Mais infoProdutora: EA SportsEditora: Electronic ArtsLançamento: 28/09/2018Plataformas: , , , Género:

Com a concorrência tão forte neste ano, FIFA 19 tem muito para provar aos seus fãs e aos amantes do chamado “desporto-rei”. A EA Sports capitaliza nas suas mais valias, perpetuando o seu estatuto de “campeã”. Mas, será que chega?

Analisar FIFA 19 é também avaliar o que são os seus cerca de 20 anos de série, ao mesmo tempo que, inevitavelmente, o comparamos com PES 2019. Uma das maiores vantagens que FIFA Football goza está no seu título. O facto de ser um produto oficial FIFA traz consigo imensas vantagens. A começar pelas competições e Ligas que foi angariando ao longo dos tempos, agora também tem do seu lado o peso da hegemonia nas preferências dos jogadores. Mas, as coisas estão a mudar. Diz o mercado que este FIFA teve um decréscimo de vendas na ordem dos 30% perante o seu antecessor. Será que o rival está mesmo a ganhar terreno? Este novo FIFA precisava de um contra-ataque forte.

Todos ficamos ansiosos com as novidades de cada novo jogo e temos de dividir a oferta de FIFA em duas partes muito diferentes. O seu conteúdo ao nível de modos e Ligas e depois a sua simulação em campo, a jogabilidade propriamente dita. Começando pelos modos, além das partidas clássicas de exibição, o intocável FIFA Ultimate Team, Pro Clubs e as próprias Ligas nacionais e modos “Be a Pro” que fazem o seu regresso (com poucas novidades, diga-se), FIFA 19 traz consigo a terceira e última parte do modo de carreira “A Jornada”, uma nova visão para o modo casual Kick Off e, obviamente, a nova licença da Liga dos Campeões e Liga Europa, cortesia do fim de contrato do rival PES com a UEFA.

Em termos de conteúdo, é mesmo um festival de futebol para os aficionados. O modo Kick Off é uma ideia simplesmente genial: poder criar jogos rápidos com amigos (localmente ou online) só pela diversão de “jogar à bola”, criando regras específicas, algumas mesmo rocambolescas. Em “House Rules”, podemos, por exemplo, desligar as faltas ou os foras-de-jogo, alterar quanto vale um golo fora da área ou ainda expulsar o jogador que marca algum golo. Eliminamos, de facto, o elemento da simulação, mas a diversão, essa, é garantida. E muitas vezes é só isso que queremos para descomprimir depois de um dia de trabalho.

Assim que entram em FIFA 19 pela primeira vez, são logo presenteados com a festa da nova licença da Liga dos Campeões. É um dos destaques que a EA Sports faz questão de repetir continuamente em vários modos. Começa logo nos primeiros instantes depois da instalação, com uma final da competição entre a Juventus e o PSG. Não vou ainda discutir como está o futebol em campo, mas avanço desde já que a aposta continua a ser no chamado “futebol-espectáculo”. Como é, aliás, a fórmula do futebol real nesta competição. Adicionalmente, podem jogar toda a Liga dos Campeões escolhendo um clube, ou como prova paralela inserida numa Liga nacional. É a competição de elite do futebol mundial e está aqui devidamente licenciada.

“A Caminhada” lá continua, agora com um foco ligeiramente menor em Alex Hunter, dando um pouco mais de “tempo de antena” à sua irmã e ao seu melhor amigo. Embora Alex ande agora no topo da sua carreira no Real Madrid e na Liga dos Campeões, o contexto muda para um certo declínio (porque nada é eterno). Por outro lado, a jovem Kim Hunter começa agora a dar os primeiros passos na Selecção dos Estados Unidos. E Danny Williams tem de provar que ainda é um jogador válido ou acaba na reforma antecipada. Diria que o modo foi ampliado, com uma história um pouco mais abrangente e tripartida, mas acabamos por ter os mesmos desafios nos três jogadores.

Continuo a considerar este “um jogo à parte”, numa espécie de Role Play Game de futebol. Temos à mesma algumas decisões para tomar em entrevistas, com opções que nos dão mais afecto dos fãs ou mais consideração do treinador. Também precisamos passar diversos desafios em treinos específicos ou mesmo em jogo. Obviamente, estes desafios são um pouco diferentes entre Alex, Kim ou Danny mas, é tudo bastane linear. De notar que muitas das decisões de FIFA 17 e FIFA 18 se repercutem aqui, inclusive em quais equipas optámos e os resultados de competições em que participámos. Sendo o derradeiro episódio, serão vocês a decidir como os três jogadores enfrentarão o resto das suas vidas (digitais, claro).

