Mais infoProdutora: Deck Nine GamesEditora: Square EnixLançamento: 19/01/2018Plataformas: , , Género:

Este é um adeus sentido a Chloe Price no terceiro e último episódio de Life is Strange: Before the Storm. A Deck Nine Games trabalhou a personagem de forma exemplar, mesmo que tivesse alguns revezes pelo caminho. O resultado está aqui.

Leiam a nossa análise ao primeiro e segundo episódios.

Este jogo tinha dois problemas de enorme envergadura. Em primeiro lugar, tanto o primeiro Life is Strange, o jogo para o qual este serve de prequela, como a própria personagem centra Chloe Price têm uma legião de fãs que não podiam ser desconsiderados. Por outro lado, a Deck Nine Games não é a produtora original desta série, pegando num legado pesado deixado pela DontNod Entertainment. E há ainda uma outra questão primordial. É que Chloe não possui os poderes sobrenaturais de Max Caulfield. O que começou por ser um “serviço aos fãs” no primeiro episódio, pareceu tornar-se em algo simplesmente aborrecido no segundo. Confesso que iniciei este terceiro episódio com alguma precaução. Estava algo cansado desta história cujo fim já conhecia.

Contudo, era evidente que no episódio anterior eu estava à procura de outro jogo igual ao da DontNod. Decidi com este terceiro episódio esquecer completamente esse legado e focar-me no que me era dado desde o primeiro momento. Este jogo não quer ser igual ao primeiro, quer apenas contar uma história em que as nossas decisões têm significado, num tom ligeiramente diferente e que nos levará, então sim, ao primeiro jogo. De facto, é neste episódio que os desenlaces dos dois primeiros episódios assumem reais conseguências, fazendo pleno sentido. Felizmente, é como se o segundo episódio fosse apenas um leve preenchimento do que nos preparava no terceiro.

“Hell is Empty” é, sobretudo, um episódio de fecho de círculos, como seria de esperar. Uma boa porção do mesmo, leva-nos a perseguir o passado de Rachel, mais precisamente em busca da identidade da sua mãe. Os desenlaces não são propriamente revelações porque já conhecemos os seus contornos, mas é, mesmo assim, uma triste história de abandono, vício de drogas e outras questões delicadas demais para figurarem frequentemente em videojogos. Por outro lado, é inevitável que nos revejamos na imaturidade de algumas decisões precipitadas que tomamos, típicas de um adolescente que também fomos (ou somos, depende da vossa idade).

No fundo, esta é uma história de pessoas imperfeitas. Enquanto que Max conseguia manipular o tempo e tentar repor alguma normalidade ou simplesmente anular algumas opções menos positivas, Chloe tem de viver com as consequências das suas decisões. O que significa que nem tudo acabará de forma positiva ou elegante para ninguém. Nada é demasiado revelador ou profundo, até porque já sabemos o que acontecerá de seguida, mas este jogo não é composto por destinos, mas sim por trajectos. Muitos de nós tivemos a sensação que o segundo episódio estava a “empatar”. Talvez por isso, este episódio parece terminar de forma algo abrupta, com uma simples montagem de eventos. É uma muleta técnica, válida obviamente, mas que me parece mesmo apressar o fim.

Quando os créditos rolam, fico com uma clara certeza: Este jogo consegue fazer a ponte e realçar a qualidade do enredo e das personagens do original Life is Strange. Já sabemos que há um episódio de bónus a chegar em breve e que, provavelmente, vai pavimentar ainda mais o caminho para esse outro jogo. Contudo, viver a história desta jovem de cabelo azul (neste episódio já tem uma madeixa azul, já agora), aprofundou-a e, com certeza, agradou os fãs pela honestidade e frieza do seu envolvimento com Rachel Amber. Pelo menos, conseguiu fazer-me reinstalar o jogo e já o estou a recomeçar. Nem que seja só por isso, já valeu a pena jogá-lo.

Veredicto

Este último episódio de Life is Strange: Before the Storm é uma clara afirmação de que, não só Chloe é uma personagem excepcional, como a Deck Nine Games esteve, de facto, à altura do desafio de nos contar a sua história. O maior problema deste jogo é que será sempre comparado ao primeiro título e, nesse termo comparativo, nunca irá realmente vencer. Acima de tudo, porém, tem uma elevada qualidade narrativa, facilmente suportando o seu próprio “peso”. O muito foco na narrativa, apostando menos na interacção ou em alguma capacidade sobrenatural, leva-nos a ganhar novo apreço pelas suas personagens, justificando o nosso interesse na fantástica aventura que foi o primeiro jogo. Se jogaram esse primeiro Life is Strange, este é quase obrigatório, nem que seja para gostar ainda mais de Chloe Price.

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