Mais infoProdutora: MilestoneEditora: Bandai NamcoLançamento: 15/06/2017Plataformas: , , Género:

Com muitas garantias de um melhor jogo, a Milestone volta a acelerar no jogo oficial do Campeonato do Mundo de MotoGP. Contudo, este MotoGP 17 tem muito que provar perante as performances mistas e repetições de erros dos seus antecessores.

Quando há dois anos analisei MotoGP 15, fiquei com a sensação de estar analisar uma versão reciclada do jogo anterior. Esta autêntica aventura de criar de raiz uma simulação que seja credível e que nos crie todo o ambiente intenso das provas de motociclismo profissionais, não é tarefa fácil. É bem possível que uma fórmula encontrada se vá repetindo de título em título, sobretudo neste género da simulação. Essa tendência é ainda mais evidente neste jogo, que se pode considerar um título transitório até que a série adopte o mais recente Unreal Engine 4 no próximo ano. Até lá, temos de nos “contentar” com MotoGP 17, cheio de promessas de optimização e de realismo. Resta saber se convence os fãs e cumpre com o prometido.

Notem que a série MotoGP utiliza praticamente o mesmo motor gráfico de produção própria desde há alguns anos. Por isso, é de louvar que nesta entrada tenham conseguido optimizar o jogo para atingir 60FPS estáveis em todas as plataformas. Pelo menos é essa a promessa. Na versão que testei na PlayStation 4, o jogo parece lutar um pouco para se manter sempre nessa marca. Nunca chega a comprometer a condução, é certo. Qualquer simulador que se preze precisa de boa performance a bem da experiência em si. Por isso, é bom que esta optimização tivesse atingindo um bom patamar de performance visual. A questão é que a idade deste motor gráfico proprietário se nota e muito. Mas, já lá vamos.

O que esperar deste mais recente título na série? Depois do já mencionado MotoGP 15 e da entrada do ano passado dedicada à carreira de Valentino Rossi (efectivamente saltando a época oficial de 2016), esta é novamente uma representação da época transacta do campeonato. Possui todas as provas, pilotos e motorizadas de Moto3, Moto2 e MotoGP. Além desta oferta do costume, que inclui uma carreira que atravessa estas divisões, há também uma curta série de corridas introdutórias inseridas no Campeonato de Rookies da Red Bull. Esta prova é constituída por sete corridas, das quais podem participar em apenas duas. Serve de tutorial e de introdução ao jogo e dá logo uma boa noção do que esperar nas motas mais poderosas dos campeonatos mais avançados.

Uma nota positiva para a gestão do modo de carreira de um modo geral. A Milestone fez “os trabalhos de casa” e trouxe-nos um modo mais robusto, com interessantes alterações ao nível da gestão de carreira, certamente buscando influências noutros jogos do género. Temos de comprar as motas, arranjar patrocínios, recrutar staff e até mexer nas mecânicas e pinturas da própria mota. O objectivo é evoluir a equipa, ultrapassando as inúmeras frustrações de ter uma mota a precisar de mais desenvolvimento, na incapacidade de ganhar provas ou atingir metas dos patrocinadores. Diria que a curva de aprendizagem é acessível quanto baste, mas obriga a alguma dedicação que, se calhar, nem todos vão gostar.

De volta à pista, porém, MotoGP 17 parece-me mais do mesmo. Todas as físicas que já conhecia estão, estranhamente, inalteradas ou quase. O que não é realmente negativo. Já em 2015 assinalei que o peso das motas e os efeitos de condução eram cumpridores o suficiente para transmitir alguma noção de realismo. Há quem não goste muito da forma como as motas travam, considerando que são muito abruptas a desacelerar. Talvez na disciplina de MotoGP isto seja mais evidente. O que menos gostei, porém, foram os acidentes e impactos entre corredores. É certo que não fazem realmente parte da competição em si e são de evitar, mas seria de esperar uma animação mais realista que apenas “aparecerem” no meio da pista depois do acidente. Perde-se todo o realismo pretendido.

No que toca ao visual do jogo, além do já mencionado esforço de optimização ao nível de fotogramas por segundo, notam-se algumas melhorias nas texturas e no detalhe em geral, com particular destaque para os objectos em pista. Também notei que os sons das motas, inclusive dos motores, parecem bem menos sintéticos. Nota-se que este jogo é um pouco mais que uma mera actualização do último título de 2015, pelo menos a nível visual. Contudo, como também já disse, este é o último jogo criado no motor gráfico interino da Milestone, antes da sua transição da série para o Unreal 4. O peso da idade deste motor gráfico é francamente notório. A iluminação continua a ser o seu ponto menos positivo, com as sombras a dar a ideia que as motas “flutuam” pelo asfalto.

Contudo, este jogo sofre de outros padecimentos mais flagrantes. Continuamos a ter os infames e incompreensíveis menus de carregamento demasiado frequentes. Os menus também podia ter sido mais trabalhados de modo a não serem tão pesados e complicados. Eventualmente, também irão notar que o novo esquema de progressão da carreira possui uma certa falta de balanceamento. É moroso progredir na performance das motas e chegar ao pódio. Acredito que na vida real também seja assim difícil. Contudo, outros jogos oferecem algumas nuances interessantes para dar oportunidade aos menos experientes ou menos dedicados. O grind para conseguir um mero upgrade a uma peça da mota é significativo. A injustiça de perder o pódio num recta porque a mota “não dá mais”, é uma chamada à realidade nas primeiras vezes, mas depois é só tortura.

Veredicto

Sendo o seu último jogo produzido com o seu motor gráfico proprietário, este MotoGP 17 podia ser um bom atestado de longevidade para a Milestone. Infelizmente, acaba por minar todos os esforços da produtora de inovar onde podia. As limitações visuais são notórias, mesmo com melhorias significativas na performance e em algumas texturas e animações. A condução não inova muito mas as físicas parecem competentes. Também parecem intactos os infames ecrãs de carregamento e outros pequenos erros vindos dos jogos anteriores. Se são fãs do género, terão aqui uma boa simulação deste desporto motorizado. Mas, se calhar, só no próximo ano terão “a tal simulação” ao nível que gostariam.

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Gamer convicto, adepto do jogo pela experiência e não pelo valor comercial, especializa-se nos jogos de acção na primeira pessoa, desporto e simulação. Saibam mais...

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