Terceira Guerra Mundial. É esta a premissa de Modern Warfare 3, a terceira epopeia da Infinity Ward na série premiada de Call of Duty, o grande rei dos First Person Shooters (Acção na Primeira Pessoa) e grande trunfo da Activision. “Terceira Guerra Mundial” também pela hegemonia dos jogos do género, além do enredo que conta, note-se. É que a concorrência este ano é fortíssima.
Depois de uma longa espera com muitos teasers, muitas questões e muita especulação, MW3 já está cá fora e já mostrou as garras. Prometendo muita inovação e muitas mudanças (e recuperações) da série Call of Duty que apesar do sucesso de vendas, viu no último título uma legião de fãs entrar no desespero pelas questões técnicas.
E a guerra… essa… está nas nossas mãos
Os eventos de MW3 são uma sequela directa a Modern Warfare 2, o anterior jogo da responsabilidade da Infinity Ward.
O Capitão Price e o seu amigo Nikolai evacuam “Soap” McTavish por helicóptero, depois deste ter salvo Price assassinando o General Shepherd, mas quase perdendo a vida nesse processo. Num casebre na Índia, porém os trio não está a salvo, já que Vladimir Makarov jurou vingança contra Soap e Price e lança uma operação para os eliminar.
Entretanto, todo o mundo está a braços com uma guerra mundial entre a Rússia e os Estados Unidos. Lentamente, as forças equivalem-se mas a guerra é violenta. Em plena Nova Iorque a Delta Force liderada pelo comando com nome de código Sandman inicia uma operação de erradicação de antenas de interferência que está a complicar as comunicações no terreno.
No outro lado do mundo o Presidente da Rússia, porém tem ideias mais pacifistas e contrariando os planos de Makarov decide iniciar conversações de paz com os EUA. Mas os seus planos são sabotados mesmo antes de chegar.
A aventura de Soap e Price é jogada na pele de Yuri (uma nova personagem com alguns segredos bem guardados), mas também na pele de Frost, um operacional da Delta Force, Burns um soldado da equipa de elite britânica SAS e Harkov, um guarda costas do Presidente Russo, passando por um armeiro de um AC-130 Spectre e lá para o fim jogamos como o próprio Price.
Os diversos locais do mundo onde a acção se desenrola dão uma variedade impressionante em comparação com os jogos anteriores. Desde um intenso combate urbano em Nova Iorque (EUA), passando por uma incursão por Londres (Reino Unido), Berlin e Hamburgo (Alemanha), Paris (França), Serra Leoa, Mogadishu (Somália), Praga (República Checa) e a já mencionada Índia.
Não há grandes reviravoltas, nem grandes mudanças de prima ou atitudes inexplicáveis como Price a disparar o míssil nuclear no segundo jogo. Mas é uma estória envolvente e bem pensada com uma enorme recompensa no fim, tendo pelo meio diversos pontos comuns com os jogos anteriores.
De facto, as novidades a nível de jogabilidade ou grafismo são quase nulas. Mas será que é preciso mesmo mexer numa fórmula vencedora? Nem por isso, no nosso ponto de vista. Mas se não se inova, inevitavelmente sofre-se a crítica dos que esperam sempre o “Santo Graal” nos jogos Call of Duty.
Muitas foram as criticas dos que não viram grande evolução na jogabilidade do modo campanha, no grafismo ou no interface. De facto, MW3 é uma passagem a papel químico de MW2 com localizações e mapas diferentes. Até mesmo o lettering transita, os gráficos e as decorações de menu e tudo o que mais gostámos de MW2 que o fez um marco na série COD estão de volta, demonstrando que não houve trabalho criativo neste ponto.
Não inovar nestes pontos não é propriamente negativo, reparem. Se ao inovar se perdem características de jogabilidade, por exemplo, é melhor nem mexer e foi isso mesmo que a Infinity Ward fez. O motor do gráfico do jogo pode estar algo datado em termos de aspecto geral, mas funciona e é fluido. No final é isso que interessa.
A nível visual, MW3 cumpre, como sempre, pelo grau de intensidade da guerra moderna. Pode ficar uns furos abaixo da envolvência destrutiva que outros jogos que tentam ser mais simuladores conseguem, mas é a experiência fluída e sempre em movimento que caracteriza Call of Duty, a fazer lembrar os jogos tipo “arcade” onde a perícia do tiro é tão importante como a capacidade de correr e contornar obstáculos. Assim o grafismo é competente e basta. Não há grandes efeitos especiais para assinalar, mas os mapas são ricos e alguns até são espectaculares como o fabuloso ataque a um submarino a meio da campanha ou a ida a umas minas subterrâneas com descida em rappel e tudo.
