado (pressionando e mantendo o RT). Regra geral os inimigos perseguem um de nós e os outros acabam por matá-los pelas costas. De vez em quando, lá surge um esqueleto com uma arma de fogo, mas nada que um ou outro tiro certeiro ou umas espadeiradas em modo “spam” não resolvam.

Curiosamente, nunca encontrei nenhum jogador adversário a pé. Cada vez que combati outros jogadores, foi sempre a bordo de navios e com recurso aos canhões. Aqui, o combate é logicamente diferente. Passamos muito tempo a perseguir e a manobrar os navios, até alinhar os canhões. Depois é só dispará-los, compensando a gravidade e recarregando-os uma bala de cada vez. Uma vez mais, as balas são limitadas e convém carregá-las no navio sempre que possível. Quando finalmente furamos o navio alheio e este afunda ou quando matamos a tripulação e o abordamos, é só pilhar tudo o que não esteja pregado ao chão.

Os nossos primeiros encontros e combates, porém, não renderam muito e tornaram-se algo dispendiosos até. Aprendemos a economizar as balas e a evitar confrontos sempre que possível. As reparações custam tábuas de madeira e não contei quantas vezes tive de mandar borda fora baldes de água que acumulou no porão. Nem sempre os jogadores adversários possuem cofres a bordo e é uma lotaria autêntica adivinhar quais possuem bom loot. Mais vale apostar nos mapas de tesouro e enigmas para angariar mais e melhores recompensas, evitando procurar confrontos, respondendo mais em defesa.

Voltando à tal ilha do primeiro enigma, começa uma outra aventura em terra. Temos diversos objectos no nosso inventário para nos ajudarem. Uma bússola, um relógio, uma lanterna, uma luneta e até uma pá para escavar. Os enigmas não muito complicados de decifrar, mas alguns envolvem alguma destreza e perspicácia. Um dos que descobri muito facilmente, dizia para descobrir um espantalho virado para Nordeste da ilha, andar sete passos para Noroeste e escavar. Neste caso, o dito espantalho estava iluminado por uma garrafa fluorescente e foi fácil encontrá-lo. Segui as directrizes e comecei a escavar. Lá estava o cofre do tesouro.

Em outros locais e com outros enigmas e mapas, lá conseguimos encontrar diversos cofres de diferentes raridades e outros bónus. Uma das missões fez-nos lutar contra vagas de esqueletos de diversas qualidades. Uns eram repletos de metal, outros mais fantasmagóricos e ainda outros bem mais resistentes como se fossem bosses. Ao fim dessas vagas, ganhámos os seus crânios preciosos. Ainda outra missão levou-nos a capturar uma galinha dourada. Enfim, as missões até possuem alguma variedade, mas acabam sempre como objectivo de angariar tesouros diversos para depois vender.

Uma vez cumpridas as missões, é tempo de voltar ao porto de abrigo e lançar âncora. Nenhum dos nossos tesouros vale nada se não os vendermos. Assim, quando lá chegamos, passamos pelo vendedor específico e um a um, todos levamos um tesouro de cada vez para obter dinheiro e reputação. É como um bancar de pontos depois de os acumularmos. Estes são divididos entre a equipa, pelo que não interessa quem leva o quê. Se todos os tesouros forem vendidos, todos ganham por igual. Curiosamente, há alguns tesouros que registaram o loot e outros não. As missões cumpridas deviam registar reputação, mas nem sempre o fizeram. Algum erro nesta fase inicial.

Com esta primeira aventura em grupo, ganhei umas impressionantes 4000 moedas de ouro. Pode não ser muito para vocês, mas para quem não tinha nada, como primeira aventura considero que foi um bom resultado. Depois há que gastar este dinheiro. Cada vendedor possui equipamento diferente à venda que pode estar bloqueado consoante a vossa reputação. Um vende peças de cosmética (roupas, barbas e cortes de cabelo, por exemplo), outro vende armas, outro vende itens especiais, etc. Só que comprar alguns itens mais apetecíveis pode ser complicado, uma vez que são tão caros que nem estas 4000 moedas chegaram. Há itens incrivelmente dispendiosos, o que significa que terei de jogar muito mais se quiser mais do jogo… mas, a que preço?

