Mais infoProdutora: CapcomEditora: CapcomLançamento: 24/01/2017Plataformas: , , , , Género: , ,

Esta série de culto regressa com a promessa de revolucionar os jogos de terror como conhecemos. A Capcom foi elevando as nossas expectativas ao longo dos últimos meses com Resident Evil VII. Chegou finalmente a altura de embarcarmos para a nossa aventura… ou, diríamos antes… pesadelo.

[Actualização Gold Edition]

Nem um ano depois, este jogo tem direito a uma edição Gold com todos os DLCs entretanto lançados. Ao fim deste tempo, este jogo tornou-se mais que uma mera aventura de terror, chegou mesmo a ser um ícone do género. Assim sendo, ter pretextos para regressar a este jogo é algo que me agrada bastante. Com este pacote, além do jogo original com todas as actualizações e melhorias já lançadas, recebem imenso conteúdo adicional de grande valor. Contem com os dois primeiros pacotes lançados (Banned Footage Vol.1 e Vol.2) mas também os dois mais recentes DLC lançados ontem, “End of Zoe” e “Not A Hero”, este último um pacote gratuito para todos os jogadores.

Começando pelo primeiro dos dois volumes de Banned Footage, oferece-nos três experiências distintas. Em Nightmare acompanhamos Clancy que terá de sobreviver até ao amanhecer para conseguir escapar às hordas de monstros. Este modo é subdividido em cinco níveis, sendo que cada um deles representa uma hora da madrugada. Em Room temos novamente Clancy, desta vez a lidar com a mecânica de Escape Room, numa experiência semelhante à que passamos na campanha do jogo com Lucas Baker. Só que agora lidamos com Marguerite, a sua mãe.

Ainda neste primeiro pacote, Ethan Must Die é provavelmente o modo mais difícil de todos os que foram lançados para o jogo. Aqui voltamos ao papel de Ethan Winters, o protagonista principal e temos outra vez o objectivo de derrotar Marguerite na estufa, tal como na campanha. Contudo, o grande desafio é que começamos este modo sem qualquer arma ou munições e devemos procurá-los, em conjunto com a chave da estufa, enquanto lidamos com imensos inimigos, incluindo o próprio Jack, e armadilhas mortais espalhadas de forma aleatória pela casa.

Por causa da sua mecânica de morte súbita, que nos obriga iniciar todo o nível quando morremos, este episódio em particular fez-me lembrar aqueles jogos que adoram matar-nos, tipo Dark Souls, por exemplo. Isto, por causa das inúmeras vezes que morri aqui. É que, normalmente, os inimigos estão posicionados perto de portas, protegendo também todos os baús e mesmo a própria chave da estufa. O que torna tudo mais complicado, como devem imaginar. É o modo ideal para aqueles audazes que terminaram a campanha na dificuldade Madhouse e procuram um desafio ainda maior.

No segundo volume de Banned Footage, a primeira experiencia é Daughters. Como o título sugere, vai abordar a noite em que a família Baker foi dominada por Eveline. Aparentemente, os Baker até eram gente normal até algo acontecer. Toda a jogabilidade deste episódio é feita de forma furtiva, muito semelhante à parte que fugimos do jantar dos Baker no jogo original e possui dois finais diferentes. Neste pacote está também presente 21, que apresenta uma jogabilidade inédita na série. Coloca-nos num jogo de cartas mortal contra o lunático Lucas, mais uma vez no papel do azarado Clancy. Neste jogo as apostas são simples, cinco dedos da nossa mão e a nossa vida.

O último episódio deste pacote é Jack’s 55th birthday. Nesta experiência personificamos Mia, a namorada desaparecida do protagonista de Ethan. Somos levados para o dia em que Jack comemora o seu aniversário e temos o objectivo de procurar comida por várias divisões da casa para levar até Jack. Todos os lugares estarão cheios de criaturas Molded, curiosamente todos eles com chapéus elegantes para celebrar o grande dia de Jack. A jogabilidade neste pacote é feita através de um cronómetro que define o tempo que nos resta para encontrar as mais variadas guloseimas para a insaciável fome de Jack.

