Mais infoProdutora: Telltale GamesEditora: Telltale GamesLançamento: 21/11/2017Plataformas: , , Género:

O terceiro episódio desta série Batman: The Telltale Series “The Enemy Whitin” sofre de uma questão que parece recorrente dos demais jogos da Telltale Games. “Fractured Mask” parece continuar com a sua pressa em contar a história, gerando um caos narrativo.

Leiam aqui a análise ao primeiro e segundo episódios.

Fazer uma análise aos jogos da Telltale nos dias que correm é algo ingrato. Não porque os jogos não possuam qualidade, é inegável que a produtora tem uma fórmula interessante. Contudo, parece que a própria veia criativa da produção se esvai a cada novo episódio. Por outro lado, nesta série em particular, há uma certa pressa em trazer desenvolvimentos, quase tropeçando em si mesmo para tentar manter-nos empolgados. O forte destes jogos, com uma jogabilidade, para todos os efeitos, superficial, é a narrativa e os diálogos com decisões difíceis. Se esses aspectos não forem aprimorados, rapidamente teremos um efeito de “bola de neve”. A primeira série dedicada a Batman não foi, propriamente, do meu agrado. Esta segunda série está a correr um sério risco de ir pelo mesmo caminho, mas os motivos são diferentes.

Agora que Bruce Wayne está efectivamente infiltrado na organização criminal, chamada de “Pacto”, tem de manter a sua identidade secreta em segurança. Contudo, o surgimento de uma personagem no final do episódio anterior pode colocar essa identidade em causa. Esse perigo de descoberto é uma constante ao longo do episódio, sobretudo com os diálogos que parecem estar permanentemente a testar a capacidade de persuasão de Bruce. Esta fórmula até é bastante interessante, mantendo-nos atentos ás possíveis consequências das nossas respostas e decisões.

Apesar do seu alter ego Batman ter aqui um papel algo secundário, Bruce debate-se bem contra Joker, Harley Quinn e até Catwoman. Contudo, este episódio não podia ter um título mais apropriado. A máscara está mesmo fracturada. E não é só a identidade de Bruce que está em risco. Eventualmente, ao lidar com tantas histórias e tantas personagens, as fissuras narrativas começam a ficar notórias, criando até alguma confusão entre os argumentos de cada história paralela. E isto também se verifica nas relações entre personagens que subitamente sofrem mutações que não entendemos muito bem a causa.

Por outro lado, desde o episódio anterior que a história estagnou num “apressa-te a esperar”. Tudo parece um “preenchimento” entre algumas cenas-chave, não havendo um momento realmente memorável neste episódio, como não houve no anterior, aliás. Quer dizer… A meio da história até podemos simplesmente revelar que Bruce e Batman são a mesma pessoa. Isso seria realmente memorável. Mas… porque é que o faríamos? O intuito de Bruce infiltrar-se nesta organização é chegar ao seu âmago. Revelar a sua identidade secreta no meio de criminosos perigosos parece-me francamente ilógico. Obviamente que não escolhi essa opção, até porque tenho quase a certeza que não iria terminar da forma que esperava.

No final deste episódio, ficou no ar um último desenvolvimento que, a meu ver, pode ser interessante nos próximos dois episódios. Também a ênfase dada a Bruce é muito mais vincada que na temporada anterior, o que cumpre uma promessa da produção, meio posta de lado nesses cinco primeiros episódios. Afinal, é o Homem-Morcego que vende títulos e não tanto o playboy milionário de Gotham. Mesmo assim, parece ser uma clara repetição de fórmula dos dois episódios anteriores. Não havia nada de errado nisto se houvessem tantas histórias paralelas e as relações entre as personagens não fossem demasiado intrincadas ao ponto de serem igualmente confusas.

Fica a esperança que o quarto e quinto episódio vinguem esta segunda temporada. Notem porém que desejei esse mesmo desfecho em séries e franchises anteriores, com resultados menos satisfatórios. Poderia dissertar agora sobre a possibilidade da fórmula da Telltale estar a precisar de uma reforma. Mas, prefiro apenas pensar que sou eu que estou mais exigente. Talvez porque já tenha jogado uma boa porção dos seus jogos em franchises diferentes, identifico mais facilmente os padrões das quebras e das falhas na narrativa. Talvez quem pegue nestes títulos de forma isolada encontre sempre um jogo fantástico.

Seja como for, há uma clara necessidade de, em primeiro lugar, tentar focar-se em menos personagens, seguindo o exemplo de outros jogos do Homem-Morcego. Um ou dois vilões de cada vez, um por episódio, não seria mau. Um por série seria ainda melhor. Por outro lado, é preciso que a história seja mais linear e não tão dispersa em múltiplas interacções e desenvolvimentos. Se isto acontecer no episódio quatro ou cinco, teremos uma história interessante para seguir. Caso contrário, esta temporada pode, mais uma vez, desapontar os fãs do homem-morcego.

Veredicto

Já lá vai o tempo em que as minhas principais queixas nestas séries da Telltale Games eram relacionadas com a interacção, sobretudo nos quick time events que já sabem que não gosto. Numa aventura deste calibre, “point and click” é preciso que a narrativa e os diálogos sejam consistentes, interessantes e que não confundam a audiência. Oscilações nas relações da personagens, opções de enredo sem nexo e o excesso de elementos narrativos estragam o terceiro episódio de Batman: The Telltale Series ”The Enemy Within”. Esperamos que os próximos episódios alterem esta rota descendente.

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