Mais infoProdutora: New World InteractiveEditora: Focus Home InteractiveLançamento: 12/12/2018Plataformas: Género: ,

Há um lote de jogos de combate na primeira pessoa que são como uma “pérola” que poucos conhecem. É quase como um “segredo” entre os jogadores mais exigentes. Entre eles, esteve Insurgency durante alguns anos. Agora, a sequela Insurgency: Sandstorm quer recuperar essa essência.

Digam o que disserem, a produção deste jogo ainda não acabou. Apesar de ter sido lançado no PC nestes dias, surge num formato muito prematuro, com algumas partes claramente a precisar de polimento e outras ainda em desenvolvimento. Recordo que a New World Interactive teve alguns problemas com a produção do jogo, adiando a versão de consolas e com a versão PC a arrastar-se para este mês. Contudo, a promessa da produção era “mais do mesmo”, levando-nos para novos conflitos num puro shooter multi-jogador na primeira pessoa, como o primeiro jogo soube indentificar-se. A acção é um misto entre as séries Couter-Strike, Call of Duty e Battlefield, trazendo-nos algo mais ou menos único. Resta só saber se tem munição suficiente para sobreviver ao escrutínio dos fãs.

A fórmula parece ser a mesma, Sandstorm também quer ser um jogo envolvente. Para isso, não utiliza muitas das “tácticas” de jogos arcade, mas também não se pode dizer que seja um simulador. É um shooter mais visceral que o que, se calhar, estão habituados. No entanto, nem por isso é menos acessível para quem se quer dedicar. A melhor forma de testar a sua acção mais crua, é através dos tutoriais incluídos ou até no modo cooperativo disponível (Checkpoint até 8 jogadores). Jogamos contra bots, cuja inteligência artificial deixa bastante a desejar, mas servem para entender o alcance da sua acção menos tolerante. Quando estiverem prontos, porém, é nos modos competitivos que o jogo quer que estejam.

Notem que não possuem muitos dos elementos que estão habituados noutros jogos. Não procurem a mira no ecrã, terão de usar a mira da arma se querem ser precisos. O HUD, aliás, é muito escasso e apenas informa objectivos, posição dos aliados, inventário, orientação básica e pouco mais. Não há sequer indicadores de impacto ou confirmação visual de elementos abatidos. Por exemplo, se aguentarem o que têm no estômago, a única forma que têm de confirmar a morte é inspeccionar os cadáveres. Cuidado apenas porque este jogo gosta muito de desmembrar, por vezes de forma algo macabra.

O meu primeiro impacto a jogar este título é a curiosa tensão gerada pelo som. Os disparos, as explosões, os ruídos dos motores, os gritos de companheiros, a tosse dos adversários por causa do fumo lançado, tudo é modelado em volumes mais altos e intensos. De repente, tudo fica em silêncio e conseguimos ouvir o vento a passar para, segundos depois, voltar o festival de ruído intenso e frenético. Já tinha jogado outros títulos em que o som tinha uma componente tão importante no jogo. Squad ou Battlefield são bons exemplos. Contudo, nada neste calibre, a sério. Apostar no tal realismo num jogo vale o que vale, mas isto será o mais próximo que quererão estar dos sons de uma guerra.

A rudeza dos combates torna tudo mais pausado, logo evidente nos primeiros instantes. Aqui, não convém correrem como desalmados pelo mapa, devem levar o vosso tempo a progredir até ao objectivo e inspeccionar todos os cantos. As armas levam tempo a carregar, os sons que fazemos a correr ou nas mais diversas actividades são distintos e revelam-nos. Não devem agir como “lone wolves” e usar as comunicações com outros jogadores, sobretudo nas partidas competitivas. Todos fazem falta e todas as estratégias têm consequências. E a comunidade parece ciente disto, uma vez que poucas foram as sessões em que não tive elementos comunicativos no meu grupo. Uma vez mais, é o som que faz toda a diferença, desta vez nas vozes dos companheiros.