A partir de ontem, chegou-nos também End of Zoe. Este é um DLC que pode ser adquirido em separado, caso não tenham a edição Gold. Adiciona mais pormenores à história de Ethan e da sua busca pela sua namorada desaparecida. Contudo, aqui a história é vista pelos olhos de Joe Baker, o irmão mais velho do lunático Jack. Esta é uma personagem que gosta de usar os seus próprios punhos. Não esperem encontrar armas de fogo ou facas pelo caminho, esse não é o seu estilo, mas contem com armas mais rudimentares como lanças e explosivos feitos à mão.

Este DLC é outro excelente exemplo de como a Capcom encontrou a direcção certa para a sua série de terror. End of Zoe possui momentos de acção frenéticos, mas também tem alguns momentos em que é preciso avançar cautelosamente. Apesar a sua força bruta, Joe apresenta uma fragilidade um pouco maior. E se negligenciarmos essa precaução, alguns golpes irão levar-nos à inevitável morte. Em termos de duração, este DLC não irá ocupar-vos mais que duas horas. Mesmo assim, vale a pena jogarem pelas diferentes mecânica de combate e, claro, conhecer o tal fim de Zoe.

E para terminar em grande, a Capcom lançou também Not a Hero, um DLC gratuito que prolonga a história principal e ainda explica porque a Umbrella Corporation não é a mesma que conhecíamos anteriormente. Neste DLC, encarnamos o papel do conhecido e veterano Chris Redfield, agora a trabalhar para a Umbrella Corp. Estranho? Sim, é. E foi isso que deixou, a mim e a todos os fãs da série, a indagar porque um soldado treinado para combater o bio-terrorismo estaria agora a trabalhar com a mesma empresa que jurou combater e que criou os zombies como nós os conhecemos.

Se jogaram a campanha do jogo, certamente devem ter reparado que Chris Redfield aparece no último pedaço do jogo. O DLC Not a Hero, começa exactamente nesse momento, colocando Chris como protagonista. O objectivo é caçar Lucas, o último sobrevivente da louca família Baker. A informação inicial dada para este DLC, deu a entender que este epílogo seria mais focado na acção e menos assustador que a experiência de Ethan. A verdade, é que esta experiência é mista. Existe muita acção, com armas novas e inimigos para um desafio mais tenso, enquanto nos dá puzzles simples para dar um pouco mais de longevidade. Mesmo assim, tenho pena que este DLC tenha durado outras duas horas. Tendo em conta que é gratuito, recomendo-o, apesar de tudo, aos que já terminaram o enredo principal. Nem que seja para fechar um ciclo.

Veredicto da Edição Gold

No início de 2017 a Capcom apresentou-nos o novo rumo para Resident Evil com uma experiência que demonstrou como deveria ser um jogo de terror. Ao longo do ano, foram lançados vários pacotes para nos incentivar a regressar à mansão e a conhecer um pouco melhor a história por trás dos Baker. O resultado não podia ser melhor, provando que o novo rumo foi, de facto, o mais acertado. Se gostaram do jogo original, não podem perder estes conteúdos adicionais. Alguns terão uma jogabilidade bastante diferente da campanha e outros, até podem nem adicionar nada à história mas são bastante divertidos. Melhor ainda é o facto de todos serem compatíveis com o PlayStation VR, que eleva a experiência a um novo patamar. No final, este ano acaba tão bem como começou.

[Análise Original de 26 de Janeiro de 2017]

A série Resident Evil começou no longínquo ano de 1996 e cimentou-se na indústria como um survival horror de referência. Contudo, com várias sequelas e spin-offs ao longo dos anos, a sua vertente de terror foi ficando cada vez mais ténue, apostando em títulos mais virados para acção. Com este sétimo título da série, depois de muitos pedidos dos fãs, a Capcom decidiu investir realmente no terror e o resultado é um novo rumo na série com uma nova abordagem mais pessoal. E, pelo que jogámos, este é o caminho certo a percorrer. Sentem-se confiantes para enfrentar os novos pesadelos?

Ao contrário dos títulos anteriores, não iremos controlar um agente especial habituado a lidar com as mais variadas armas. Desta vez iremos controlar Ethan Winters, um cidadão comum que foi atraído para encontrar sua namorada Mia, dada como morta há três anos. O mistério é instalado logo de início. Dada a sua latente curiosidade, aliada à inconformidade de querer reencontrar a sua namorada, Ethan acaba por entrar numa enorme propriedade com inúmeros segredos para desvendar e onde nem tudo é o que parece.

