Mais infoProdutora: Square EnixEditora: Square EnixLançamento: 20/06/2017Plataformas: , Género:

Depois de A Realm Reborn ter dado novo fôlego a este MMORPG, eis que a Square Enix continua a apostar neste título com mais uma expansão: Final Fantasy XIV – Stormblood. Resta saber se o que está a fazer tem qualidade e se os erros do passado foram mitigados.

Analisar um jogo como Final Fantasy XIV é uma tarefa de longo prazo. Com quase uma década de vida, este jogo foi amplamente criticado pelo seu lançamento atribulado. Nunca coloquei “o dedo na ferida”, mas sabia que devia ficar bem longe desse título. Como fã de Final Fantasy, porém, achei que não era satisfatório haver um título nesta série que desconhecia. Contudo, a nova oportunidade dada por Stormblood pode mesmo ser o motivo para, pelo menos, mudar a minha opinião. A minha campanha para analisar este jogo foi longa e morosa, obrigando-me a muitas horas de persistência para chegar a uma conclusão. Já sabia que devia dar outra chance a FF XIV. Agora, precisava saber se Stormblood tinha conteúdo para me cativar.

Devo dizer-vos que o esforço hercúleo da Square Enix para salvar este título é qualquer coisa de fenomenal. Recordo com pouca saudade que FF XIV era o “patinho feio” da série, mesmo com alguns outros títulos menos inspirados no passado. A série sempre foi oscilante de qualidade e todos temos um favorito. Sou particular fã de FF VII e Crisis Core e mais recentemente fiquei bem impressionado com FF XIII e FF XV, mas nem por isso acredito qualquer jogo Final Fantasy é bom. De um modo geral, todos os jogos são completamente diferentes, do enredo à jogabilidade, sendo os últimos títulos lançados muito mais virados para a acção directa. Contudo, só mesmo FF XIV abordou uma área relativamente inexplorada pela Square Enix: os MMO. E, sim, este género tão peculiar é ingrato para qualquer produtora.

Desde 2013 que A Realm Reborn tem vindo a reatar relações com os fãs, depois de um falível título original, por vezes descrito como “desgraça técnica”. Mesmo assim, o grind que sempre acontece em qualquer end game de qualquer MMO tornou-se enfadonho para muitos jogadores. Como é normal, ou se actualizam os conteúdos ou é bem possível que mesmo os melhores jogos caiam no esquecimento… outra vez. Esta segunda ambiciosa expansão surge com imensa vontade de devolver o interesse aos fãs. Numa altura em que a concorrência está cheia de argumentos para nos roubar tempo, o esforço de não deixar cair este título precisa de mais justificação. Sobretudo, para quem se fartou dos problemas do passado e para os que, como eu, estão cansados de repetições de género.

Não ajuda muito que hajam constantes problemas técnicos inerentes às plataformas online. É normal que os hajam, mas nunca gostamos deles. Por isso, quando coloquei mãos à obra neste jogo fiquei apreensivo com diversos problemas de autenticação e de estabilidade. Devo dizer que nesta data em que estão a ler esta análise, as ligações estão muito melhores e a estabilidade está mais assegurada. Contudo, é bem possível que o login demore um pouco e que, por vezes, hajam falhas de sincronismo ou degradação de latência. Quem joga MMOs não pode dizer que não sabe o que é isto. A dada altura, também tenho de assumir que o nosso país tem muito para trilhar em termos de largura de banda e latências dos IPs (Internet Providers). Adiante…

 

Nesta segunda verdadeira expansão (Heavensward foi mais uma reedição que uma expansão, fazendo de A Realm Reborn a primeira expansão real), leva-nos para a região de Gyr Abania, a leste de Aldenard. A luta contra o Império Garlean continua, desta vez nas cidades de Ala Mhigo e Doma. Há também novas áreas como a lindíssima cidade de Kugane, desta vez mais inspirada nas cidades do oriente, ou o Ruby Sea, onde os piratas deambulam. A nova região é vastíssima, adicionando muitas horas de exploração ao jogo-base, já de si enorme. Ainda nem sequer explorei tudo com o devido cuidado. Até porque Stormblood traz consigo muitas outras novidades que é preciso destacar e que me ocuparam bastante.

