Mais infoProdutora: Telltale GamesEditora: Telltale GamesLançamento: 26/12/2017Plataformas: , , , , Género:

Com a chegada de uma personagem icónica da DC Comics, a Telltale Games lançou o segundo episódio de Batman: The Telltale Series “The Enemy Whitin”. Contudo, este episódio traz não só uma mudança de ritmo, mas também parece ter alguma “pressa”.

Leiam aqui a análise ao primeiro episódio.

Conforme se recordarão, gostei da nova abordagem que o primeiro episódio desta segunda série nos trouxe. Apesar de continuarmos a ter algumas liberdades criativas, o cânone geral de Batman parecia estar a ser minimamente respeitado nesta segunda temporada. Claro que era ainda cedo para termos certeza que será sempre assim. Contudo, a personagem John Doe (Joker) parece estar a ser bem retratada (finalmente) e com esta adição de Harley Quinn estaríamos prestes a recuperar aquela célebre química. Pelo menos é o que os fãs esperavam, como é óbvio. Este novo episódio chamado “The Pact”, parece estar com muita pressa de avançar o enredo e empurrar personagens para o ecrã, enquanto sofre de alguns problemas crónicos que o primeiro episódio parecia ter mitigado.

Fazer um resumo do enredo deste episódio é ingrato. Tanta coisa se passa, tantas personagens surgem que é complicado explicar todos os desenlaces em poucas linhas. Mas, aqui vai. Depois dos eventos do último capítulo, Batman precisa decidir com quem cooperar: O Comissário Gordon ou Amanda Waller. Ambos podem ser valiosas ajudas, sobretudo agora que explosões abalam Gotham, naquilo que pode ser um dos maiores golpes de sempre. Batman acaba por enfrentar agora um gigante vilão mascarado que o derrota sem piedade. Lutar directamente, parece inútil. Talvez seja preciso primeiro enfrentar toda a organização a que esse vilão pertence, um grupo que se intitula “The Pact”. Bruce apercebe-se que terá de se infiltrar na misteriosa organização e quem melhor para o orientar que o misterioso John Doe e a sua namorada… Harleen Quinzel?

Este episódio vai levar-nos para uma história algo diferente. Bruce Wayne acaba por descartar o seu alter-ego para se tornar num criminoso ao serviço dos vilões. No fundo, é como se ficássemos com a ideia que Bruce não precisa da máscara para ser o tal herói que conhecemos, mesmo que tenha de tomar umas decisões controversas. E este novo grupo de vilões pode ser uma cartada interessante para o resto da história. É composto não só pelo Joker e Harley Quinn, mas também por mais dois vilões conhecidos da DC, entretanto introduzidos. E lá mais para o fim ainda há mais dois regressos, um bastante interessante e outro que considero absolutamente acessório. Como veem, a Telltale queria mesmo encher este episódio com detalhes.

Além da já mencionada decisão de cooperar com Gordon ou Waller, algo que será colocado à nossa frente umas quantas vezes e que terá a suas repercussões, há mais decisões importante a ter em conta. Por exemplo, um dos vilões do Pacto pode ser preso com a nossa ajuda. Este desenlace pode alterar a forma como um golpe termina e também a nossa relação com os vilões no papel de infiltrado. Decisões complicadas, mas também com secções de combates complexos. Sim, continuaremos a confiar na nossa destreza em carregar nos botões no tempo certo (quick time events), contudo, há bastantes sequências de acção bem orquestradas.

Contudo, quando se mexe com personagens icónicas, correm-se alguns riscos. Sobretudo quando a Telltale assume que gosta de contar as histórias “à sua maneira”. Harley Quinn é única no universo DC, uma personalidade infantil, completamente obcecada por Joker, com atitudes de psicopata e uma imagem única. Neste jogo, parece-me que a maioria dessas características passaram ao lado. É dada a ideia que, afinal, é Harley que está manipular Joker, demonstrando uma personalidade calculista. E nem vou falar muito da sua imagem, digamos, reinventada. Já esperava uma visão única da Telltale. Contudo, a não ser que tudo não passe de uma farsa que se revele mais lá para frente, não gostei desta interpretação.

E não vale a pena lançar outra vez a ideia de “uma história diferente”. Não podemos esquecer que uma boa parte dos jogadores deste título serão fãs das diversas histórias do Homem-morcego. Já sabíamos que a Telltale aposta mais no papel de Bruce Wayne que no seu alter-ego justiceiro nestas duas temporadas, algo que até tenho apreciado. E estou disposto a perdoar a ausência do próprio Batman neste episódio, uma vez que Bruce acaba por ser o mesmo herói, mesmo sem a máscara. Agora, desvirtuar dois dos maiores vilões de Batman, para mim, é um dejá vu da primeira temporada, quando as liberdades criativas da produção estragaram diversas partes da história.

Também os problemas técnicos vistos neste episódio são um dejá vu que não queria ter. Apesar do primeiro episódio não ter nenhuma questão técnica assinalável, este “The Pact” teve diversos problemas de sincronismo de áudio, além de uns quantos freezes, um deles obrigando-me a reiniciar o jogo. Já são conhecidos os problemas técnicos dos episódios lançados pela Telltale nos seus diversos jogos baseados em diferentes franchises. Tinha esperança que a qualidade e estabilidade geral do primeiro episódio fosse o início de uma nova era, mas parece que, mais uma vez, temos de voltar ao ritmo de esperar por alguma actualização que corrija os erros.

Veredicto

Embora este episódio seja competente ao introduzir novas personagens, dando também diversas cenas de acção interessantes, permitindo ainda elevar o protagonismo de Bruce Wayne sem a sua bat-máscara, tem algumas questões que não esperava, sobretudo depois da qualidade do primeiro episódio. Não só Joker e Harley Quinn me parecem mal representados, como regressaram os erros técnicos que, de alguma forma, são já quase tradicionais. Resta-me esperar que os próximos episódios nos revelem alguma reviravolta que reponha alguma ordem e que os problemas sejam mitigados.

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