Esta dita propriedade, pertence aos Baker, uma família de canibais dementes que não têm qualquer tipo de piedade. Todos nós sabemos que as famílias não são perfeitas, mas esta tem um “gosto especial” em perseguir vítimas para matá-las, dissecá-las e depois fazer um belo banquete. Parece divertido, não? O que os Baker fazem nesta casa não é perceptível logo de início e é só na segunda parte do jogo que começamos a perceber o que realmente se passa e o porquê deste demente passatempo. Até lá, com a ajuda dos documentos espalhados pelo jogo, vamos ficando com algumas vagas ideias de onde viemos parar.

Notem que há várias razões para jogar a história múltiplas vezes, devido a alguns momentos que formam o final da história que não podemos revelar. Acima de tudo, não desistam de explorar e descobrir todos os segredos desta casa e desta família que escondem muita coisa. E, como é costume, podem sempre tentar acabar todo o enredo em menos de quatro horas, como nos originais. Boa sorte nisso…

Antes de nos debruçarmos sobre os membros da família, vamos antes dar-vos uma ideia do estado desta habitação. No nosso primeiro contacto, tudo aparentava estar abandonado. Paredes partidas, corredores barricados, tábuas nas janelas, comida com bolor, enfim, já perceberam. Tudo parece estar em grande abandono, entre decomposição e omnipresentes insectos. Contudo, ficamos logo com a certeza que ainda não vimos tudo, há também muitas portas trancadas, passagens escondidas e muitos segredos espalhados. De abandonada a misteriosa, a casa é, em si mesma, uma protagonista.

Semelhante aos antecessores, será necessário encontrar vários tipos de chaves e resolver alguns quebra-cabeças para entrar neste labirinto de quartos. Alguns objectos são fáceis de encontrar, mas outros precisam de alguma inspecção mais detalhada. Os puzzles são relativamente fáceis de resolver, alguns servem até de homenagem ao primeiro título da série. Quem o jogou, saberá de imediato o que terá de fazer. O mais difícil aqui é percorrer a dita casa. Tanto a demente família como os posteriores monstros pouco simpáticos são capazes de golpes que ditam o fim da nossa tentativa de sobrevivência. Apesar desses monstros, intitulados de “Molded“, terem um visual bastante desconcertante, são os membros da família Jack, Marguerite e Lucas, que nos aterrorizaram mais.

O primeiro Baker que iremos enfrentar é Jack, o pai. Enquanto procuram na casa por recursos essenciais para sobreviverem, Jack estará sempre por perto e com uma arma mortal à nossa procura. Ele percorre todos os cantos da casa, enquanto diz algumas frases ofensivas. Com Marguerite, a mãe, será necessário uma abordagem muito mais furtiva. Ela caminha com um candeeiro a petróleo, portanto, preparem-se para usar as sombras e andar muito devagar para não serem ouvidos. Por fim temos o filho Lucas que, podemos dizer que deve ser um grande fã da série Saw, graças aos seus jogos mortais que irão testar o nosso instinto de sobrevivência.

Em qualquer um destes “pacatos” seres, o melhor será sempre evitar o confronto directo. Não pensem que vão andar de caçadeira em punho a desancar mortos-vivos como nos últimos jogos da série. Aqui, a furtividade é tudo. Especialmente porque as armas e as munições são muito limitadas. Na maior parte do tempo, irão procurar itens para combiná-los e criar curativos e mais munições, algo que já conhecemos dos títulos anteriores da série e que transmite alguma necessidade de gestão de recursos. O que nos leva a falar do inventário.

Este inventário possui um papel muito importante no jogo. É bastante reduzido e simplificado que obriga a uma gestão implacável. Em cada momento temos de decidir se levamos mais munições ou as famosas plantas verdes para nos curarmos. Simplesmente não temos espaço inifinito e ainda por cima tem células de dimensão, também limitada. Uma caçadeira, por exemplo, ocupa duas células, sendo, portanto, fazer escolhas conscientes.