Apesar destas novidades de enorme peso, porém, FIFA 19 tem alguns revezes que temos vindo a assinalar desde FIFA 17. E esses revezes têm a ver com a oferta de conteúdo local que, infelizmente, não é equilibrada. Falo, obviamente, da oferta de algumas ligas, clubes e jogadores, onde tenho de incluir Portugal. Aplaudo com prazer o regresso da língua Portuguesa aos menus, algo que esteve no “esquecimento” da EA durante alguns anos e que é sempre importante para a nossa identidade. E até estou disposto a desculpar a ausência de comentários em Português, uma vez que também não faço questão que lá estejam. Mas, o cuidado na representação de Portugal fica mesmo a desejar.

Não consigo entender como o Campeonato de Portugal (Liga NOS) está tão mal representado… outra vez. Se a equipa genérica “Funchal” (Nacional da Madeira) não vos decepcionar, talvez as feições genéricas da maioria dos jogadores o façam. Há um claro retrocesso na representação de alguns jogadores da Liga NOS desde o ano passado, incluindo craques dos três grandes. Dado o cuidado extremo lá fora, como a La Liga ou Premier League, fico com a sensação que a nossa Liga (e não só) está só a “fazer número” em FIFA 19. Dimensões diferentes, é certo, mas torna-se irónico ver que está um Português na capa (Cristiano Ronaldo). Dada a aposta da concorrência na Liga NOS, esperava mais cuidado nesta representação que, desde há alguns anos, até tem vindo a perder rigor.

“Clubismos” à parte, em cada novo FIFA queremos é que o futebol em campo melhore ou inove. Não me canso de dizer que o rival possui este ano uma das melhores simulações de toque de bola de sempre e disse logo na altura que era bom que este jogo se cuidasse. Sobretudo agora, fica claro que FIFA Football sempre teve um futebol mais controlado, com a bola mais “colada ao pé”, mais táctico que habilidoso. Os fãs e aqueles que não gostam de mudanças profundas, gostarão de saber que esta lógica se mantém, para o mal e para o bem, embora hajam umas poucas mexidas que podem não agradar a todos.

Confesso que a minha apreciação da simulação em si é sempre agridoce em qualquer FIFA. Todos os controlos estão intactos, sobretudo se escolherem as opções controlo clássico. Mas, há um novo sistema de remate que pressupõe um pressionar do botão do chuto e, depois, um segundo pressionar no momento certo para confirmar a eficácia do remate. Não gosto da mecância, uma vez que atrasa a animação por milésimos de segundo e possui dois reveses: é francamente injusto se falharmos e… é francamente injusto (para o outro jogador) se acertarmos, automatizando o remate. Prefiro o sistema clássico de remates com encher da barra de força. Dispenso esta nova opção, completamente.

Por outro lado, desde FIFA 17 que temos os mesmos sistemas de remate de bola parada, marcação de cantos e penalties. São todos sistemas falíveis e que, de facto, não servem bem o jogador. Não há uma mira ou uma ajuda de precisão para remates de marcação de faltas ou penalties, tornando-se quase uma adivinha entre força e jeito. Nos cantos, até temos uma mira, mas é raro metermos a bola onde queremos. Também a recepção de bola continua a ser um terror. Está muito melhor que há uns anos, mas o primeiro contacto é uma incerteza tremenda em jogadores de estatísticas mais baixas. E continuo a achar que há alguma injustiça no dribble versus corte de bola.

Felizmente, tudo o resto teve algum cuidado na produção. Vão notar que agora é bem mais difícil ter “arrancadas” de sprint ou desmarcações mais evidentes. A defesa distribui-se muito melhor pelo campo, cortando linhas de passe e obrigando a maiores movimentações dos jogadores. O futebol real mudou e também sofreu mudanças aqui em FIFA 19. Há mais contanto físico e mais protecção de bola. Os passes são mais curtos e mais rápidos, reinando as infames tabelinhas. Culpem Pep Guardiola (em cima) e o seu Tiki-taka, mas estamos a ver o fim dos passes em profundidade ou dos driblles habilidosos a correr meio-campo até ao remate prodigioso. Estão lá, mas vão notar a raridade desses lances, quase sempre só nos pés dos craques.