Em termos de jogabilidade, achamos que MW3 é mais linear, com mais sangue a jorrar, mais facas envolvidas, já agora, mas achámos que se esforça demasiado nos tiroteios, saindo de uma intensa troca de tiros numa rua para entrar noutro intenso tiroteio dentro de um edifício e assim sucessivamente. Aqui conta a capacidade de usar abrigos e explorar as armas ao máximo, usando os red dots ou a novidade das miras híbridas. De resto é mesmo muito linear.
De salientar que agora todas as armas são licenciadas. Não é realmente novidade este ponto, mas pela primeira vez vemos as Trademarks da FN Herstal numa SCAR-L ou da Remington numa ACR 6.8 ou ainda da EoTech numa mira Holográfica. Uma adição interessante que confere algum realismo às armas e que todos os fãs do género acolhem com aplausos.
Ainda no grafismo, convém mencionar que as diferenças entre plataformas a nível de texturas, animações e efeitos não são por aí além. Pela primeira vez a transição entre consolas não possui grandes diferenças, notando-se um excelente trabalho de optimização para PS3 como para Xbox360. Mesmo o PC, claramente superior, não possui grandes vantagens mantendo-se apenas mais detalhado em alguns planos mais abertos onde as consolas sofrem um pouco.
A nível sonoro, é que as coisas não mudaram mesmo nada. Calcanhar de Aquiles de MW2, as armas continuam todas a soar exactamente iguais entre elas com pouca presença. A dada altura nem nos parece que hajam grandes diferenças reais de performance entre elas, apenas no recuo e nas animações. É pena porque a oferta é muito extensa e afinal é de armas e da sua sonoridade que procuramos. Mas até mesmo as explosões são algo insípidas e sem grande envolvência. De facto, não é o melhor título a nível sonoro para sentir a intensidade das batalhas. E mesmo a banda sonora fica uns furos abaixo da épica e excelente música criada por Hans Zimmer em MW2. O compositor Brian Tyler simplesmente não chega lá…
Se os jogos da Treyarch (Call of Duty World At War e Call of Duty Black Ops) têm zombies, os jogos a Infinity Ward tem missões especiais. Em MW2 (Spec Ops) fizeram as delícias dos jogadores aficionados pelo modo cooperativo e regressam neste jogo em maior quantidade, diversidade e dificuldade.
Agora nas Special Ops, existem dois novos modos distintos. No modo “Mission” o jogador percorre um conjunto de missões específicas inspiradas no modo de carreira que pode percorrer a solo ou em cooperação com outro jogador na sua própria consola (ecrã dividido) ou online com tempo limite, objectivos e penalizações. No modo “Survival” o jogador também pode optar por jogar sozinho ou acompanhado mas desta vez não evolui num mapa mas tenta manter uma posição determinada enquanto vagas de inimigos cada vez mais difíceis e em maior número a tentam invadir.
Foi notável o grau elevado de dificuldade de ambos os modos. Nas Missões é impressionante o grau de precisão dos adversários, chega a ser absurdo. No modo de Sobrevivência, quando entram cães e os famigerados Juggernauts é de bradar aos céus. Só para os mais persistentes, acreditem.
Uma curiosidade, os mapas do modo de sobrevivência são os mesmos do online, o que permite que se habituem bastante às suas características.
Já desde o evento Call of Duty XP que se falava das novidades do online deste jogo, afinal o que mais cativa nesta série e o verdadeiro factor de interesse. Já é famosa a comunidade Call of Duty tão heterogénea e tão adepta.
A Infinity Ward ouviu os fãs ao longo da evolução da série, sobretudo entre o lançamento do primeiro Modern Warfare até Black Ops e tirou as suas elações. Desaparecem alguns factores de injustiça em jogo e inserem-se algumas novidades que substanciam a experiência de jogo.
Desaparecem alguns perks injustos como “Commando”, “Last Stand” ou “One Man Army” que arreliavam o melhor dos jogadores. A evolução da personagem e das armas foi repensada para uma nova filosofia de “proficiência na arma” que evolui independentemente do nível do jogador, premiando a fidelidade a uma arma. Agora os Killstreaks chamam-se Pointstreaks e se escolherem a série de “Support Tier” não é preciso morrer para serem recomeçados, ou seja sempre que matarem uma quantidade certa de jogadores, mesmo depois de conquistarem todos os Strike Packages que escolheram, recomeçam automaticamente sem precisar de morrer para reiniciar a contagem e se morrerem a contagem continua. Há também novidades a nível dos Strike Packages, desaparecendo a famigerada Tactical Nuke mas regressam os fantásticos UAV, AC130 e tantos outros.
