Mais infoProdutora: Gaming Minds StudiosEditora: Kalypso Media Digital Lançamento: 26/01/2018Plataformas: , , Género: ,

Poderão ficar surpreendidos com a vasta comunidade de entusiastas de comboios que procuram jogos nesta área. Um bom exemplo dessas experiências é Railway Empire que pretende dar-lhes o cargo de autênticos “imperadores” da via férrea.

Recordo com bastante saudade as horas que passei no saudoso Railway Tycoon. O conceito deste jogo que analiso passa pelo mesmo: criar e gerir uma rede de transportes ferroviários que seja auto-sustentada. Como em todos os jogos deste calibre, que envolve planeamento e estratégia, este é um jogo de equilíbrio. Por um lado, temos o nosso desejo de vermos as máquinas a transitar pelo mapa nas vias que construímos. Por outro lado, temos de gerir bem os investimentos e as finanças para sustentar esta “diversão”. Isto, enquanto personificamos aquela criança no chão da sala a montar caminhos de ferro para comboios de brincar… digitalmente, claro.

Imaginem-se um investidor nos transportes ferroviários entre 1830 e 1930 nos Estados Unidas da América. Diz-se que a América cresceu nos carris das suas gigantes vias férreas, por isso, não menosprezem a importância deste período histórico. Tecnologicamente, o comboio a vapor teve um papel crucial na chamada Revolução Industrial, o que faz com que esta janela de tempo de Railway Empire seja realmente interessante de recriar, servindo mesmo de meio didático.

O modo de carreira leva-nos ao desafio de recriar este império histórico. Inicialmente, temos a hipótese de escolher uma personagem com perfis e atitudes diferentes. Sugiro que leiam bem cada biografia para ver que tipo de magnata quererão ser. Depois, ao longo da história, o desafio passa sempre por criar vias que sejam economicamente viáveis, ligando cidades, vilas, minas, fábricas, enfim, tornar o mundo “mais pequeno”. Mas, não esperem facilidades, uma vez que ao longo da carreira são também lançados desafios e cenários específicos que visam dar algumas variáveis, além de termos adversários que teremos de lidar.

Sugiro que comecem mesmo pelo modo de carreira, até por que é um boa forma de dosear a interacção para que não fiquem confusos. Contudo, onde passei mais tempo nem foi aí. Existe um outro modo livre de jogo em que podemos personalizar a era, a região, o orçamento e até os desafios. Contudo, penso que o jogo brilha mesmo é no modo Sandbox. Aqui remove-se um pouco do desafio, uma vez que não temos objectivos ou a pressão da concorrência. No entanto, é também a melhor forma de explorar o potencial deste título, sem termos sempre o espectro da bancarrota a pairar. E acreditem que isso acontece muito rapidamente no modo de carreira.

Uma das características que mais me impressionaram foi o seu interface francamente polido e simplificado. Regra geral, este tipo de jogos inundam-nos com quadros, gráficos e informação detalhada que chega até a atrapalhar. Felizmente, a Gaming Mind Studios pensou nisso mesmo e criou um interface simplificado, mas que não remove a informação essencial ao jogador. Também gostei do seu tutorial bem construído e que explica sem muitos rodeios o que é preciso fazer. Mesmo assim, é bem possível que fiquem um pouco sobrecarregados de informação. É perfeitamente normal isto acontecer em jogos de gestão/estratégia. Até é algo com que já contamos.

Eventualmente, vão acabar a fazer comparações com outros jogos de construção e gestão de transportes. No entanto, não vou estabelecer pontos de comparação porque não seria justo, sobretudo perante alguns sucessos recentes neste género. A única coisa que posso dizer é que para um jogo de gestão de uma era tão específica e com uma complexidade tão grande, ainda podermos aprender um pouco da história da América de uma forma tão envolvente, é uma premissa verdadeiramente interessante.

Por outro lado, graficamente, o jogo é cumpridor com muita atenção ao detalhe, sobretudo no que toca aos principais protagonistas, os comboios. Também tenho de dar uma boa nota ao som geral do jogo, com a sua agradável banda sonora que nos faz bastante companhia. Dirão que há jogos mais completos e até com mais transportes à mistura. Contudo, no meu ponto de vista, esses jogos só adicionam mais complexidade. Quantas vezes acabamos por nos focar só num meio de transporte só para não complicar?

Há algo menos positivo? Como seria de esperar, num jogo de estratégia cujo objectivo é criar os tais vários pontos de equilíbrio, há algumas questões a considerar. Um dos motivos de me aventurar mais pelo modo sandbox é porque achei que a inteligência artificial é um pouco agressiva demais criando demasiadas dificuldades. Acredito que, como na maior parte dos jogos de estratégia, é preciso estudar os padrões e antecipar. Contudo, esta IA exagera um pouco na forma como nos quer prejudicar, indo mesmo além do aceitável.

Alturas houve em que me frustrou, por exemplo, começar uma operação numa cidade ou outra e, subitamente, ver vias férreas adversárias a ocupar o meu espaço. O pior é que faz de uma forma algo aleatória. Enquanto que nós temos de gerir bem as finanças e colocar vias de forma inteligente, a IA não parece seguir as mesmas regras, havendo algumas vias que nem sequer fazem sentido e só ali estão, aparentemente, para nos prejudicar. Talvez uma futura actualização melhore a IA. Até lá… sandbox!

Veredicto

Com um visual detalhado, um interface mais polido que esperava e muita informação a reter, Railway Empire é o jogo indicado para a comunidade de entusiastas dos comboios. É também uma interessante viagem histórica ao passado, num período tão importante da história da América. Como em todos os jogos de gestão, é capaz de ser algo complexo para os que desejam algo mais descontraído. E, como eu, talvez não gostem muito da agressividade da inteligência artificial. Contudo, se gostam de um bom desafio, vão passar horas a criar o vosso império da via férrea, algo que possivelmente já não acontecia desde os velhinhos jogos da série Transport Tycoon.

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