Veredicto das primeiras horas

Argh! Ao fim destas primeiras horas, gostei bastante da oferta inicial de Sea of Thieves. O ambiente é fantástico e a jogabilidade torna-se divertida com amigos. Talvez nem tanto a solo, porém. Não sou particular apreciador do seu combate algo simplista e tenho algumas reservas quanto à sua longevidade. Senti que, ao fim de umas quantas horas, tinha chegado ao limite do que o jogo tinha para oferecer, iniciando um grind para mais e melhor loot. Talvez seja este o objectivo do jogo, apostando em algo mais casual. Terei de regressar para vos falar das horas seguintes desta experiência. Na próxima vez, prometo combater um Kraken… ou morrer no processo… é o mais provável!

Após algumas dezenas de horas e muito rum…

Ahoy, marujos de perna de pau. Estou de volta com a conclusão da minha análise a Sea of Thieves. Convém mencionar que no passado fim de semana decorreu uma extensa manutenção que me impediu de jogar durante largas horas. Depois, quando finalmente o ficou disponível, diversos problemas de ligação não proporcionaram a melhor experiência. Quando, finalmente, o jogo estabilizou, voltei à carga com a minha tripulação. Joguei umas boas dezenas de horas, subindo de reputação, ganhando muito ouro e pilhando muitos incautos. Atingi rapidamente o total da oferta em jogo e… continuem a ler.

Começo com um episódio caricato. A dada altura, um jogador dirigiu-se a nós com um pretenso “código de honra”. Afinal, parecia haver umas regras omissas no mundo dos piratas. Uma delas, por exemplo, é que só quando um navio tem as lanternas desligadas é que pretende entrar em combate. Se um outro tiver as lanternas acesas é sinal de paz. O mesmo acontece em terra com a caneca de Rum, se estiver levantada também é sinal de paz. Confesso que raramente nos respeitaram nestas regras, se é que existem. Por isso, o pobre pirata solitário acabou a nadar e o seu loot saqueado. É a tal insistência na chamada “Honra entre ladrões”… por favor…

Vamos pegar na premissa do jogo. A produtora Rare sempre deixou bem claro que este MMO era sobre caças ao tesouro, exploração e um pouco de combate PvE e PvP. Na maior parte dos casos, é só mesmo isso que vão fazer, com umas poucas excepções, como no caso do combate com o Kraken que já vou mencionar mais adiante. Seja a solo ou na companhia de amigos, Sea of Thieves tem muitas actividades disponíveis com base esta tríade de conteúdo. Se procurarmos mais que isto, porém, vamos ficar profundamente desapontados. Se nos mantivermos neste espírito de aventura, também é verdade que rapidamente vamos entrar num ritmo de grind, cuja recompensa nem é assim tão valiosa.

Este é um jogo social, para ser jogado com esse prisma em mente e jamais para ser entendido como uma verdadeira experiência a solo. Sim, podem pegar sozinhos na escuna e partir para uma aventura solitária, como já disse. Mas, porque o haviam de fazer? Mesmo quando estive em tripulações de apenas duas pessoas, os pobres lobos-solitários “honrados” nunca tiveram hipóteses contra nós, principalmente porque não conseguiam dividir-se entre canhões e navegação. Com amigos, numa nau, a diversão é garantida, cada um com a sua tarefa. Mesmo nas caças ao tesouro, um pode ler o mapa, outro pode escavar, outro pode até tocar a concertina, enquanto que um outro mantém vigia. A solo, logicamente, tudo isto perde profundidade.

Se é que alguma coisa pode mesmo ter profundidade neste jogo. Uma das batalhas que mais antecipei, era o famigerado encontro com o tal Kraken. A sua posição é denunciada com uns tenebrosos tentáculos à distância e pela água mais escura. O encontro é aleatório e só uma nau com quatro elementos o pode despoletar. Quando finalmente o encontrámos, a batalha foi dura, com muitos tiros de canhão e espadeirada. Os tentáculos tentam alvejar-nos, por vezes pegando em nós e a arremessar-nos com força contra o navio, outras vezes a derrubar-nos com igual violência. Inacreditavelmente, conseguimos derrotá-lo logo no primeiro encontro. Bom, pelo menos fugiu… E a recompensa de o ter vencido foi: nada. Nem mesmo o achievement prometido ganhámos, por qualquer motivo.