Este último ponto é preciso perder algum tempo a perceber já que agora existem dois tipos de Killstreaks a escolher entre Assault Tier e Specialist Tier (mais virados para pontuação individual) e a já mencionada Support Tier (mais virados para a pontuação em equipa).
Mas não desesperem se não perceberem logo à partida como funciona. Tem agora 80 níveis (ao contrario dos 50 de Black Ops e dos 70 de Modern Warfare 2) para percorrer.
Existem dois novos modos de jogo além dos habituais. Team Defender é um modo em que um jogador toma uma bandeira e tenta mantê-la o mais tempo possível. Enquanto a tiver os pontos da equipa duplicam. Qualquer pessoa aliada ou adversária pode apanhar a bandeira e beneficiar a sua equipa. Em Kill Confirmed, o jogo funciona como um Team Deathmatch mas a diferença é que em cada morte o jogador morto larga dogtags que tem de ser capturadas pelos adversários (morte confirmada) ou recuperada pelos aliados (morte negada).
Ao longo da evolução da carreira online o jogador ganha pontos de experiência para evoluir nos 80 níveis. Ao chegar ao limite é-lhe dado a escolher perder tudo e passar a modo Prestige. Sempre foi assim nos Call of Duty modernos no online. Mas agora a novidade é que nesse acto o jogador é apresentado à Prestige Shop. E pode escolher entre outras ajudas, XP a duplicar nas primeiras 2 horas, uma classe extra, recomeçar do zero (para os jogadores que ao início morreram mais que mataram é uma boa escolha), desbloquear items, etc. Bem pensado se precisam de evoluir 80 vezes e depois perdem tudo num click de rato.
Gostámos das evoluções e novidades do online. Achámos um pouco complicado demais assimilar tantas novidades se depois o que interessa é mesmo a simplicidade. Mas nada que umas boas horas de jogo não resolvam.
Há um serviço intitulado “Call of Duty Elite” que supostamente será um serviço de informação, acompanhamento e aconselhamento dos jogadores de Call of Duty. Dizemos “supostamente” porque apesar dos nossos melhores esforços, Elite nunca funcionou desde que nos chegou o jogo à redacção e não faz tenções de funcionar nos próximos dias com imensos erros de acesso, falhas de comunicação e outros senãos. Se imaginarmos que este serviço tem uma componente paga com subscrição anual, achamos que há neste momento muita gente descontente.
Em COD:Elite o jogador pode acompanhar o seu progresso via Playstation Network, Xbox Live ou no PC através de uma aplicação descarregável ou através do browser normal com uma aplicação Web. Existem dois serviços distintos, o gratuito e o pago com uma subscrição anual de cerca de 50 Euros. Com esta subscrição o jogador tem direito a diversos serviços Premium (muitos não estão disponíveis em Portugal, uma das razões pela qual a edição Hardened do jogo não foi vendida por cá) e todos os DLC que serão lançados já a partir do início do próximo ano sem mais custos.
No serviço gratuito, entre outras coisas o jogador pode carregar vídeos no Youtube das suas prestações online, consultar as suas estatísticas, alterar o equipamento e armamento, interagir com o Facebook, ver a performance das armas, comunicar com amigos, criar grupos, etc.
No caso do serviço Premium, além do já mencionado DLC, o jogador tem acesso a vídeos de demonstração e tutoriais de personalidades, mais capacidade para vídeos, dicas de especialistas, títulos e emblemas exclusivos e competições online, entre outras regalias.
Tudo muito bonito… se funcionasse…
O colosso está de volta e sente o peso da responsabilidade. O motor gráfico está datado mas não acusa cansaço. Com uma grande competição de um outro jogo rival, afirma-se ainda no online como dono e senhor do trono, apesar das ameaças. Mas fica sempre uma sensação de falta ao longo do jogo. Achamos que sempre que sai um Call of Duty o mercado treme e sai algo de novo. Mas não foi o caso no pacote total. Só mesmo no já mencionado Multiplayer. Se isso é um argumento forte para o jogador Hardcore, já não é bem assim para o jogador casual que gosta de um bom jogo envolvente a todos os níveis e não se interessa muito por jogar online. Culpem o outro jogo por ter subido a fasquia…
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