Para começar há um novo nível máximo para todas as disciplinas. Já que falo nisso, convém mencionar que devem ter o nível mínimo de 50 para jogar as missões de Stormblood. E terão mesmo de evoluir até lá, não há atalhos. Contudo, muito rapidamente irão chegar próximo do novo nível 70. Contem com duas novas profissões, Red Mage e Samurai que vão de encontro ao tema mais oriental do jogo. Há dois novos Raids planeados, um para 24 jogadores chamado de Return to Ivalice e um Rift interdimensional intitulado de Omega, the Bend of Time. Há também inúmeras missões de exploração em Eureka, novas tribos, uma nova habitação para comprar, novas habilidades e o sistema de combate foi amplamente revisto. Melhor, o inventário foi expandido! Nunca é demais termos mais espaço de inventário num RPG… nunca! Ah e podem nadar também… Mas, não sei se vão querer…

Como queria experimentar o que há de novo, decidi optar pela profissão de Red Mage. No fundo, as profissões são a versão da produção para as habituais classes de outros jogos do género. Com esta personagem, lançamos ataques próximos ou em alcance na forma de feitiços de todos os elementos. Melhor, até podemos levitar no ar. Pelo meio, temos de equilibrar o uso de Mana branca ou negra. Não sou particular fã de feiticeiros nos RPG mas rapidamente aprendi a apreciar o desafio desta classe. Até porque este Mage não se pode curar, embora possa drenar energia dos demais adversários. Lembrem-se de levar sempre um healer convosco nas quests ou mesmo nas temíveis dungeons… E se forem para uma dungeon sem esse tipo de planeamento mínimo, estão no jogo errado.

No que toca ao combate, os novos movimentos de ataque e defesa são qualquer coisa de genial. Como já disse, a produção decidiu revitalizar o sistema e introduzir algumas alterações. Para já, irão logo notar que a precisão dos ataques está melhorada graças à mecânica de “direct hit” que também aumenta o dano. Notarão também que os pontos de atributos foram removidos e os bloqueios agora também defendem ataques de magia. Talvez o que mais saltará à vista de todos, sobretudo aos veteranos, serão as novas animações das personagens, bem mais trabalhadas e com mais detalhe. Para mim, a principal alteração prende-se com as habilidades que transitam classes. Agora há mais “skills” para escolher e adaptar à missão em si. E nos modos PvP as habilidades foram removidas para uma jogabilidade única neste ambiente.

Resta-me falar do plano técnico, como sempre. Sim, já mencionei algumas questões de ligação que até já foram bastante melhoradas. Contudo, nem mesmo os bugs mais assinaláveis conseguem escamotear a beleza deste jogo. Final Fantasy XIV tornou-se um jogo lindíssimo cheio de pormenores como só as mentes brilhantes da Square Enix conseguem desenvolver. Ao fim destes anos todos, posso finalmente dizer que este jogo se parece com um Final Fantasy, em todo o seu esplendor 4K na PlayStation 4 Pro (versão analisada), sobretudo nas fantásticas cenas intermédias. Desde os cenários às personagens, tudo tem um cuidado visual impressionante. E há imensos detalhes e pequenas nuances brilhantes, até mesmo nos nomes cómicos de locais e de missões, parte do ADN da série.

 

Veredicto

Com uma fénix, Final Fantasy XIV – Stormblood quase que renasce das cinzas do seu lançamento original. A única falha desta expansão é que vem tarde demais para quem já não deu uma segunda hipótese. No meu caso, este foi mesmo o meu primeiro contacto. Foram quase três semanas intensas de jogo para chegar a um veredicto. Eu, que até nem sou um particular adepto de MMORPGs, fiquei rendido a esta experiência. Fãs da série, mesmo que não apreciem as esperas e falhas inerentes às ligações online, deem uma oportunidade a este título. Talvez venha a ser repetitivo, mas é mesmo na rotina de o explorar e repetir a dose que aprendemos a gostar destes jogos.

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