Esta é uma constante em muitas actividades disponíveis em jogo. Tudo bem, em muitos casos, não receber nada por encontrar um tesouro ou terminar uma missão, por exemplo, pode ser causado por um erro que a Rare já terá identificado. Saiam e voltem a entrar no jogo que o ouro e a reputação surgem como deve ser. Contudo, em muitos casos, como no caso do Kraken, a ausência de recompensa é intencional e levanta um sério problema neste jogo: a sua falta de incentivo a médio/longo prazo. Não basta querermos passar um bom bocado com amigos, é preciso que tenhamos contrapartidas concretas por jogar. Ouro e reputação abre-nos portas a comprar equipamento que, honestamente, não adianta nada de especial ao jogo, sendo, na maioria dos casos, itens cosméticos.

Então porque jogamos? Porque queremos passar horas a ler mapas, a pilhar tesouros e a combater esqueletos ou piratas mais ou menos honrados? Acima de tudo, pela novidade e pelo desejo de descobrir algo novo, na esperança que a produção traga algo surpreendente na próxima missão. A falta de um rumo, a ausência de algumas missões mais elaboradas, de algum enredo a ser contado em cada quest, é gritante. Apesar de ricos em detalhes, os locais por onde passamos são vazios de actividades. Chegamos a uma ilha, interpretamos um enigma ou mapa de tesouro, escavamos ou combatemos e vamos embora. Era excelente haver algo para descobrir e desvendar nestes locais fantásticos.

Outra lógica que precisa ser revista é a da sensação de progressão, uma carreira, por assim dizer. Um pirata recém chegado, joga o mesmo jogo de um outro de nível superior e com loot a transbordar no navio. Não posso ser realmente contra esta lógica, até é bastante interessante que não hajam fossos injustos de dificuldade para os recém-chegados. Só que isto também significa que, quem tem mais horas e mais ouro acumulado, não sente real diferença no que pode fazer. Há missões e caças ao tesouro mais complexas consoante aumentemos de nível, mas só muda a dificuldade e a quantidade de ouro ganho. O tal que só podemos gastar em itens puramente cosméticos.

A única boa característica deste jogo é a tal camaradagem que proporciona. Mas, isto não depende do jogo em si, mas do nosso grupo de amigos. Podemos estar quatro pessoas a divertir-se neste jogo, como noutro qualquer. E nesses outros jogos cooperativos com provas dadas, há bem mais recompensas e incentivos para jogar mais. Resta-nos jogar por jogar, enquanto é divertido estar com amigos a tocar concertina e a beber Rum. Tem o seu valor, obviamente. Contudo, inevitavelmente ouvimos alguém no grupo perguntar: “Então, é só isto?” É, caro ladrão dos sete mares, é só isto.

Não faltam missões para fazer, é certo. No entanto, ao fim de umas horas, já encontraram um padrão francamente notório e repetitivo. Vão variando entre decifrar um puzzle, encontrar um tesouro escavado, derrotar esqueletos mais complicados, ou uma mistura destes elementos. Como disse lá em cima, essa tríade é mesmo a promessa entregue da Rare. Mas, soa a pouco… muito pouco. As ilhas que servem de base, são subaproveitadas podendo ser áreas sociais ou mesmo hubs para o matchmaking. Como estão, são vazias e despojadas de interesse, excepto para comprar ou vender loot. Cada NPC nestas ilhas tem umas linhas de diálogo, mas confesso que nunca as explorei. É um bom exemplo de como este é um jogo merecia mais conteúdo e incentivo para os jogadores.

Veredicto Final

Icem as velas e larguem a âncora, vermes! A nossa aventura chegou a porto seguro e está na hora de apresentar o relatório de bordo, yargh! Ok, já chega, já tirei a pala do olho…

Sea of Thieves é tudo isto que experimentei em duas fases. Primeiro, o deslumbre e a satisfação de uma excelente aventura em potencial. As primeiras horas de jogo foram fantásticas e cheias de bons momentos. Mas, depois, instalou-se a sensação de repetição, o vazio de conteúdo e a clara evidência que a motivação para o jogar esteve nos ombros do meu grupo de amigos. Ou seja, perante um magnífico jogo em potencial, a Rare foi comedida, dando-nos muito pouco para fazer e muito pouca recompensa em troca do que fazemos. É pena que assim seja, uma vez que temos um mundo fantástico em mãos.

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