Para além desta lógica de inventário que é recorrente, há mais características da série que regressam. Temos, por exemplo, as famosas “safe rooms” que nos deixam acalmar um pouco de toda a adrenalina acumulada. Nestes quartos, temos o nosso gravador (que, desta vez, não precisa de ink ribbons) e uma caixa onde podemos guardar os nossos objectos supérfluos para ficarem acessíveis em qualquer outra safe room.

Uma funcionalidade nova e bastante interessante, é o uso de cassetes VHS. Depois de encontradas, é necessário encontrar um leitor para que possamos ver o seu conteúdo. Algumas servem para desvendar a história e explicar o que se passa, mas outras mostram como se devem resolver alguns quebra-cabeças. Como estas cassetes nos colocam no papel de outras personagens, conseguem quebrar um pouco a rotina da aventura intensa de Ethan.

Tecnicamente, o jogo é brilhante. A Capcom criou este fantástico motor gráfico, obviamente chamado de RE Engine, criado especialmente para a série. Tenho de dar claro destaque, porém, à sonoridade deste jogo. Tem um papel muito importante no jogo e faz parte da imersão que se alia à perspectiva na primeira pessoa de forma quase perfeita. Enquanto vagueamos pela casa, os nossos passos ecoam e a madeira range, dando aquela aura assustadora. Depois, temos outros sons incrivelmente horripilantes que transmitem muito bem a ideia de estarmos a ser perseguidos. Isto para não falar nos constantes ruídos da própria casa que nos provocaram calafrios.

Sobre o grafismo, a mudança drástica de perspectiva para a primeira pessoa em conjunto com todo o realismo quase cinematográfico, consegue transportar-nos para o epicentro da aventura, conferindo uma experiência mais pessoal. Quanto todos os modelos, animações e efeitos roçam a realidade, juntando a isso uma luminosidade obscura e restrita, tudo se torna mais credível e tenebroso. Não é que os jogos anteriores não conseguissem transmitir esta experiência, mas na terceira pessoa não era a mesma coisa. Principalmente porque, agora, a violência extrema acontece ali, ao nosso lado, como se lá estivessemos. Agora imaginem jogar a adrenalina de vocês mesmos entrarem nessa mansão, literalmente, graças à Realidade Virtual.

Os possuidores de PlayStation VR podem viver este título em todo o seu esplendor personificando Ethan com recurso à Realidade Virtual. Em qualquer momento podem ligar ou desligar o PS VR e continuar o vosso progresso. Em termos comparativos com outro jogo de terror que testámos há pouco tempo, ao contrário de Here They Lie, este título não provocou qualquer desconforto ou desorientação. Tudo foi muito bem calibrado, graças a um pequeno tutorial para explicar as opções que podemos usar com o PS VR.

Quando jogam com este dispositivo, todo o jogo ganha outro sentido. Espreitar pelas esquinas, abrir as portas e outras actividades (como sacudir baratas da mão), tem um toque ainda mais aterrorizador. Até mesmo o som ganham uma nova envolvência, quando olhamos em volta. Esta é a experiência mais extrema deste jogo. Oferece uma dose extra de terror que não recomendamos aos mais sensíveis. Contudo, apesar desta experiência ser realmente fantástica, o grafismo sofre uma ligeira redução de qualidade para poder correr no dispositivo VR da Sony. Contudo, penso que, pela experiência, facilmente vão perdoar o excesso de efeito de “serrote” nos modelos, mais conhecido por aliasing.

 

Veredicto

Apesar de ser o sétimo título da série, não é necessário terem os jogos anteriores. Nem sequer é necessário serem fãs. Só têm de querer jogar um dos melhores títulos de terror dos últimos tempos. Resident Evil VII pode marcar um novo rumo para a série, mas mantém a sua assinatura com puzzles para resolver, grande ênfase na exploração e na gestão dos recursos, sempre com uma tensão bastante característica. A nova perspectiva torna tudo mais pessoal, imersivo e desconcertante. Não devem perder a oportunidade de conhecer a família Baker que, apesar de nos aterrorizar durante todo o jogo, desvenda um enredo muito bem elaborado. Tal como em 1996, Resident Evil volta a demonstrar o que deve ser um jogo de terror.