Com 32 jogadores (16 vs 16), como devem imaginar o caos é frequente, obrigando-nos a uma atenção mais espacial, que propriamente táctica. No fundo, é o costume em todos os jogos deste género que não premeiam o chamado “run’n’gun”. O modo que mais gostei foi Push, uma versão particular de captura de pontos, com cronómetro e reforços (respawns) limitados. A equipa de ataca tem de conquistar os três pontos e depois encontrar e destruir um cache de armas. A equipa que defende tem de evitar isto a todo o custo. A última fase, porém, é de morte súbita e não há respawns. Tenso é um eufemismo.

Mais tenso ainda é Firefight. É muito parecido com Push, mas a diferença é que tem menos jogadores por metro quadrado e não há distinção entre equipas atacantes ou defensivas, jogando com apenas uma vida. Bom, se a equipa capturar um ponto, podemos fazer respawn nesse mesmo ponto, mas se perdermos todos os objectivos, estamos a torcer que não morramos ou que alguém seja o herói da equipa, capturando um objectivo. Apenas Skirmish me pareceu algo acessório, tornando-se uma mistura dos dois outros modos. Começa como Push, mas se eliminarmos logo os dois caches, passa a funcionar como Firefight. Preferia outros modos mais distintos para jogar. Enfim.

 

A progressão em Insurgency: Sandstorm tem algumas novidades de relevância. O maior destaque é a personalização de personagem, equipamento e armamento. Claro que tudo está bloqueado ao início, obrigando-nos a jogar mais para desbloquear os melhores itens, que são sempre também os mais caros. Mas, nem só com objectos de cosmética ou acessórios mais vistosos é que mostramos o nosso valor. Há um intensamente disputado modo competitivo Ranked para apostar a nossa carreira. Um modo “mais sérioe”, que muitos outros jogos já possuem e que parece atrair os fãs mais “hardcore” de cada título.

Voltamos a ter um sistema de classes, com acesso a diferentes tipos de armamento e até algumas habilidades especiais, como Comandante que pode chamar artilharia, helicópteros de ataque ou outros reforços importantes. E é interessante que as vagas sejam limitadas a um número máximo de elementos por classe. Isto visa garantir que não há spam de metralhadoras pesadas ou abusos de algumas classes, como os infames snipers. Comparado com o jogo anterior, noto uma clara influência no já mencionado Squad nesta outra área. Que também parece ter influenciado o palco escolhido para este novo título.

Embora o tema seja o mesmo do jogo anterior, a eterna guerra entre as tropas aliadas contra o terrorismo e os próprios insurgentes (daí o título, obviamente), passamos agora para o Médio Oriente. Devo dizer que os mapas em jogo são algo despidos de pormenores, embora não estejamos neles propriamente para fazer turismo. Mas, o tema do betão, areia e do lixo avulso, torna-se enfadonho em poucas horas. Não era possível levar-nos para locais muito mais interessantes que estes, os tais onde os insurgentes abundam, mas também não era preciso usar tantos clichés nos cenários. Salva-se a ideia que estão bem desenhados, com poucos pontos de estragulamento e várias áreas abertas.

A nível técnico, não considero este jogo um deslumbre visual, não se deixem enganar pelas imagens promocionais que se vêem por aí. É possível ainda optimizar bastante o visual com actualizações, é certo. Só que a optimização que já temos não é das melhores, obrigando-me a remover diversos efeitos e opções visuais em várias ocasiões, para obter um framerate mais aceitável no PC que usei. Também não possui modelos de personagens muito exemplares, parecendo, por vezes, algo genéricos, sobretudo na anatomia. Não seria aqui que a NWI iria impressionar quem procura um bom jogo de acção. Mas, hey, foi a produtora que quis inserir a personalização das personagens, certo?

Veredicto

Se a New World Interactive limpar a poeira e a areia que anda por este jogo, teremos aqui mais uma excelente aposta para todos os que gostam de um bom shooter imersivo. A sua acção é muito sóbria, com elementos que pretendem ser crus e a roçar o realista. E neste ponto, nada é mais expressivo que a sua sonoridade tão presente. Talvez o grafismo precise de mais polimento. E também era bom termos mais modos de jogo, pelo menos mais diversificados. As novidades sobre o título original não são muito substanciais mas, de facto, expandem a visão da produção. Insurgency: Sandstorm é um jogo sólido para os que o estilo de arcada não chega mas também não querem um simulador.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.