Jogando no nível de dificuldade Professional ou World Class, fica evidente que as estatísticas continuam a valer mais que a vossa habilidade. Já falei acima que o primeiro-toque é uma incerteza num jogador inexperiente. Iniciem o modo Carreira com um jogador jovem e vão perder muitas bolas, com muitas cargas de ombro a afastar-vos dos lances. FIFA foi sempre um jogo mais físico, é certo, mas nesta edição está, quanto a mim, mais fechado. Torna o jogo mais compassado, com contra-ataques mais contidos, obrigando a fazer passes constantes e a procurar o “buraco” na defesa. Mas, esta lógica também tem o revés de proporcionar muitos passes falhados ou interceptados. É um equilíbrio precário, dá alguma incerteza nos lances e cria momentos de “arremessar o comando ao chão”.

Também notei que, com equipas mais equilibradas, a jogabilidade prende-se mais no posicionamento, com trocas rápidas de bola, que na habilidade de algum jogador individual a receber ou a fintar. Como devem calcular, é uma questão de perícia, mas também há aqui um foco diferente desde o jogo anterior. A desmarcação no tempo certo, fugindo ao jogador que nos está a marcar, parece muito mais crucial. Temos de procurar aberturas para os passes a cortar ou em profundidade, sabendo que os adversários fazem excelentes dobras aos companheiros. Cria imensos momentos de pressão e posse de bola, uma vez mais reflectindo a realidade do futebol actual.

Para fazer todo este futebol brilhar, é óbvio que a EA não esteve com meias medidas e voltou a puxar pelo aspecto visual. Tirando o que já mencionei que acontece com a Liga Portuguesa, é impressionante ver o nível de detalhe das feições dos jogadores, inclusive com animações, celebrações e toques únicos dos grandes craques, claramente capturados dos jogadores reais. Como seria de esperar, esta qualidade nas representações dos jogadores não é tão evidente em pequenos clubes ou jogadores menos conhecidos. Mas, irão reconhecer facilmente o “pequeno” Lionel Messi, não se preocupem.

Testei o jogo numa PlayStation 4 Pro e fiquei profundamente deslumbrado com a qualidade visual de tudo, entre jogadores e estádios. Nesta consola, pude jogar com resolução 4K e num televisor com tecnologia HDR. Confesso que notei umas quebras de fluidez em algumas perspectivas de câmara (modo Be a Pro, por exemplo) mas, de um modo geral, a qualidade é inegável, afectando em nada a jogabilidade. Também os efeitos visuais e sonoros estão impecáveis, incluindo os gráficos únicos de cada competição a darem-nos a ideia de estarmos a ver um jogo pela televisão. Esperem a qualidade do costume, portanto.

Nem tudo é perfeito, como é óbvio. Ainda vemos animações estranhas, como alguns jogadores a correr desalmadamente pelo campo ou contra um poste ou outro jogador nas celebrações. Também o público continua a parecer genérico demais, mesmo que vejamos agora algumas câmaras especiais nas celebrações com reacções animadas do público. Mesmo assim, de um modo geral, houve imenso cuidado em polir tudo para esta nova edição. Apesar de já cá andar há duas décadas, a série teve um claro aumento de qualidade nestes últimos três jogos. FIFA 19 é, a meu ver, uma das melhores representações visuais do espectáculo que é o futebol.

Veredicto

Nesta nova era da série, FIFA 19 é o auge de muitas boas ideias da EA Sports para nos agarrar ao seu jogo. O novo modo revisto Kick Off proporciona muita e boa diversão para jogar com amigos. “A Jornada” tem uma conclusão muito positiva, expandindo a experiência naquele que é o único “RPG” de futebol da actualidade. É óbvio que a mais valia deste novo título é a chegada a Liga dos Campeões e Liga Europa que só beneficiam o espectáculo e a sua vasta oferta de conteúdo. Este, continua a ser o melhor simulador de futebol do momento, mesmo com a concorrência a “marcar” bastante cedo. Só tenho pena que Portugal e a sua Liga NOS seja uma perfeita formalidade.

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